
Casal supera infertilidade e doença grave com fé e faz peregrinação a Aparecida para agradecer
FreePik
Resumo
Vanessa passou cinco anos em um relacionamento abusivo até encontrar o amor com o Daniel, com quem reconstruiu sua vida. Só que, juntos, enfrentaram obstáculos: eles queriam filhos, mas ela tinha ovários policísticos e foi aconselhada a desistir. Foi Daniel quem a incentivou a persistir. O casal se agarrou à fé e após quatro anos nasceram Thomas e Lara.
A gestação já era um milagre, mas Daniel também teve a sua fé testada: o descobrimento de uma cardiopatia grave, deixando-o entre a vida e a morte. Mais uma vez, o casal recebeu um milagre, e a família foi à cidade de Aparecida do Norte, em SP, em peregrinação para agradecer. Leia e ouça na íntegra a história desta sexta-feira, 23/5, do Quem Ama Não Esquece, da Band FM:
Você acredita em milagres? Eu não apenas acredito, como vivi. Por três vezes, Deus me provou que "impossível" é apenas uma palavra – e que a última voz é sempre dele.
Eu vivi dias difíceis com o meu ex. Foram cinco anos de um relacionamento que me afundava um pouco mais a cada dia. Ele era envolvido com drogas, assaltos... e em um desses crimes, acabou sendo preso. Eu ainda cheguei a visitá-lo por um tempo, porque acreditava que o amor podia mudar tudo, que a minha presença podia transformar quem ele era. Mas, cada visita minha era um soco na cara. Ele era agressivo, intolerante e não demonstrava a menor vontade de mudar. Um dia, finalmente enxerguei com clareza e terminei tudo com ele. Fiquei dois anos solteira. Dois anos só comigo mesma, redescobrindo quem eu era, e foi aí que o inesperado aconteceu. Em uma noite qualquer, quando eu para dançar, conheci o Daniel. Sempre ia naquele lugar e ele me disse que também era frequentador assíduo, mas a gente nunca tinha se visto. Até aquela noite.
O Daniel veio até mim e me chamou pra dançar. Bem coisa de filme! Depois a gente ainda estendeu a noite na casa de uns amigos. Conversamos, rimos e, lá mesmo, ele me deu o primeiro beijo. Foi mágico. Foi lindo. E por conta disso, a gente nunca mais se desgrudou.
O Daniel já era divorciado e tinha uma filha. Nós dois éramos meio parecidos. Os dois separados e que, sem querer, tinham encontrado o amor. Com nove meses de namoro, a gente decidiu se casar e posso dizer, com toda a certeza do mundo, que foi uma das melhores decisões que já tomei na vida.
Nosso casamento era tranquilo, confortável, gostoso, cheio de cumplicidade e, pela primeira vez, sentia o que era amor de verdade. Na época, tinha 27 anos e, desde o começo, deixei claro que queria ser mãe. Não era só uma vontade, era um sonho que sempre tinha me acompanhado. Mas, os meses foram passando... e nada! Eu decidi, então, investigar. Marquei consulta, fiz exames, e foi ali, naquele consultório, que o mundo caiu sobre mim.
O médico olhou os meus exames e disse que eu tinha ovário policístico em grau avançado, e que se meu sonho era ter filhos, melhor que eu desistisse, porque eu não ia conseguir. Eu saí dali muda e voltei para casa em pedaços. - O que aconteceu, Van? Por que você está chorando assim?- Daniel, vai embora. Por favor, vai embora dessa casa. Você merece alguém que possa te dar filhos, que possa aumentar a sua família e eu não posso. Eu não posso ser essa pessoa.- O quê? O que aconteceu? O que saiu nos exames, meu amor?- Eu tenho ovários policísticos e o médico disse que é melhor eu desistir, que eu nunca vou conseguir engravidar. - Ei, calma! Olha pra mim. Respira comigo. Vai, respira... isso! Não é o fim de nada, está me ouvindo? É só uma opinião e a gente vai atrás de outro médico, de outra opinião. Eu estou com você e a gente vai lutar junto. O Daniel foi fundamental neste momento. Para mim, ali era o fim. O fim de todos os meus sonhos. Mas, ele não deixou. Ele realmente lutou comigo. Nós procuramos outro médico, que me encheu de esperanças outra vez e me disse que com um tratamento correto, poderia ter chances, mas que o caminho seria longo. E foi.
Foram quatro anos. Quatro anos de tentativas, de injeções, exames, hormônios, frustrações e lágrimas. Quatro anos tentando acreditar, tentando não enlouquecer a cada negativo. Demorou tanto que, em certo ponto, eu já tinha perdido a fé. Eu estava cansada, desmotivada, sem forças até para sonhar. Até que, um dia antes do meu aniversário, foi o Daniel quem percebeu alguma coisa diferente. - Amor, está tudo bem com você? Faz dias que você anda estranha… sempre enjoada, meio abatida.- Ai, Daniel… eu não sei. Estou com um mal-estar que não passa. Qualquer cheiro de comida me embrulha o estômago, até o perfume das pessoas está me deixando enjoada.- Van, será que você não está grávida? Espera aqui. Eu vou comprar um teste e a gente tira essa dúvida agora mesmo.Eu fiz o teste e deu positivo. Eu congelei! Eu não conseguia acreditar! Fiz outro... positivo. Um terceiro... também positivo. Ainda totalmente em choque, eu comprei mais um, só para ter certeza. E, mais uma vez, positivo.
Mas a minha ficha só caiu mesmo no dia do ultrassom. Foi quando ouvi aquele coraçãozinho batendo forte dentro de mim, que tudo se tornou real. Eu estava mesmo grávida. O impossível tinha acontecido! E eu... eu chorava, agradecendo aquela benção de Deus.O Thomas nasceu bem, cheio de saúde e trouxe uma luz nova para a nossa família. Eu estava plena, realizada, me sentindo completa e grata, mas Deus… Deus ainda tinha mais pra me mostrar. Dois anos depois, sem tratamento algum, Ele resolveu me surpreender mais uma vez. Minha menstruação atrasou, mas não senti nada, nenhum sintoma, nenhum enjoo. Por desencargo de consciência, fiz um teste de farmácia... e deu positivo. Para engravidar do Thomas, precisei de remédio, acompanhamento, tratamento, paciência, resiliência, mas, da segunda vez, nada! Eu não precisei fazer nada.
A segunda gravidez veio como um presente inesperado, sem nenhum esforço
Pronto. Minha felicidade estava completa! Eu tinha um marido amoroso, um filho saudável, outro a caminho... era como se tudo tivesse finalmente no lugar certo.
Mas a vida… a vida tem um jeito cruel de virar tudo de cabeça pra baixo quando a gente menos espera.Era janeiro, eu estava com sete meses de gestação. Eu e o meu marido éramos confeiteiros e, depois de um fim de ano muito intenso de trabalho, com várias encomendas, o Daniel começou a sentir umas dores estranhas no peito, falta de ar. A gente pensava que era só cansaço e ansiedade, afinal, ele sempre tinha sido um homem muito saudável.
Mesmo assim, achou melhor ir ao hospital só para ter certeza. Enquanto isso, fiquei em casa com o Thomas, sem imaginar, nem por um segundo, que aquele seria o começo do nosso pesadelo. - Ah, Vanessa, eu estou bem. Sério. Mas eu vou precisar de um favor... você pode me trazer o meu carregador? Parece que eu vou ter que ficar aqui para fazer uns exames. - Exames? Que exames são esses? O que os médicos disseram? Fala a verdade: como você está?- Calma. É coisa simples, coisa de rotina. Não precisa se preocupar comigo. Só traz o meu carregador do celular para eu não ficar sem conseguir falar com você e depois fica em casa, tranquila. - Daniel, você tem certeza que está tudo bem?- Tenho, amor. Confia em mim. Eu achei tudo muito estranho, mas fui fazer o que ele tinha pedido. Quando cheguei ao hospital, não foi nem ele quem me recebeu. Os enfermeiros e médicos me levaram para uma salinha e ali já percebi que tinha alguma coisa errada.
Eles falaram com muita calma, tentando dosar cada palavra por causa da minha gravidez, que o Daniel não ia só fazer alguns exames. Ele estava sendo internado. O pulmão dele estava cheio de líquido e a situação poderia se complicar bastante. Ele não tinha me contado, porque não queria me assustar, mas a verdade é que ele tinha desenvolvido uma cardiopatia que havia enfraquecido o coração dele.
Naquele momento, o meu marido estava com uma sonda e precisando de aparelhos para sobreviver
Meu chão simplesmente se abriu. Eram tantas possibilidades cruéis! Ele podia simplesmente não voltar, ficar em estado vegetativo, ou até mesmo morrer. E eu, lidando com tudo isso grávida de sete meses, com outro filho pequeno e tendo que ser forte. Eu orava dia e noite e pedia a Deus, com toda a força que tinha em mim, para salvar o meu marido. Por favor, Senhor, por favor, não leve o Daniel.Foram 10 dias intermináveis de escuridão, com Daniel sedado, ligado às máquinas entre a vida e a morte. E quando eu já me sentia esgotada, veio o primeiro sinal de milagre: ele começou a reagir. Primeiro retiraram a sedação, depois ele foi transferido para o quarto, e, enfim, pude ficar perto e segurar a mão dele.Eu não desgrudei um segundo, mas foi doloroso demais ver o homem que eu amava daquele jeito. Um homem tão forte, tão saudável… agora mal conseguia dizer uma palavra. Não andava. Não se mexia.
Era como se a vida tivesse apagado aos poucos e, agora, a gente tinha que reacender cada pedaço. O que veio depois foi um recomeço.
Foram dias e mais dias de recuperação intensa. Cada palavra que ele reaprendia a dizer, cada passo que ele dava com ajuda, cada movimento... era uma vitória. Foram dias intensos, desafiadores, mas, nosso amor e nossa fé sustentaram tudo. E, então, o milagre se completou: ele teve alta e saiu do hospital completamente bem e sem nenhuma sequela.

Hoje nossa família está de pé, viva, mais forte do que nunca e cheia de fé. Em dezembro do ano passado, em forma de gratidão, eu e minha família fomos até Aparecida do Norte. Eu subi a rampa da basílica de joelhos, com o coração cheio de gratidão pela vida do Daniel, pela vida dos meus dois filhos e pela chance de continuar escrevendo nossa história.


