Erick e Ana Paula construíram uma vida juntos, superando preconceitos e formando uma família. No entanto, o casamento de 15 anos é abalado por uma crise que empurra Erick para os braços de outra mulher. O que parecia ser apenas uma fraqueza momentânea se revela um caso de um ano com uma garota de programa, e a descoberta do segredo ameaça destruir tudo o que eles levaram anos para construir. Será que o amor deles é forte o suficiente para superar a mais profunda das traições? Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta terça-feira (26).
Eu tinha só 17 anos e já tinha me machucado em alguns relacionamentos que não tinham dado certo. Foi então que eu decidi me abrir para algo diferente... e esse "diferente" tinha nome: Ana Paula. Um amigo em comum que apresentou a gente, e, desde o primeiro instante, eu me apaixonei. Só que a nossa história demorou um pouco para acontecer.
Ela era mais velha, tinha 24 anos e já era mãe de 2 filhos. Isso fez com que a minha família fosse contra o nosso relacionamento, principalmente a minha mãe, que não aceitava de jeito nenhum. Mas, dentro de mim, eu não tinha mais dúvidas do que eu sentia pela Ana e fazia questão de mostrar para ela todos os dias.
— Não sei, Erick. Não sei se seria bom a gente ficar junto. Você é 8 anos mais novo do que eu.
— E daí? Eu já fiz 18 anos, já sou maior de idade e, principalmente, eu te amo!
— Ah, meu Deus! Tá... tá bom! Vamos tentar. Mas sem pressa. Vamos com calma...
— Não pensa no pior. Acredita em mim: a gente vai fazer dar certo.
— Vamos tentar. Meus filhos também já gostam muito de você e isso é importante pra mim.
O tempo foi passando… e, quando percebi, já tinham se passado cinco anos desde o começo do nosso namoro. Foi nesse período que a Ana Paula ficou grávida e foi só a partir daí que tudo começou a mudar. A minha família foi, finalmente, baixando a guarda e a minha mãe, principalmente, passou a enxergar que a Ana realmente me fazia bem. Até porque antes, eu estava cercado de pessoas que andavam por caminhos errados, gente que podia facilmente me arrastar para uma vida sem volta.
Mas foi ela quem abriu meus olhos. A Ana me mostrou quem era quem, me afastou do que não prestava e não deixou que eu me perdesse. E o tempo foi passando. Passando. Passando tão rápido, que quando eu me dei conta, já tinham se passado 14 anos desde o nosso primeiro encontro.
O início de um pesadelo
Foi minha tia que me ajudou a abrir os olhos. Um dia, ela falou para mim que não era certo eu ficar enrolando a Ana Paula por tantos anos e que, se fosse filha dela, ela ia dizer para terminar comigo. Aquilo ficou na minha cabeça e eu percebi que não dava mais para adiar... Depois de 14 anos, eu pedi a Ana Paula em casamento.
Depois do nascimento da minha filha, o nosso casamento foi, sem dúvida, o melhor dia da minha vida. Eu tinha criado os filhos da Ana desde pequenos, e ver os dois entrando com ela na igreja foi uma emoção indescritível. Até hoje, só de lembrar, os meus olhos se enchem de lágrimas.
A minha esposa entrou de braços dados com o filho mais velho, o Gustavo, e ela estava simplesmente linda de noiva. Essa foi a cena que mais ficou gravada na minha memória daquele dia. As nossas filhas também tiveram um lugar especial: uma como daminha e a outra como florista.
Naquele tempo eu estava desempregado e só fazia umas corridas como motorista de aplicativo. Um dia, depois de passar horas rodando, já tarde da noite, quando aceitei uma última corrida antes de voltar para casa. A passageira era uma mulher chamada Milena e, no caminho, a gente quase não conversou. Até porque eu nunca fui de puxar papo. Mas, quando nós chegamos no destino final, eu, que conhecia bem a região, avisei que aquele lugar era perigoso e que não era bom ela ficar por ali.
Foi então que ela disse, na maior naturalidade do mundo, que era garota de programa e que estava acostumada a frequentar por lá. Eu fiquei sem reação porque ela falou assim, bem tranquilamente, como se fosse super comum... Mesmo assim, eu perguntei mais de uma vez se ela ficaria mesmo bem, e ela disse que sim, desceu do carro e entrou em um hotel.
No caminho de casa, eu percebi que ela tinha esquecido uma chave no banco de trás. Eu entrei em contato pelo aplicativo e combinei de devolver, mas quando eu cheguei onde ela indicou, quem me atendeu foi uma amiga. Eu fiquei preocupado porque eu sabia que ela tinha ido para um lugar complicado, e pedi que essa amiga ligasse ou mandasse mensagem para a Milena, só para ter certeza de que estava tudo bem.
Mas ela não atendia às ligações e nem respondia às mensagens. Só depois de uns 15 minutos, ela me atendeu chorando e dizendo que tinha trabalhado, mas não tinham pagado. Aquilo me deu uma raiva tão grande que eu mesmo fui até o lugar onde ela estava para tirar satisfação com o cara. No fim, ela recebeu o dinheiro e eu a levei embora. Por causa dessa situação, a gente acabou ficando amigo, e foi aqui que começou o meu maior pesadelo disfarçado de prazer.
A culpa e o prazer
Meu casamento estava passando por um período turbulento. Eu trabalhava demais e, por causa disso, não dava tanta atenção para a minha esposa. Muitas vezes eu deixava de ir a festas ou participar de momentos importantes porque estava trabalhando e, com o tempo, isso foi afastando a gente.
Foi assim que começou. E aí... aí, num momento de fraqueza, eu... eu cedi.
A primeira vez com a Milena foi maravilhosa. Eu e minha esposa estávamos brigados, e ela me deu tudo aquilo que fazia tempo que eu não tinha. Carinho, atenção, afeto... A partir daí, toda sexta-feira virou o dia que eu mais esperava chegar. Eu ficava contando as horas para vê-la, como se fosse a única parte boa da semana. A gente se encontrava, ficava junto, eu me divertia e, por alguns segundos, eu era o cara mais feliz do mundo. Mas essa sensação morria na hora que eu chegava em casa.
Assim que eu colocava a chave na porta, a culpa batia. Eu olhava pra minha esposa e pensava: “ela não merece isso”. Às vezes, ela estava lá no sofá, cansada, me olhando como sempre olhou, e eu me sentia um lixo. O pior é que eu sabia exatamente o que estava fazendo. Não tinha desculpa. E, mesmo assim, eu não conseguia parar. Era como se, quanto mais a culpa aumentava, mais eu procurava a Milena. E quanto mais eu ia atrás dela, mais distante eu ficava da minha esposa.
— Erick, amanhã você tem mesmo que ir trabalhar?
— Não começa. Você sabe muito bem que eu preciso rodar para ganhar dinheiro.
— A gente mal se vê, mal conversa.
— E você pensa que eu gosto? Eu estou correndo atrás para dar uma vida melhor para esta família.
— Vida melhor para quê, se a gente nem fica junto? Você sempre tem uma desculpa! É trabalho, é conta pra pagar, mas e eu? Eu já cansei disso! Se essa família fosse mesmo importante como você diz, se eu fosse importante pra você, eu tenho certeza que você ia dar um jeito de estar mais presente. Mas eu já entendi que nada disso é prioridade.
Eu amava a Ana Paula e queria estar com ela, juro, mas era mais forte do que eu. Bastava a Milena me ligar, me mandar uma mensagem, que eu ia, e a promessa que eu tinha feito para mim mesmo de parar, ia por água abaixo. Eu lutava contra, de verdade, porque era muito ruim, porque era errado, porque eu amava a minha esposa, mas eu... eu não conseguia parar. Eu me sentia preso, como se alguém tivesse me amarrado e eu não conseguisse sair.
Às vezes, a Milena me dizia para largar tudo, minha esposa, meus filhos, e ficar com ela, e eu... eu confesso que, por alguns instantes, aquilo parecia tão bom! Eu me sentia leve com ela e, por isso, algumas vezes, cheguei a cogitar.
Mas no fundo eu sempre soube que não era o certo. Eu sempre soube que não era isso o que eu queria de verdade. A minha família não merecia isso, e eu não podia simplesmente abandonar tudo pelo prazer do momento. O problema é que mentira tem perna curta e a verdade... ah! A verdade sempre aparece.
A verdade vem à tona
Uma noite, quando eu estava em casa, a minha esposa pegou o meu celular. Na hora, o meu coração disparou. Por fora, eu tentei parecer tranquilo, mas por dentro, eu já estava me tremendo inteiro. Ela ficou mexendo, mexendo, e eu não queria mostrar que estava nervoso. Até que aconteceu.
— Quem é essa Milena?
— Milena? Não sei... Ah, sei. É uma menina que trabalha na construtora que eu trabalhava, mas a gente nem se fala. Por que...? Por que você está pegando o computador, Ana Paula?
— Eita! Calma! Está nervoso por quê? Deixa eu ver melhor isso aqui... Eu só quero saber mais sobre ela... Pera aí... Erick, o que é isso? Você... você está me traindo? Você está me traindo com uma... com uma garota de programa?
— Calma, amor. Eu posso explicar.
— Explicar? Olha isso... você ainda está pagando? Jura por Deus que você está pagando para me trair?
A resposta foi não. Eu não pagava, porque eu gostava da Milena e ela também gostava de mim.
Mas tudo isso perdeu totalmente o sentido quando eu vi a mulher que eu mais amava chorando e me perguntando sem parar por que eu tinha feito aquilo com ela e com o nosso casamento.
A gente teve uma conversa longa, difícil, que durou horas e que foi muito dolorosa.
Eu sabia que o que eu tinha feito não tinha justificativa e, ali, no meio mesmo da discussão, a Ana falou que não aceitava traição. Apesar disso, por alguns dias, nós ainda tentamos continuar juntos, mas ela me disse que não tinha mais forças pra continuar, e nós terminamos. Ela ficou muito mal, muito decepcionada e quase entrou em depressão por minha causa.
Eu decidi terminar tudo com a Milena também. Ela até tentou me convencer a ficar com ela, mas eu tinha percebido, de uma vez por todas, que eu amava a minha família, os meus filhos, a minha mulher e, se eu não desse um basta definitivo naquele caso, eu nunca mais ia conseguir resolver a minha vida.
Eu tenho plena consciência de que eu só consegui acabar com tudo com a Milena porque a minha esposa descobriu. Se não fosse por isso, não teria durado um ano, como durou... poderia ter sido bem mais. Então, o que me restou foi ser homem de verdade, assumir os meus erros e lutar pelo perdão.
Uma segunda chance
Nós ficamos três meses separados. Três meses em que eu corri atrás, pedi perdão e jurei que não faria mais nada desse tipo. A Ana acabou voltando para mim, mas bastava eu fazer qualquer coisinha errada, como, sei lá, esquecer de pagar uma conta, deixar a toalha em cima da cama, ou bagunçar a sala, para virar uma briga e ela jogar na minha cara, todas as vezes, o que eu tinha feito.
Eu amava a Ana Paula, mas não conseguia viver sendo humilhado para sempre.
Então, nós conversamos sério... Eu falei para a minha esposa que, se fosse para a gente ficar junto, precisava ser para valer. A gente tinha que colocar uma pedra nessa história toda e seguir em frente. Eu sabia que era difícil, mas se não fosse assim, não dava para continuar.
Ela entendeu e concordou que a gente tinha que deixar o passado no passado.
Mais uma vez, eu pedi perdão a ela e também para os nossos filhos, que tinham passado por toda essa situação junto com a gente. Foi bem doloroso, mas necessário. Eu tinha que reconquistar a confiança da minha família. E eu estava disposto a mudar por eles. No fim, foi isso que salvou a nossa família: um pedido sincero de perdão.
Depois disso, comecei a investir mais no nosso casamento e decidi mudar todas as minhas atitudes. A gente começou a sair mais, a ficar mais junto, eu passei a dedicar mais tempo para a minha família e, aos poucos, a Ana Paula foi me dando, de coração, uma segunda chance. Mas foi só depois de dois anos que a gente conseguiu voltar a ter uma vida normal juntos, mesmo.
Hoje eu entendo que perdoar vai muito além de aceitar um pedido de desculpas. Perdoar exige uma mudança. Nós dois aprendemos, da forma mais difícil, que a confiança quebrada pode ser reconstruída, mas leva tempo e exige muito trabalho, paciência e determinação. Eu sei que cada dificuldade, cada briga, cada momento de fraqueza, me ensinou algo sobre amor, responsabilidade e sobre a importância de lutar por tudo que construímos juntos durante 15 anos.
Hoje, nós estamos juntos, mais fortes, mais unidos e conscientes de como é precioso ter alguém ao seu lado que escolhe ficar, mesmo depois de tudo que aconteceu.
Eu te amo, Ana Paula, e nunca vou esquecer da sua força para me perdoar.
Eu vou fazer questão de, todos os dias, te mostrar que a sua atitude de continuar comigo valeu a pena.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.


