
Quem Ama Não Esquece
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Vinícius e Mariana tiveram um relacionamento bem conturbado durante quatro anos. Existia amor, mas também muito rompimento, brigas e promessas não cumpridas
Eles se separaram e o rapaz conheceu a Lilian, que se tornou sua noiva. Pouco antes da cerimônia, ele reencontrou a ex, Mariana, e ocorreu uma traição.
Mesmo arrependido, ele não teve coragem de contar para a noiva, e a culpa foi crescendo. No dia do casamento, durante a festa, Vinícius finalmente confessou a traição.
Lilian terminou o relacionamento, mas eles continuam casados legalmente. O rapaz veio ao Band FM pedir o perdão da amada publicamente para todo o Brasil, na esperança que ela lhe dê uma última chance. Confira!
"Foi um deslize"
Eu sempre fui o tipo de homem que acredita em conserto. Em tentar mais uma vez. E mais uma. E mais uma... Foi assim com a Mariana.
Nosso relacionamento era uma montanha-russa. Quando estava bom, era como se o mundo parasse e só existíssemos nós dois. Mas, quando desandava... O negócio ficava feio.
Eram tantas brigas, palavras duras, desconfiança... E, ainda assim, eu não conseguia sair dali, porque eu a amava. Amava muito. Amava demais, mesmo — e achava que o amor, sozinho, já era suficiente.
Foram quatro anos assim. Entre idas e vindas, promessas e recaídas. Ela dizia que ia mudar, e eu acreditava. Eu, que também tinha os meus defeitos, jurava para mim mesmo que também ia ser melhor — e nunca conseguia.
Nesse ciclo, a gente foi se desgastando até não sobrar quase nada. Quase. O que sobrava era a memória do que a gente tinha vivido no começo e dos raros momentos que ainda eram bons. Era nisso que eu me apegava.
Porém, uma hora, o limite chega. E ele finalmente chegou pra nós. No fundo, eu sabia que era melhor, porque, apesar de a gente se amar, tem amor que não é feito para ser vivido.
Depois do fim definitivo com a Mariana, eu me senti, ao mesmo tempo, sem rumo e leve. Era estranho, porque doía, mas, ao mesmo tempo, era como se eu conseguisse respirar pela primeira vez em anos.
Eu estava bem comigo mesmo. Não queria namorar, não queria encontrar ninguém. Só queria paz! Mas a vida tem lá suas surpresas…
Justo quando eu achei que ia ficar quietinho na minha, conheci a Lilian em um jantar na casa de um amigo. Ela chegou atrasada, meio atrapalhada, mas era tão simpática, tão bonita!
Não tinha como não reparar nela. A gente começou a conversar, e foi tudo tão natural que eu nem percebi o tempo passar. Sabe aquele tipo de mulher que não precisa fazer esforço pra chamar atenção?
Uma mulher que não faz nada para aparecer e, mesmo assim, aparece mais que todo mundo? Era ela. Naquele dia, nem aconteceu nada, mas a gente trocou telefone.
Liguei para ela logo no dia seguinte.
Lilian: Não sei se é uma boa ideia, Vinícius.
Vinícius: Por quê? Eu achei que a gente tinha se dado tão bem... Eu... eu me enganei?
Lilian: Não! A gente realmente se deu muito bem. Você é ótimo.
Vinícius: Então por que você não quer sair comigo?
Lilian: Porque você acabou de terminar um namoro longo, ainda está se recuperando... E, se eu sair com você, você vai se apaixonar por mim.
Vinícius: Ah, vou?
Lilian: Aham! Com toda certeza. Vai muito. Eu não sei se você quer isso pra você agora. Mas, se você estiver disposto, então tudo bem. Eu topo sair com você hoje.
E ela estava certa: eu me apaixonei mesmo. Com ela, era tudo tão simples, tão fácil! A gente se entendia no olhar, ria das mesmas besteiras, e, quando percebi, a gente já estava fazendo planos para o futuro.
Juro, eu nem sabia que podia existir um amor assim, tão tranquilo, que não doía, sabe? O tempo foi passando, e minha vida com a Lilian só melhorava.
Em poucos meses, eu tive a certeza de que era com ela que eu queria passar o resto dos meus dias. Certeza mesmo.
O pedido aconteceu numa tarde comum de domingo. A gente estava jogado no sofá, de pijama, quando eu simplesmente olhei pra ela, e as palavras saíram:
— Casa comigo.
Não foi nem uma pergunta. Foi uma afirmação. Ela olhou pra mim e respondeu, sem nem pensar:
— Só se for agora.
Ah... Não foi romântico, eu sei, mas foi um dos momentos mais felizes da minha vida.
A partir dali, tudo virou contagem regressiva. A gente se jogou nos preparativos, na escolha de cada detalhe: convidados, buffet, salão...
Eu, que nem gostava muito desse tipo de coisa, estava superanimado. É que eu estava apaixonado demais pra não me envolver. Eu queria fazer parte de tudo, opinar em tudo, escolher tudo. Só não ajudei com o vestido porque ela disse que dava azar se eu visse antes do dia.
Cada minuto que passava, eu tinha mais certeza de que estava fazendo a escolha certa. Eu estava leve, feliz e completamente entregue. Se alguém me perguntasse, naquela época, se eu ainda pensava na Mariana, a minha ex-problemática, eu diria, com todas as letras, que não.
Só que aí, faltando poucos dias para o casamento… tudo mudou.
Eu estava em um barzinho, só com uns amigos, quando olhei pro lado e vi... ela. A Mari. Três anos! Três anos inteiros sem ver ou ouvir nada dela — e, de repente, ela estava ali, na minha frente. Linda como sempre. Aliás, mais linda do que nunca.
Quando ela me viu, sorriu daquele jeito que ela sabia que amolecia a perna de qualquer um. Aquele sorriso que eu conhecia tão bem.
Confesso que meu coração deu uma leve acelerada, mas não era de saudade ou paixão — era só surpresa. A gente se cumprimentou de forma meio desconfortável, mas depois ela quebrou o gelo, e nós começamos a conversar.
Ela sentou na mesa em que eu estava, porque conhecia os meus amigos, e aí a conversa foi rolando. O tempo passou e eu nem percebi.
Meus amigos foram embora, e ficamos só eu e ela, bebendo, rindo do passado, das coisas que a gente tinha vivido, bebendo, lembrando das nossas loucuras, bebendo, falando das viagens e das brigas... e bebendo mais um pouco.
Era só isso: uma nostalgia!
Mas o problema da lembrança é que, às vezes, ela vem com cheiro, com gosto, com toque. E foi assim. Depois de muita conversa e muita bebida, a gente saiu dali — e eu fui parar na casa dela.
Eu não sei em que momento deixei de pensar na Lilian. Só sei que, por algumas horas, voltei a ser o cara de antes. Aquele idiota que confundia saudade com vontade, que confundia desejo com amor. Um fraco impulsivo.
Acordei no dia seguinte com o peso do mundo nas costas. Um desastre tinha acontecido. Em dez dias, eu ia me casar com a mulher da minha vida — e eu... eu tinha traído ela. Um erro horrível, nojento, e que, infelizmente, eu não tinha como apagar. Não dava. Não dava pra continuar vivendo como se nada tivesse acontecido. Mas também... também não dava pra perder a Lilian. E o que me corroía mesmo era nem saber por que eu tinha feito aquilo.
Os dias seguintes foram um verdadeiro inferno. Acordar, olhar pro teto, lembrar do que eu tinha feito. Parecia um pesadelo. Um pesadelo que eu mesmo tinha criado. A Lilian continuava animada, feliz com o casamento que se aproximava — e eu me sentia no fundo do poço, atolado em culpa.
Eu precisava fazer alguma coisa! Tinha que fazer alguma coisa! Ela não merecia... não merecia aquilo.
Lilian: O que foi, amor?
Vinícius: Lilian... Lilian, você sabe que eu te amo, né?
Lilian: Claro que sei, Vini. Você também sabe!
Vinícius: Sei, sei... mas então. É que... Bom...
Lilian: Fala, Vinícius, você tá me deixando nervosa.
Vinícius: É que... eu tô muito ansioso e feliz que a gente vai casar. É isso. Eu não vejo a hora.
Lilian: Ah, seu bobo! Que susto.


