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Homem espera mulher por 50 anos e é rejeitado: "Obsessivo, louco e doente"

Leia mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Por Redação
REDAÇÃO

28/02/2025 • 16:14 • Atualizado em 28/02/2025 • 16:14

Idoso espera o grande amor aos 68 anos

Idoso espera o grande amor aos 68 anos

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Jaime se apaixonou por Ester ainda na adolescência, mas o pai dela proibiu o namoro e a obrigou a casar com outro rapaz. Sofrendo, o apaixonado a esperou por mais de 50 anos, acreditando que eles ficariam juntos um dia.

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Quando o marido de Ester morreu, Jaime se declarou para a viúva, mas ela o rejeitou, dizendo que ele nunca seguiu em frente e que era "obsessivo, louco e doente".

Jaime percebeu que passou a sua vida na tentativa de reconquistar Ester e que tudo foi em vão. Hoje, na terceira idade, ele ainda acredita que possa viver um grande romance.

Leia a história do "Quem Ama Não Esquece":

Tem amor que não se explica, que não acaba com o tempo e nem com a distância. Mesmo quando o mundo diz que é hora de seguir em frente, ele fica ali, teimando.

É... Alguns amores são como sombra, que não somem, não importa o quanto a gente tente. E mesmo quando parece que a vida já passou, nós nunca conseguimos esquecer. Essa história começa há muitos anos. Há tantos anos que a maioria das pessoas já poderia ter esquecido.

Mas não eu. Eu nunca esqueci, não só porque eu nunca consegui, mas também porque eu nunca quis. Há mais de 50 anos, eu vivia em uma cidade pequena e levava uma vida simples. Aliás, eu era um cara que nunca teve grandes ambições.

Eu trabalhava na roça com o meu pai e nunca sonhei com riqueza ou com uma vida diferente. Eu era humilde, trabalhador e sabia que o futuro, assim como o presente, seria de muito trabalho. Eu só não esperava que um dia fosse aparecer na minha cidade - e na minha vida - a Ester.

Ela se mudou com a família, e assim que eu a vi pela primeira vez, eu senti que a minha vida inteira também tinha mudado. Como ela vinha da cidade grande, ela era diferente de todas as moças que eu conhecia e, mesmo eu sendo um 'zé-ninguém', ela se apaixonou por mim como eu me apaixonei por ela.

E essa paixão foi a coisa mais bonita que eu já vivi.

Ester: Claro que eu quero ficar com você para sempre, mas não é tão simples.

Jaime: Ester, por que não? Eu não sei mais viver sem você.

Ester: E eu? Eu também! Mas o que eu posso fazer?

Jaime: Casar comigo, ué. Ficar para sempre comigo!

Ester: Eu queria. Eu quero. Eu te amo mais que tudo. Mas... mas não é assim tão simples, Jaime.

E não era. Porque quando o mundo decide que um amor não deve acontecer, não basta amar. No nosso caso, o problema era a família da Ester.

O pai dela jamais permitiria que a filha se casasse com alguém como eu, que não tinha onde cair morto, e ainda que ela fosse morar na roça.

A Ester, na época, tinha 17 anos, e os tempos eram outros. Tempos em que não bastava só a mulher querer alguma coisa. Como a cidade era pequena, o pai dela logo soube do nosso namoro escondido e, como ela já previa, ele proibiu a gente de se encontrar.

Ela chorou, implorou, tentou argumentar, eu também me ofereci para conversar com ele e falar das minhas intenções, mas nada adiantou. Ele não admitia o nosso namoro e, com medo de que ela fugisse comigo, fez da filha uma refém, uma prisioneira dentro da própria casa.

Foi um sofrimento para nós dois, mas pelo menos a gente conseguia se comunicar através de cartas que uma amiga dela levava de mim para ela e trazia dela para mim. Ali a gente falava sobre tudo e fazíamos mil juras de amor.

Desistir não era uma opção para nenhum de nós e, mesmo proibidos de ficar juntos, o amor nunca morreu. Eu pedia para ela ter paciência e esperar porque eu ia dar um jeito de a gente ficar junto e ela prometia que ia esperar. Eram cartas lindas, enormes, cheias de promessas, que eu guardo até hoje!

Durante quase um ano, nós trocamos essas cartas todos os dias, mas o tempo... o tempo é um inimigo traiçoeiro e, de repente, eu comecei a perceber a Ester cada vez mais distante, mais breve nas palavras, mais seca, menos amorosa, até que as cartas foram deixando de chegar.

Nesses meses, a gente tinha conseguido se encontrar só três vezes, mas eu continuava esperando que as coisas fossem dar certo. Só que quando eu percebi que as cartas estavam diferentes, eu fiquei com medo, angustiado.

Eu não dormia, não comia, só conseguia pensar nela e no que estava acontecendo. Então eu arrisquei tudo e fui até a casa dela em plena luz do dia para encontrar cara a cara com a Ester. Meu Deus... como eu sentia falta dela.

Meu coração parecia que ia sair pela boca. Só que quando ela apareceu, eu vi que tinha alguma coisa diferente. O jeito como ela me olhava... eu soube.

Ester: Você não devia ter vindo, Jaime. Se meu pai souber...

Jaime: Eu preciso entender o que está acontecendo. Você não me escreve mais!

Ester: Eu... eu vou me casar.

Jaime: O que? Casar como? Com quem? E a gente? E tudo o que a gente prometeu?

Ester: Meu pai já arranjou tudo. É um bom homem, Jaime. Eu sou filha única... eu nunca tive muita escolha. Desculpa.

Naquele dia, eu senti uma dor que nunca soube que existia. Era um vazio diferente de qualquer outra coisa que eu já tivesse sentido. Não era só perder um amor.

Era perder a esperança e perder o futuro que eu tinha sonhado para a gente. Eu tinha perdido para o dinheiro. Para alguém que ela não amava, mas que poderia dar uma vida boa para ela.

A única coisa que eu pude fazer, naquele momento, foi dizer que eu nunca, NUNCA, ia desistir dela. Nunca. Nem que levasse a vida inteira, eu estaria ali, esperando, porque o nosso amor era real, forte e para sempre.

Depois desse discurso, eu achei que ela ia ficar emocionada, mas na verdade o que eu vi no olhar dela foi pena. Eu continuei escrevendo e tentando encontrar a Ester, mas ela me cortou completamente da vida dela e, meses depois, ela se casou.

Eu acompanhei tudo de perto. Eu assisti escondido à cerimônia, à festa, ela sorrindo, entrando na igreja de braços dados com o pai... o pai que tinha proibido nosso amor. Vi tudo!

E quando vi os dois juntos, ela e o marido, eu tive que admitir, mesmo sofrendo, que eles pareciam combinar. Como eu ia competir? Ele podia dar para ela tudo o que ela merecia e a Ester até parecia feliz naquela hora!

O tempo passou, mas dentro de mim, nada mudou. Enquanto ela vivia o casamento e tinha filhos, eu continuava amando sozinho. Eu nunca me casei. Nunca quis. Desde que eu vi que tinha mesmo perdido a Ester, eu decidi que nenhum outro amor ia valer a pena.

Ela foi a minha única certeza. 10, 20, 30, 40, 50 anos. 50 anos se passaram e eu juro pela minha alma que não teve um dia sequer sem que eu pensasse nela. Por algum tempo, eu até resolvi sair da cidade, mas eu não aguentei ficar longe da Ester, então eu voltei para casa e, mesmo à distância, eu assistia à vida dela acontecendo.

Uma vida que foi muito boa e confortável. A Ester tinha um casamento feliz, todo mundo na cidade sabia. Eles se gostavam e ele era um marido dedicado, mas não mais do que eu teria sido. Ela aprendeu a gostar dele, eu admito, mas o que a gente tinha sentido no passado era muito maior.

Eu sempre tive essa certeza. Depois desses 50 anos, aconteceu o que eu esperei esse tempo todo: o marido da Ester morreu. Finalmente eu senti que as coisas poderiam dar certo para mim. Uma vida inteira tinha passado e eu estava com 68 anos.

Ouça a história completa:

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