
Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"
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Rogério se casou com a Patrícia, mas, durante a lua de mel, seu pai ficou muito doente e descobriu um câncer em estágio avançado. O rapaz cuidou do pai até o último minuto e, depois do episódio, quis formar uma família.
Patrícia engravidou, mas perdeu o bebê. Na segunda tentativa, o médico sugeriu um aborto por acreditar que a criança não teria chances de sobreviver, mas, com muita fé, um milagre aconteceu e Guilherme nasceu saudável.
Contrariando todas as previsões médicas, hoje, ele tem 24 anos e quer ser cirurgião fetal. Depois, eles ainda tiveram a Giovana e, agora, o Rogério reconhece que a sua força vem da sua fé e do exemplo do pai e da sua família.
Eu sou a prova viva de Deus
Essa é uma história sobre fé — daquelas que desafiam a lógica e transformam dor em milagre. Conheci a Patrícia na igreja. Frequentávamos o mesmo grupo de jovens, que se reunia todas as quintas-feiras com o Padre Jair. Foi ali que tudo começou. Na mesma época, por coincidência ou destino, ela se mudou para perto da minha casa, o que acabou nos aproximando ainda mais.
Começamos a namorar aos 18 anos, noivamos e, depois de quatro anos, nos casamos. Estar com ela era maravilhoso, leve e bonito. Além de tudo, tínhamos a mesma fé, o que tornava nossa conexão ainda mais forte. Ela me dava força, coragem, me ajudava a enfrentar as turbulências da vida. Eu era completamente apaixonado por ela. E ainda sou.
Nossa lua de mel foi numa praia — uma viagem inesquecível. Mas, naquela época, eu estava muito preocupado.
— Ele não está bem, né? Seu pai está piorando...— Ele fica enfiado naquela loja de alfaiate, só pensa em trabalhar e não cuida da saúde. Eu não sei mais o que fazer.— Acho que você tem que levá-lo ao médico à força.— Você tem razão. Quando voltarmos, vou arrumar uma desculpa e levá-lo. Nem sei há quanto tempo ele não consulta um médico.— Fica calmo. Você vai conseguir ajudar de alguma forma. E não vai ser nada grave. Vamos ter fé.
Voltamos da lua de mel e logo coloquei o plano em prática. Falei para o meu pai que ia levá-lo a uma loja de tecidos, mas, quando ele entrou no carro, sem desconfiar de nada, disse que estávamos indo ao médico ver o que estava acontecendo. Ele não disse nada. Apenas ficou em silêncio. Acho que, no fundo, ele sabia... sabia que algo não estava certo.
Chegando ao hospital, os médicos fizeram uma bateria de exames, mas não encontraram nada. Eu não me convenci e fui a outro hospital. Repetimos todos os exames e, mesmo assim, nada. Nenhum diagnóstico. Enquanto isso, meu pai piorava. A barriga começou a inchar e ele sentia tanta dor que dizia parecer que ia explodir. Dia após dia, as crises ficavam mais fortes e frequentes.
Mas foi só quando precisei carregá-lo nos braços até o hospital que entendi a gravidade da situação. Quando o médico perguntou como estava a dor, ele respondeu chorando que nunca imaginou que o próprio filho o carregaria nos braços, como ele havia feito por mim quando eu era pequeno. Ouvir isso — ver meu pai, meu herói, tão fragilizado e sofrendo — me deixou arrasado, mas também grato por estar com ele naquele momento.
Depois de quatro meses de angústia, com os médicos tentando descobrir o que ele tinha, um cirurgião pediu para rever os exames da primeira consulta. Quando os entreguei, ele disse que marcaria uma cirurgia para o dia seguinte. Os exames não mostravam nada conclusivo, mas ele queria abrir o abdômen do meu pai para ver o que estava acontecendo.
No dia seguinte, chegamos cedo ao hospital, mas fomos surpreendidos com a notícia de que o doutor não poderia realizar a cirurgia. Fiquei desesperado. Tínhamos contratado tudo de forma particular e houve uma enorme discussão. Eu sentia que ele não podia esperar mais! Depois de muita insistência, conseguimos remarcar para o dia seguinte.
Quando a operação terminou, o médico me chamou. O rosto dele... já dizia tudo. Meu pai tinha câncer. Um câncer que havia se espalhado para todos os órgãos. E ele... ele não passaria daquele dia.
Meu Deus! Eu não queria acreditar! Eu sabia, desde o começo, que havia algo errado com meu pai, mas, mesmo com tantos exames e médicos, ninguém conseguiu descobrir o que estava destruindo ele por dentro. Nada mais podia ser feito. O doutor apenas me orientou a chamar os familiares para que todos pudessem se despedir.
Entrei na UTI, naquele quarto gelado, e vi meu pai cheio de aparelhos. Aproximei-me, segurei sua mão e falei... falei tudo o que estava guardado dentro de mim. Sabe aquelas últimas palavras que a gente sempre acha que vai ter tempo de dizer? Aquela era a minha última chance de colocar tudo para fora.
Então eu disse que o amava, que ele podia descansar, que agora ele estaria nas mãos de Deus. Nesse momento, ele abriu os olhos, e uma lágrima correu pelo seu rosto. Dei um beijo em sua testa e saí do quarto para buscar minha mãe, para que ela também se despedisse.
Mas, quando cheguei, minha mãe colocou a mão no peito, gritou que ele havia morrido e desmaiou. Levamos ela ao pronto-socorro e, logo depois, descobrimos que, naquele exato momento em que ela desmaiou, meu pai realmente havia falecido. Às cinco e quinze da tarde, meu pai descansou.
A dor foi insuportável. Durante anos, carreguei esse vazio no peito. Eu era o quarto filho, mas, desde pequeno, sempre fui o mais próximo, o que mais conviveu com ele, o que mais aprendeu com ele. Fui eu quem teve o privilégio de amar e cuidar até o último suspiro. E isso eu levo comigo para sempre.
Os anos passaram e, aos poucos, fui aprendendo a conviver com a ausência do meu pai. A dor não some, mas a gente aprende a viver com ela...
Quatro anos após sua partida, recebi uma notícia que encheu nossa casa de esperança novamente: Patrícia estava grávida! Foi uma alegria enorme. Um novo ciclo, uma nova vida. Mas, infelizmente, no segundo mês de gestação, minha esposa sofreu um aborto espontâneo.
Fizemos alguns exames e nenhum de nós tinha qualquer problema. O que aconteceu foi algo natural. Na época, o médico orientou que ela tomasse a vacina da rubéola, já que nunca havia sido imunizada. Ele deixou claro que, após a vacinação, ela não poderia engravidar pelos três meses seguintes, pois, se isso ocorresse, haveria risco para o feto.
Fizemos tudo certo. Esperamos os três meses. Quando tentamos novamente, ela engravidou! Fomos ao médico para iniciar o pré-natal e ele, como esperado, pediu uma série de exames. Tudo estava indo bem, até que o resultado do teste de rubéola mostrou-se ainda reagente — ou seja, ainda havia traços da vacina no organismo da Patrícia.
Por conta disso, o médico disse... disse que deveríamos interromper a gravidez o quanto antes, porque não havia chance de a gestação prosseguir com segurança.
— Foi exatamente isso o que ele disse, Rogério.— Não pode ser! Não pode ser verdade...— Ele falou que o bebê corre risco. Disse que pode nascer com má-formação, surdo, cego... até sem algum membro do corpo.


