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"Meu marido propôs relacionamento aberto e eu estou cogitando aceitar": leia relato de hoje

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Da redação
DA REDAÇÃO

28/04/2025 • 18:48 • Atualizado em 28/04/2025 • 18:48

Quem Ama Não Esquece

Quem Ama Não Esquece

Freepik

Desde jovem, Sara abdicou dos seus sonhos em nome da família com o Jeremias, mas aos poucos, foi perdendo a própria identidade.

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Após 20 anos juntos, seu marido fez uma proposta inesperada: abrir a relação. Sara foi tomada por um misto de raiva e de vergonha, mas percebeu que o problema nunca foi ele parar de amar, mas ela ter deixado o amor próprio.

Agora, ela considera aceitar a proposta, mas não por ele, e sim por si mesma. Para lembrar ao mundo que ainda está viva e que uma mulher pode se reinventar sempre! Leia mais uma história do "Quem Ama Não Esquece":

Ele me fez uma proposta

O Jeremias sempre foi um homem tranquilo. A gente se conheceu quando eu tinha 16 anos e namoramos por mais de dez, até a gente se casar.

Ele vivia fugindo quando o assunto era casamento: inventava uma desculpa aqui, outra ali, e eu ia levando, esperando o momento de realizar meu sonho de entrar de noiva numa igreja.

Acontece que, depois de todo esse tempo, eu engravidei, e aí, com as responsabilidades e os custos de ter um filho, o Jeremias me convenceu de que não valia a pena gastar dinheiro com festa de casamento. Pelo menos fomos morar juntos. E eu, que sempre quis construir minha família, me contentei.

Logo depois que o Lucas nasceu, eu engravidei de novo. Foi um susto, um choque, porque a gente não pensava em ter outro filho tão cedo. O Lucas tinha só quatro meses e eu ainda amamentava, mas quando é para ser, né? Se aconteceu, é porque estava nos planos de Deus, e só nos cabia aceitar.

Com dois filhos pequenos, eu e o Jeremias conversamos, e ele propôs que eu largasse o trabalho de vez e ficasse em casa cuidando dos meninos.

Na época, eu era atendente de telemarketing e não ganhava muito, além de ter que ficar muito tempo fora de casa. Então, aceitei cuidar da casa e dos nossos filhos, enquanto o Jeremias trabalhava para sustentar a nossa família, já que o salário dele era maior.

Eu nunca pensei que aquela situação seria para sempre. A minha vontade era, um dia, voltar a trabalhar, até porque eu era nova e não queria ficar só dentro de casa. Só que aí veio o terceiro filho, e eu me conformei que minha vida era mesmo de dona de casa para sempre.

Sem perceber, fui me desfazendo de mim aos poucos. Eu era aquela que cuidava de tudo e de todos, menos de mim mesma. Eu, que antes era tão vaidosa, parei de pintar as unhas, de arrumar o cabelo, passei a usar qualquer roupa, já que eu só precisava ir ao mercado, buscar as crianças na escola ou cuidar da casa. Eu fui anulando a Sara-Mulher.

A sensação era a de que eu era apenas uma coisa, alguém que tinha funções, mas não sentimentos ou vontades. O Jeremias não era um mau marido, mas ele também foi deixando o nosso casamento de lado.

Eu não queria reclamar... a gente construiu uma casa, criou três filhos, tudo isso com o suor do trabalho dele. Além disso, o Jeremias nunca me tratou mal, nunca me bateu, nunca foi de dar trabalho. Não... ele não era um homem ruim, ele só era... ausente. Mesmo presente, ele era ausente. Entende o que eu quero dizer?

Depois que os meninos nasceram, ele nunca mais me levou para um jantar a dois, para fazer um passeio romântico, nunca me fez uma surpresa, nada. Eu me sentia invisível como esposa.

— Por que você está me olhando assim?— Você não reparou em nada?— Mudou o quê na casa desta vez? Trocou o tapete? Pintou a parede? O que você inventou?— Não foi na casa, Jeremias. Olha bem, poxa. Eu cortei e pintei o cabelo.— Ah, é mesmo. Ficou muito bom, Sara. Muito bom. Está linda.

Eu tentei. Quando vi que nosso casamento estava naquele marasmo, tentei me reinventar. Tentei me arrumar mais, tentei fazer alguma coisa para que ele também fizesse. Mas foi inútil.

O Jeremias não me olhava. Ou, se olhava, não enxergava.

O que doía não era ele sair para trabalhar e eu ficar. Era ele sair e voltar do mesmo jeito: sem pergunta, sem abraço, sem beijo de verdade. Com o tempo, fomos virando colegas de apartamento que ainda dividiam uma cama.

E, nessas, fui me convencendo de que casamento era isso: que a idade chegava e não dava para esperar que tudo fosse como era quando nós éramos adolescentes.

O tempo ia passando, e eu continuava com a mesma vidinha. Eu era a Sara Faz Tudo: cozinhava, limpava, cuidava, costurava, ajudava as crianças nos trabalhos da escola e me virava praticamente sozinha para dar conta dos três, porque o Jeremias estava sempre muito cansado do serviço.

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