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Mulher cuida do marido preso após ele sofrer AVC, e é abandonada meses depois; leia história

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece", da Band FM

Da redação
DA REDAÇÃO

30/05/2025 • 16:14 • Atualizado em 30/05/2025 • 16:14

Taty parecia ter encontrado o amor da sua vida, mas ele escondia um passado sombrio que ela desconhecia. Logo vieram as mentiras, as traições e a prisão.

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Durante 17 anos, ela visitou André na cadeia e chegou até a cuidar do filho dele. Quando ele saiu, a relação já não era mais a mesma — e, pouco tempo depois, ele sofreu um AVC.

Mesmo sendo colocada de lado, Taty cuidou dele como pôde, assumindo, na prática, o papel de enfermeira.

Depois de tudo, André simplesmente foi embora e a deixou. Mas todo o tempo que ela passou cuidando dele acabou se transformando em uma profissão.

Na dor, Taty descobriu sua verdadeira vocação: a enfermagem. Hoje, aos 43 anos, ela é formada e trabalha na área, vivendo, finalmente, a chance de ser sua própria prioridade.

Essa é a minha nova versão

Logo no início do namoro com André, ele foi preso — e, mesmo assim, ela permaneceu. Após anos na cadeia, quando ele saiu, não a tratou com a importância que ela merecia. E quando Taty decidiu terminar, ele adoeceu. Mais uma vez, ela esteve ao lado dele, cuidando o tempo todo. Quando recebeu alta do hospital, ele decidiu ir embora da casa dela... de forma ingrata e fria.

Foi nesse período, ao passar meses acompanhando André no hospital, que Taty descobriu sua paixão pela área da saúde.

Eu era só uma adolescente quando conheci o André. Tinha 17 anos; ele, 35. E quando a gente é nova assim, acha que um homem mais velho é garantia de proteção, de futuro... Que ilusão! Mal sabia eu que aquilo seria só o começo de uma história que me traria muita dor.

O André já tinha um filho de seis anos e era novo no meu bairro. Tinha acabado de se mudar, mas vivia visitando a família que morava do outro lado da cidade. Ele ia e voltava com frequência, e eu nunca achei isso estranho. Afinal, era a família dele — que mal teria em visitá-los? Na teoria, nenhum. Na prática... o problema era muito maior do que eu poderia imaginar.

Com cinco meses de namoro, ele disse que ia fazer uma dessas visitas. Mas, no meio da madrugada, enquanto eu dormia, escutei alguém me chamando da rua. Era um amigo... um amigo que veio me dizer que o André tinha se envolvido em coisa errada e que havia sido pego pela polícia. Ele não sabia me dizer se o André tinha sido preso, ferido ou... morto. Só sabia que tinham ouvido tiros no meio da confusão. Jogou essa bomba no meu colo... e foi embora. Simplesmente foi embora.

Eu tinha só 17 anos. É claro que escondi tudo dos meus pais. Passei a noite inteira pensando no que fazer. Quando amanheceu, saí de casa para procurar meu namorado. Minha ideia era ir até a delegacia, mas, antes mesmo de chegar, meu celular tocou.

— Oi, Taty... sou eu.— André? Meu Deus, que alívio! Você tá bem? O que tá acontecendo? O que você fez?— Taty, eu fui preso. Eu não consigo te explicar tudo agora, mas preciso que você avise a minha família. Escuta, é importante. Avisa eles. E... liga pra um advogado.

Saí correndo pra fazer o que ele pediu, mas o que descobri na delegacia foi muito pior do que eu poderia imaginar. Eu ainda achava que era algum engano, que estavam confundindo o André com outra pessoa, ou que ele só tinha estado no lugar errado, na hora errada.

Mas lá... lá eu descobri a verdade. E a verdade era que meu namorado já tinha passagem pela polícia. Por tráfico... e por homicídio. O André já tinha matado uma pessoa. Já tinha tirado a vida de alguém e havia cumprido oito anos de prisão por isso. E agora, estava sendo preso de novo, dessa vez por roubo à mão armada.

— Escuta, Taty! Eu preciso que você me ouça...— Como você pôde fazer isso? Por que não me contou? Você ia esperar até quando pra me dizer? Meu Deus, André, meu Deus!— Taty, eu já paguei tudo que devia pra Justiça. Isso é passado. É tudo passado. Mas agora... agora eu errei de novo. Eu pisei na bola. Eu sei. E vou pagar de novo, pelo que fiz. Mas, por favor... não me abandona. Você vai ficar comigo, né?— Eu... eu vou...— Que alívio ouvir isso. Eu tava com tanto medo de te perder.

Eu era muito nova. E esse foi meu maior erro: não ter ido embora naquela hora. Eu devia ter ido. Mas fiquei. Fiquei porque era jovem demais pra entender. Iludida demais pra sair.

Ele mentiu o tempo todo. Cada vez que dizia que ia visitar a família... era mentira. Enquanto eu dormia tranquila, ele estava nas ruas, fazendo coisa errada.

Quando veio a condenação, tudo ficou ainda mais difícil. Por ser menor de idade, eu nem podia entrar na cadeia pra visitá-lo. Só poderia se tivesse um filho dele ou com autorização dos meus pais. E, claro, eles não sabiam de nada — e eu não tinha a menor intenção de contar.

Guardei esse segredo por anos. Quando alguém perguntava onde estava o André, eu dizia que ele estava com a família ou trabalhando. E, como ele tinha um filho pequeno, ninguém desconfiava de nada.

Até eu completar 18 anos, nossa comunicação era só por um celular que ele escondia na prisão. Quando atingi a maioridade, pude, enfim, começar a visitá-lo toda semana. E eu fui. Toda semana.

Foram seis anos assim, indo sempre, acreditando — de todo meu coração — que a prisão faria dele um homem melhor. Me agarrava nisso com todas as minhas forças. Ele também tinha direito às saidinhas, e todas foram tranquilas, até que... em uma delas, acho que ele se cansou de tudo, se revoltou e decidiu fugir.

Claro que não deu certo. Logo o pegaram e ele voltou pra cadeia. No fim, ficou preso por 17 anos.

Dezessete. Anos.

Uma vida inteira. A minha vida.

Eu pausei tudo. Parei tudo por ele. Visitava sempre. E, quando não conseguia por causa do trabalho, fazia questão de garantir que alguém fosse — geralmente a mãe dele, que, aliás, só aceitava ir se eu desse dinheiro pras despesas. E eu dava. Eu fazia de tudo, tudo, pra ele não se sentir sozinho. Pra que ele acreditasse que ainda podia sair dali e recomeçar.

Aquele lugar era horrível. Eu amava vê-lo, mas odiava estar ali. A prisão tem um peso que não dá pra explicar. Você entra com a cabeça no lugar, mas parece que a energia daquele ambiente suga tudo de você. Você sai mal. Cansada. Aquilo me arrepiava, me embrulhava o estômago.

Não era meu mundo. Nunca foi.

Mas eu ia. Porque eu amava ele de verdade.

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