Isabela conheceu Felipe sem grandes expectativas, mas acabou se apaixonando. Mesmo relutante, cedeu ao relacionamento e engravidou. A partir daí, enfrentou uma gestação solitária, a maternidade sem apoio e o desgaste de um casamento onde se sentia cada vez mais invisível. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quarta-feira (6).
Abrir mão de tudo e viver novas histórias? Ou continuar presa em um lugar onde eu mesma me coloquei por medo, por pressão e por carência?

Isabela e Felipe (Foto: Imagem representativa gerada por IA)
A forma como eu conheci o Felipe não teve nenhum “glamour”, nem aquele clichê bonitinho.
Na verdade, no dia em que a gente se viu pela primeira vez, eu tinha ido ao médico por causa de uma crise de gastrite. Mas como era nova na empresa, mesmo doente, eu fui trabalhar. Eu cheguei correndo, afobada, MUITO atrasada e fui direto para a minha mesa, mas chegando lá, tinha um cara sentado na minha cadeira.
— Nossa! Chegou atrasada, hein?
— É que... Calma aí. Por que você tá sentado aí?
— Ah, é você que senta aqui? Desculpa. Eu tava só arrumando os balões da decoração de fim de ano aqui dessa sala.
A gente ficou ali conversando, brincando com a situação. Nada demais.No dia seguinte, eu fui trabalhar e quando eu cheguei, vi ele sentado no mesmo corredor onde eu trabalhava. A gente se olhou, mas mal conversou. Quando eu saí do trabalho, eu recebi uma notificação de que alguém tinha me seguido no Instagram. Eu não dei muita atenção porque o nome era estranho, a foto antiga, e eu nem reconheci quem era. Só no dia seguinte, dentro do ônibus, é que eu entendi tudo.
Eu encontrei o Felipe de novo, e ele perguntou por que eu não tinha aceitado a solicitação para me seguir. Eu expliquei que não tinha reconhecido, e na mesma hora aceitei e segui ele de volta.
Foi ali que a conversa começou de verdade. E a partir daquele momento, não parou mais.
O encontro improvável que virou namoro sem querer
— Isabela, posso te fazer um convite?
— Olha... antes de qualquer coisa, eu preciso ser sincera com você. Eu tô ficando com um cara. É meio sério e por isso eu... eu não tô procurando ninguém agora.
— Tudo bem... mas e se a gente só fosse ao cinema essa semana? Só um cinema.
— Ah, tudo bem. Eu topo. Mas já deixando claro, tá? Não vai rolar nada. Tá tudo bem mesmo?
— Com certeza. Só um cinema. Fica tranquila.
Eu quis ser bem transparente com ele desde o início até porque, naquele momento, eu não tinha mesmo intenção nenhuma de começar um relacionamento.
Mas a gente foi ao shopping, jantou junto, depois foi ao cinema e lá… bom... a gente acabou ficando. Foi no impulso, meio sem planejamento, só aconteceu. Na minha cabeça, seria só aquilo. Uma vez, um momento, e pronto. Vida que segue.
Mas, pra ele foi diferente.
A gente acabou ficando outras vezes e depois de algumas semanas, o Felipe veio com uma conversa de namoro.
Naquela época, eu já tinha uma viagem marcada com a minha família. E ele começou a insistir muito, MUITO, pra ir junto. Mas eu fui firme e disse que não porque não fazia nem um mês que a gente tava ficando. Não fazia sentido. Mas o Felipe… ele não desistiu.
Conforme os meses foram passando, ele foi ficando. Foi ficando, ficando, ficando, e, sem que eu percebesse, a gente foi criando um vínculo.
Até que depois de uns seis meses ficando, ele me colocou contra a parede…
— Você quer um relacionamento sério ou não?
— Ah, Felipe...
— Chega de enrolação, Isa... vamos falar sério.
— Tá bom, então.
— Tá bom o quê?
— Tá bom a gente, ué. A gente fica junto.
— É SÉRIO, ISA? Ah, meu Deus!!! Eu nem acredito! Eu te amo tanto, mas tanto!!!!
Não, eu não queria nada sério. Mas eu gostava dele. Então, a gente oficializou ali que nós ficaríamos juntos para valer. Mesmo sem estar pronta.
Uma gravidez inesperada e uma solidão cada vez maior
A gente começou a sair bastante, a companhia dele era boa.
Só que, depois de quatro meses juntos, eu descobri que estava grávida. Definitivamente não era algo que eu esperava.
Demorei duas semanas pra contar. Quando finalmente falei, foi seco, sem nenhum preparo: "Tô grávida".
Eu tava apavorada com a reação dele, mas, pra minha surpresa, o Felipe ficou muito feliz. Disse que tava comigo, que queria muito ser pai. Eu senti um alívio.
Mas a verdade é que falar é fácil. Difícil é fazer.
Durante a gravidez, ele só foi a uma consulta. Reclamava da distância, não fazia questão nenhuma.
Eu me sentia sozinha, passava muito mal, e o Felipe não estava por perto pra me ajudar.
Quando ele vinha, também não me procurava como mulher. E isso me machucava.
Durante a gravidez, eu cheguei a emagrecer 10 quilos de tanto que passava mal.
No nono mês, tive uma dor de cabeça insuportável, perdi líquido e fui pro hospital. O Felipe tinha uma apresentação na faculdade e eu fiquei sozinha.
Entrei em trabalho de parto às quatro da tarde. Fiquei oito horas em trabalho de parto… sozinha. Minha filha nasceu às onze e meia da noite. O Felipe chegou cinco minutos antes.
O nascimento da filha e um amor que não amadureceu
Por incrível que pareça, ele foi um ótimo pai no começo. Acordava de madrugada, trocava fralda, fazia mamadeira.
Por algumas semanas, eu acreditei que ele tinha mudado.
Mas tudo desmoronou quando eu voltei a trabalhar.
Quando minha filha fez 2 meses, eu mudei de emprego.
Foi aí que o Felipe simplesmente parou de ajudar.
Começou a se afastar. Primeiro, a cada 10 dias. Depois, uma vez por mês.
Eu trabalhava e cuidava da nossa filha sozinha.
Falei sobre morarmos juntos. Mas ele não gostava da região onde eu morava. E eu também não queria ir pro bairro dele.
Ali, perto da minha casa, eu tinha minha mãe, minhas irmãs… uma rede de apoio.
Só no começo deste ano que a gente decidiu morar junto. Eu fui atrás da casa, recebi doações de móveis, montei tudo sozinha. No dia em que fomos buscar o fogão, pedi para o Felipe ir comigo. Ele disse que estava com dor nas costas.
Eu tive que subir a rua carregando o fogão no braço. Sozinha.
"Sou rejeitada dentro da minha própria casa"
Hoje, eu sou uma mulher casada. Ou pelo menos, acho que sou. Ele não me procura mais como esposa, mulher ou amiga. Nem aliança eu tenho.
Aquela pessoa com quem eu estava antes reapareceu. Me perguntou como eu estava. Disse que não precisava ser tão difícil. E aquilo mexeu comigo.
Eu estou entre dois mundos. Entre tentar salvar um relacionamento que me deixa vazia… Ou abrir mão e ir embora.
Eu não sei o que fazer.
Mas eu sei o que eu não aguento mais: ser rejeitada dentro da minha própria casa, pelo meu próprio marido.
Talvez eu não esteja presa. Talvez eu só esteja com medo.
Mas, no fundo, eu sei: não existe prisão maior do que se calar pra manter o pouco que resta.
E eu não quero mais o pouco. Eu quero tudo.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.


