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Sobrevivente de AVC morre dias antes de desfilar no Carnaval e é enterrada com fantasia

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Da redação
DA REDAÇÃO

10/04/2025 • 11:45 • Atualizado em 10/04/2025 • 11:45

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Acervo Pessoal

Jeferson recorreu ao "Quem Ama Não Esquece" para contar a história da mulher mais forte que já conheceu, a sogra dele. Dona Maria da Paixão perdeu o pai antes de nascer e foi abandonada pelo marido enquanto estava grávida.

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Maria criou os filhos sozinha, mas Bruno, filho ressentido pela ausência do pai, tinha questões com a mãe. Após um AVC e diagnóstico de lúpus, ela foi morar com o Jeferson, a esposa Amanda e a neta Emanuelle, tornando-se o elo da família.

Em 2025, ela iria realizar o sonho de estrear na Velha Guarda da Acadêmicos do Tucuruvi, mas, dias antes, ela passou mal, foi internada e morreu. Confira mais uma história da Band FM:

Uma carta para Dona Maria

A vida é breve e imprevisível. Algumas oportunidades não voltam, o tempo não espera e algumas despedidas não permitem retorno.

A história da mulher mais forte que eu já conheci começou no dia 4 de agosto de 1970, no interior do Piauí. Neste dia, nasceu Maria da Paixão, uma mulher que, desde muito cedo, já demonstrava que seria uma guerreira.

O pai dela morreu antes mesmo de ela vir ao mundo e foi o seu avô que escolheu esse nome para ela. Aos 18 anos, Maria decidiu tentar a sorte em São Paulo e, quando chegou, se envolveu com um homem.

Eles tiveram dois filhos: o Bruno e a Amanda, mas, antes mesmo do nascimento da segunda filha, Maria foi abandonada pelo marido.

Os anos foram passando e Maria se dedicava exclusivamente aos filhos e ao trabalho. Assim, decidiu que nunca mais se envolveria com ninguém.

O problema é que, por mais que ela lutasse, a vida era muito difícil e, para piorar, ela e o filho mais velho, o Bruno, se desentendiam com muita frequência.

A verdade é que ele a culpava demais por ter crescido sem um pai presente e foi ficando cada vez mais rebelde. Como ela tinha que ficar fora muito tempo para trabalhar, todos os momentos que eles tinham juntos eram cheios de brigas.

Em uma dessas discussões, o Bruno decidiu morar com a madrinha e isso deixou a Maria muito chateada. Apesar de toda a tristeza, ela não guardou nenhum tipo de mágoa porque ele era o filho dela e ela o amava mais que tudo.

Eu entrei na vida da Maria anos depois, quando comecei a namorar a filha dela, a Amanda. A gente se conheceu na faculdade em que nós éramos professores e, em torno de um ano depois, descobrimos que teríamos um filho.

Nessa fase, a Amanda veio morar comigo e o Bruno voltou a morar com a minha sogra porque ele estava enfrentando uma fase difícil na vida, mas não deu certo.

Infelizmente, aquela trégua durou pouco e eles logo voltaram a brigar com frequência. Ele continuava insistindo nas mesmas bobagens de quando era menino e culpava a Maria pela falta de um pai — que abandonou a família.

Algum tempo depois, a Maria sofreu um AVC e acabou ficando com uma sequela na mão. Ainda no hospital, eu e a minha mulher decidimos que ela iria morar com a gente.

A adaptação foi bem complicada no começo, mas, depois, a gente se tornou o quarteto fantástico. Eu, a Amanda, nossa filha Emanuele, e minha sogra, Maria.

Depois do AVC, a Maria também começou a apresentar alguns sintomas como fraqueza, cansaço, dor no corpo, dificuldade para respirar e ainda passou a ter algumas convulsões.

Foi aí que nós descobrimos que ela tinha Lúpus. Como se não fosse o bastante, em seguida, chegou a pandemia. A nossa preocupação com a saúde da Maria era enorme porque ela era do grupo de risco.

Fizemos o possível e o impossível para blindar a minha sogra. Durante dois anos, nós ficamos completamente isolados de tudo! Graças a Deus, a gente passou ileso pela COVID.

As coisas foram se normalizando. Ano passado, a Maria foi convidada para fazer parte da Velha Guarda da Escola de Samba que desfilava e tanto amava, a Acadêmicos do Tucuruvi.

Para ela, foi a realização de um sonho. Ela amava o carnaval, desfilava há mais de 20 anos e aquele convite encheu a minha sogra de alegria e emoção.

Ela não via a hora de chegar o desfile de 2025 para usar aquela roupa tão elegante da Velha Guarda. Já estava tudo pronto, tudo organizado, mas, três dias antes do desfile, Maria começou a sentir algumas dores muito fortes de cabeça.

No dia seguinte, ela acordou pior e sem apetite.

Maria: Jé, quem sabe a gente não vai ser campeão esse ano? A gente merece...

Jeferson: Sogrinha, eu e a Amanda achamos melhor a senhora não desfilar.

Maria: Mas é meu ano estreando na Velha Guarda. Minha roupa já está pronta e...

Jeferson: Mas, sogra, você não está bem!

Maria: Eu vou ficar boa! Até sábado eu vou ficar boa. Você vai ver.

Ouça a história completa:

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