
Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"
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Lowell conheceu a Cecília na academia e logo sentiu que era um encontro de almas. Na época, ela estava noiva, mas terminou o noivado e eles nunca mais se separaram.
Construíram uma linda família com duas filhas, Luiza e Helena, até que a Cissa começou a emagrecer sem explicação. Eles descobriram tardiamente um câncer avançado no estômago.
Foram dois anos e três meses de luta intensa, cirurgias, tratamentos e amor. Quando não havia mais o que fazer, Cissa pediu para partir em casa e se despediu de todos com força surpreendente.
Gravou um vídeo emocionado para o marido e as filhas, agradecendo por tê-los como milagre em sua vida. Após sua partida, Lowell se dedicou totalmente às filhas, levando com ele a força e o amor que Cissa deixou.
A vida, o amor e a despedida
Aceitar a vontade de Deus não é concordar com o sofrimento; é confiar que, mesmo na dor, Ele continua escrevendo...
Eu sempre disse que meu encontro com a Cissa foi um encontro de almas, mas a gente se conheceu de um jeito tão comum que chega a parecer inventado. Eu trabalhava em uma empresa — onde trabalho até hoje — e, ali pertinho, havia uma academia.
Comecei a treinar nessa academia quando... quando vi aquela mulher linda descendo as escadas. Naquela hora, parecia que o mundo tinha parado e só existíamos eu e ela. E eu, bem atrevido e cara de pau que sou, decidi ir falar com ela.
— Oi, Lowell, meu nome é Cecília, mas pode me chamar de Ceci.— Lindo o seu nome, mas posso te chamar de Cissa?— Cissa? Hum... Tá aí... Gostei, gostei!— Eu nunca te vi por aqui. Começou agora?— Na verdade, eu já vim algumas vezes...
Apesar de estar empolgado com aquele encontro, não pude deixar de reparar que ela usava uma aliança na mão direita e, por isso, desanimei e desisti de qualquer intenção. Noiva, não, né?
Só que, depois daquele primeiro encontro, a gente passou a se ver sempre na academia. Além disso, descobri, por essas ironias do destino, que ela também trabalhava na mesma empresa que eu. Era uma empresa grande, e nós éramos de setores diferentes, por isso nunca tínhamos nos visto.
Um dia, convidei a Cissa para almoçar, mas sem nenhuma segunda intenção. Era só para a gente se conhecer melhor. Tudo bem, eu admito que, depois daquele almoço, fiquei ainda mais interessado, mas não criei nenhuma expectativa.
Logo depois, houve uma viagem da empresa para um parque, e eu e a Cissa fomos sentados juntos. A gente conversou a viagem inteira, e foi muito gostoso.
Quando chegamos, acabou rolando o nosso primeiro beijo e, naquele momento, ela tirou a aliança que usava e falou que estava tudo errado na vida dela.
Assim que voltamos, ela procurou o noivo — com quem estava havia seis anos — e terminou tudo. Desde então, a gente nunca mais se desgrudou. Foi um amor alucinante.
Com quatro meses juntos, ela veio morar comigo. Depois de cinco anos, veio nossa primeira filha, a Luiza, e, depois, a Helena. Eu me sentia um homem feliz e realizado com a família que estávamos construindo.
Tudo estava muito bem. A rotina seguia, os anos passavam, a vida acontecia... Até que algo inesperado aconteceu.
A Cissa sempre foi magrinha e adorava se arrumar para trabalhar. Mas, mesmo sendo magra, percebeu que suas roupas estavam ficando cada vez mais folgadas.
Ela estava emagrecendo sem fazer nada para isso e, por isso, resolveu fazer um check-up médico.
Foram vários exames, mas nada de descobrir o que ela tinha — até que saiu um diagnóstico de H. pylori, uma bactéria que pode se alojar no estômago.
A gente tratou, seguiu todos os cuidados recomendados e, quando repetimos o exame, a bactéria havia desaparecido. Só que a Cissa continuava emagrecendo e, além disso, sentia muita dor abdominal.
Voltamos ao médico que estava cuidando dela, mas parecia que ele nunca pedia os exames certos. Ele só sugeria procedimentos simples, sem se aprofundar muito, como se não levasse a sério o que ela sentia.
Resolvemos, então, buscar uma segunda opinião. Esse novo médico pediu outros exames, totalmente diferentes e mais específicos.
E foi aí que tudo parou. Foi aí que a vida mudou de cor. Descobrimos que a Cissa estava com câncer. Câncer no estômago — e já em estágio bem avançado.
Eu travei. Não sabia o que pensar. Era a minha esposa! A mulher da minha vida... Doente.
A gente ouve histórias assim o tempo todo, mas nunca acredita que vai ser com a gente. Até que é. E, quando é, não há preparo, nem força, nem oração que segure o coração. A gente simplesmente desaba.
Não que fosse mudar alguma coisa, mas resolvemos voltar ao primeiro médico e... bom, a gente não se conteve.
— Eu fiz questão de voltar aqui, doutor. Voltar para lhe mostrar isto.— Está vendo isso aqui? Olhe... Aqui diz que a Cissa está com câncer. Câncer no estômago, e já bem avançado.— Se o senhor tivesse pedido este exame, doutor... ESTE AQUI... talvez... talvez tudo pudesse ser diferente.— Tudo... tudo poderia.— Eu podia ter começado o tratamento antes. A gente poderia ter conseguido... Poderia não ter avançado. Era só ter pedido esses exames.
O médico pediu desculpas. O que mais ele poderia fazer? Mas o pior já tinha acontecido, e a gente não tinha mais tempo a perder. Era hora de lutar pela vida da Cissa.
Nossas filhas tinham 3 e 8 anos. Era época de Carnaval, e o médico recomendou que, a princípio, não contássemos para ninguém. Mas ele foi claro: era grave, não era um tumor pequeno, e a cirurgia deveria ser feita o quanto antes.
Naquele feriado de Carnaval, lembro como se fosse hoje da gente dançando e chorando abraçados no meio do bloco. Ninguém entendia o que estava acontecendo, e foi tão triste!
Quando o feriado acabou, marcamos uma reunião com o médico e toda a família para ele explicar o que estava acontecendo. Foi um momento muito forte para todo mundo. As crianças, ainda muito novas, não entendiam muito bem e só pensavam que a mamãe estava dodói.
Minha mulher passou por uma cirurgia para retirar todo o estômago — e foi um sucesso. Mas ainda havia muito pela frente. Depois da operação, ela teria que se submeter a inúmeras sessões de quimioterapia e, depois, imunoterapia.
Eu estive ao lado dela o tempo todo. Em todos os momentos, em todas as internações, eu estava presente. O tratamento era bem pesado. A Cissa não conseguia se alimentar por causa do problema no estômago e vomitava bastante.
Então, teve que passar por outra cirurgia — desta vez, do intestino ao reto — e passou a viver com uma sonda para conseguir se alimentar.
Foram dois anos e três meses de luta. De esperanças, de recaídas, de noites longas no hospital. E eu ali, ao lado dela, em todas. Cada segundo.
Vieram outras tantas cirurgias, outras tantas sessões de quimio e radioterapia, mas a doença seguiu avançando e atingiu outros órgãos. Os tratamentos não estavam mais funcionando.
E, um dia... bom, o médico conversou comigo e disse que não havia mais nada a fazer. E aí ele fez a pergunta que ninguém está preparado para ouvir:
— O que você quer fazer?
— Oi, meu amor. O que ele disse?— Então... ele disse que... bom...— Eu sei! Não tem mais jeito, né?— Não, Cissa. Não há mais nada que eles possam fazer.— Ei, olha pra mim. Está tudo bem, meu amor. Está tudo bem, ouviu?


