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Viúva descobre que marido tinha outra família e decide ajudar "filho bastardo"

Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece"

Da redação
DA REDAÇÃO

30/04/2025 • 14:24 • Atualizado em 30/04/2025 • 14:24

Confira a história do Quem Ama Não Esquece

Confira a história do Quem Ama Não Esquece

Unsplash

Renata viveu um grande amor com Eduardo desde a adolescência. Se casaram ainda jovens, criaram dois filhos e construíram uma vida simples, mas feliz, com muitos sonhos em comum.

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Eduardo trabalhava como vendedor de carros e, apesar das viagens, era um pai e marido presente e amoroso. Durante uma dessas viagens, ele sofreu um acidente e morreu.

No luto, Renata descobriu pelo celular dele que ele mantinha outra família, com um filho pequeno. Após um encontro difícil com Michele, a outra mulher, Renata decidiu ajudá-la financeiramente.

Ofereceu o dinheiro guardado da casa nova para garantir o sustento do menino. Com o tempo, as duas mães se aproximaram pelo bem dos irmãos. Hoje, Renata se reconstrói com coragem, focada nos filhos.

A dor do luto sumiu depois da dor da traição

Eu vivi um grande, grande amor. Daqueles que fazem a gente acreditar que o mundo é bom e que a felicidade é eterna... Eu e o Edu nos conhecemos quando eu tinha só 16 anos, e ele, 18. Eu era uma menina, muito ingênua, muito novinha, mas me apaixonei por ele perdidamente.

Quando nos casamos, fomos morar nos fundos da casa da minha sogra. Não tínhamos nada naquela época, mas eu nunca liguei para isso. A única coisa que realmente me importava era ter o Edu ao meu lado.

Os anos passaram, tivemos dois filhos e meu marido começou a trabalhar como vendedor de carros. Era uma rotina puxada, porque ele viajava bastante para buscar automóveis em outras cidades do interior, mas o dinheiro compensava.

— Renata, achei uma joia dessa vez. Esse carro vai me dar um lucro bom.— Que coisa boa, meu amor. E você vai ter que viajar?— Vou! Esse tá longe, 500 km. Mas eu vou na segunda-feira e volto na quarta, se Deus quiser.— Eu fico tão preocupada com você o tempo todo por essas estradas...— Eu também não gosto, mas vou trabalhar bastante agora que tenho saúde, pra depois poder tirar o pé do acelerador... literalmente.

Nosso relacionamento era maravilhoso. Não digo perfeito, porque nada é. Claro que, como todo casal, tínhamos nossos altos e baixos, mas não havia nada que não conseguíssemos resolver com uma boa conversa. Nossa vida era muito tranquila. Eu sempre gostei das coisas simples: de tomar um café da manhã farto com a minha família, de dormir abraçada com o Edu, de brincar com os meus filhos no chão da sala...

O Edu viajava bastante, mas era tão carinhoso, tão atencioso, tão presente, que eu não tinha do que reclamar. Quando ele estava em casa, ele realmente estava em casa.

Nada de televisão, nada de celular. Ele era todo família! Fazia questão de estar com as crianças, de ajudar no dever de casa, de passear e até de cozinhar para a gente. Ele era um marido excelente — e um pai melhor ainda.

Quando o mais novo adoeceu e precisou passar uma noite no hospital, ele dormiu sentado numa cadeira dura, segurando a mão do menino a noite inteira, sem se levantar nem para ir ao banheiro.

Ah! Eu sempre tive plena consciência de que tinha tirado a sorte grande. E, quando ele estava fora, ele ligava e mandava mensagem o tempo todo para dizer que estava com saudade, que não via a hora de voltar e que me amava.

Eu e o Edu nunca fomos ambiciosos, mas tínhamos sonhos — e o maior deles era construir uma casa maior. Quando começou a entrar mais dinheiro com a venda de carros, passamos a guardar cada centavo que sobrava.

— Eu já fiz até o desenho da casa.— E você é engenheiro? Arquiteto? Desde quando, homem?— Ah, eu fiz mais ou menos. Mas não importa. Olha aqui: deste lado vai ter um quintal pra eu jogar bola com os meninos. Aqui no fundo, pensei em pôr uma churrasqueira. O que você acha? Assim, pra gente receber os amigos...— Então coloca aí... Eu quero uma cozinha aberta, daquelas em que a gente tá cozinhando e conversando com quem tá na sala.— Opa! Se minha rainha quer, minha rainha vai ter. Tudo pra você, meu amor. Tudo pra nossa família.

Sonhar não custa nada — e a gente sabia sonhar como ninguém. Eu não sabia se a casa ia ser exatamente como a gente imaginava, mas sabia que um dia ela sairia do papel, porque, quando o Edu prometia uma coisa, ele cumpria. Pena que... pena que ele não teve tempo para cumprir essa promessa.

Um dia, ele avisou que faria mais uma de suas viagens.

— Vai ser coisa rápida, Renata. Eu vou agora cedinho e volto amanhã na hora do almoço. Só não volto hoje mesmo porque não dormi nada esta noite e tô com medo de pegar estrada muito cansado para voltar.— Não, pelo amor de Deus. Melhor ficar por lá mesmo e descansar.— É, melhor. Mas olha, amanhã tô em casa para almoçar com vocês.— Então eu vou fazer estrogonofe, que eu sei que você gosta.— Ah, mas eu sou muito mimado mesmo.

Quando ele chegou ao interior, ligou para me avisar. Quando chegou ao hotel, ligou para me avisar. Quando acordou no dia seguinte, ligou para me avisar. E, quando estava saindo para voltar para casa, ele também ligou para me avisar.

Eu fiz as contas de quanto tempo ele ia demorar e fui logo preparar o almoço. Mas o tempo foi passando... passando... e nada de meu marido chegar. As crianças começaram a reclamar de fome, mas eu queria esperar o Edu para todo mundo almoçar junto. Uma, duas, três horas da tarde — e nada. A essa altura, eu já estava com o coração na mão.

Ligava para ele, e o celular só caía na caixa postal. Tentava me convencer de que ele podia estar apenas na estrada, em uma área sem sinal, mas o meu coração já me dizia que não era isso. Dei o almoço para as crianças, mas não consegui comer nada... Eu estava esperando. Só esperando a hora em que o telefone fosse tocar.

E tocou. Às oito da noite, aquele maldito telefone tocou.

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