O pagamento do 13º salário aos trabalhadores com carteira assinada deverá injetar até R$ 2,6 bilhões na economia de Campinas (SP) em 2025, de acordo com projeção do Departamento de Economia do SindiVarejista de Campinas e Região. O cálculo considera cerca de 440 mil trabalhadores celetistas e a soma das duas parcelas do benefício, pagas até 28 de novembro (1ª parcela) e 20 de dezembro (2ª parcela).
Crescimento de 5,8% em relação a 2024
O valor estimado representa aumento de 5,8% em comparação à injeção registrada em 2024. O levantamento não inclui aposentados e pensionistas, que receberam o 13º salário antecipado no primeiro semestre de 2025.
Renda extra impulsiona consumo e pagamento de dívidas
O 13º salário é aguardado pelos trabalhadores por representar um alívio no orçamento familiar. Os recursos costumam ser direcionados para três finalidades principais:
Quitar dívidas, em atraso ou não.
Consumir, especialmente durante Black Friday, Natal e Réveillon.
Poupar para despesas do início de 2026, como IPVA, IPTU, material escolar, matrículas, confraternizações e viagens.
Endividamento elevado deve direcionar maior parte do 13º para dívidas
Mesmo com emprego em alta e maior injeção de renda, a tendência é que a maior parte do 13º salário seja destinada ao pagamento de dívidas. Segundo a CNC, 79,2% das famílias brasileiras estavam endividadas em setembro de 2025, e 30,5% tinham contas em atraso — o maior índice desde o início da série histórica, em 2010.
Comércio varejista de Campinas pode se beneficiar da injeção de recursos
Apesar do elevado endividamento, o varejo campineiro deve novamente sentir os efeitos positivos da entrada do 13º salário. Em dezembro de 2024, o faturamento bruto do varejo da Região de Campinas cresceu 18,1% frente à média dos outros meses.Os setores que mais se destacaram foram:
Vestuário, tecidos e calçados: alta de 107%
Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos: aumento de 54%
Segundo o economista do SindiVarejista, Jaime Vasconcellos, o aquecimento tradicional das vendas deve se repetir em 2025, mas sem expectativa de crescimento tão expressivo quanto no ano anterior.
Custos maiores reduzem impacto no lucro
O especialista explica que os números representam faturamento bruto, não lucro líquido. Em dezembro, os custos das empresas sobem devido:
ao pagamento do 13º salário aos colaboradores;
à ampliação do horário de funcionamento das lojas.
Juros altos e inadimplência limitam o avanço das vendas
Para a presidente do SindiVarejista, Sanae Murayama Saito, apesar do mercado de trabalho aquecido, o comércio ainda enfrenta desafios. Ela destaca que juros elevados, inflação persistente e inadimplência alta devem limitar o crescimento das vendas no fim de 2025.
Mesmo assim, afirma que a entrada sazonal do 13º salário é essencial para manter o dinamismo do varejo e sustentar o consumo das famílias campineiras no período.
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