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Algoritmos Vestem Prada: sequência expõe o poder da IA no jornalismo

Vinte anos depois, o filme "O Diabo Veste Prada 2" troca o medo da chefe pelo domínio invisível dos dados e questiona quem dita tendências na era digital

Maria Eduarda Lopes
MARIA EDUARDA LOPES

04/05/2026 • 10:36 • Atualizado em 04/05/2026 • 10:36

O Diabo Veste Prada 2 - Contém Spoiler

O Diabo Veste Prada 2 - Contém Spoiler

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O filme Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas atualizando o universo fashion que marcou os anos 2000. Mais do que revisitar personagens icônicos, o longa coloca a inteligência artificial no centro da narrativa e propõe uma crítica direta ao novo funcionamento da indústria da moda e, por extensão, do próprio jornalismo.

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Duas décadas após o sucesso de O Diabo Veste Prada, a sequência abandona o foco exclusivo na hierarquia rígida das redações de revista para mergulhar em um cenário dominado por dados, métricas e automação. Se antes o temor girava em torno de Miranda Priestly, um símbolo máximo de autoridade e exigência, agora o poder se apresenta de forma mais difusa e silenciosa: os algoritmos.

No novo contexto, decisões editoriais não dependem apenas da sensibilidade humana, mas são atravessadas por sistemas capazes de prever tendências com base em comportamento digital. A mudança reflete transformações reais no mercado, em que engajamento, cliques e performance passaram a orientar escolhas que antes eram guiadas por curadoria e experiência.

Essa transição, no entanto, não ocorre sem tensionamentos. O filme constrói uma crítica à padronização estética promovida pela inteligência artificial, evidenciando como a repetição de padrões bem-sucedidos pode limitar a inovação, elemento essencial para a indústria da moda. A criatividade, antes vista como diferencial, passa a disputar espaço com a eficiência dos dados.

Além disso, a narrativa levanta um ponto central: a substituição de figuras de autoridade por sistemas invisíveis. Diferente da liderança direta e reconhecível de Miranda, a IA não possui rosto nem responsabilidade clara, mas exerce influência decisiva. O resultado é um ambiente em que profissionais precisam se adaptar a regras que não são totalmente compreendidas, mas que determinam o sucesso ou o fracasso de um conteúdo.

O debate proposto pelo longa ultrapassa o universo fashion e dialoga diretamente com o jornalismo contemporâneo. Em um cenário de redações enxutas e produção acelerada, o uso de ferramentas automatizadas cresce, ao mesmo tempo em que surgem questionamentos sobre qualidade, autoria e originalidade.

Ao incorporar a inteligência artificial como elemento narrativo e crítico, “O Diabo Veste Prada 2” não apenas atualiza sua história para o presente, mas também provoca uma reflexão.

*Estagiária sob supervisão.