
FEA esclarece que não realiza pesquisas com vírus respiratórios
Unicamp
A Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) publicou, neste sábado (28), uma nota afirmando que não realiza pesquisas com vírus respiratórios.
De acordo com a faculdade, as pesquisas na área de microbiologia de alimentos envolve vírus entéricos, ou seja, que estão associados à contaminação de alimentos e água, e não possuem transmissão respiratória. A nota também informa que vírus como influenza (H1N1 e H3N2) não são de interesse da FEA e não possuem ligação com a cadeia produtiva de alimentos na perspectiva de risco alimentar.
Veja a nota na íntegra
“A Direção da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) vem a público prestar esclarecimentos técnicos e institucionais acerca de informações divulgadas na imprensa sobre investigação em curso envolvendo docente da FEA/UNICAMP.
A UNICAMP definiu que todas as comunicações oficiais sobre o caso estão centralizadas no Gabinete do Reitor, com o objetivo de assegurar rigor informacional, coerência institucional e respeito às investigações em andamento. Nesse sentido, manifestações individuais de docentes não representam o posicionamento institucional da FEA ou da UNICAMP.
A Faculdade de Engenharia de Alimentos atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão voltadas à produção, processamento, qualidade e segurança de alimentos. No campo da microbiologia de alimentos, umas das vertentes de atuação da Faculdade, os agentes virais de relevância são predominantemente vírus entéricos, associados à transmissão fecal-oral, como norovírus, rotavirus e vírus da hepatite A, dentre outros. Esses agentes não possuem transmissão respiratória, estão relacionados à contaminação de alimentos e água e, em geral, enquadram-se em níveis de biossegurança até NB2.
Por outro lado, vírus respiratórios, como influenza (por exemplo, H1N1 e H3N2), possuem transmissão predominantemente aérea e não são considerados agentes de interesse da Engenharia de Alimentos, tampouco estão relacionados à cadeia produtiva de alimentos sob a perspectiva de risco alimentar. Da mesma forma, pesquisas envolvendo agentes classificados como NB3 (nível de biossegurança 3) exigem infraestrutura altamente especializada, além de autorizações específicas, não integrando o escopo de atuação da Engenharia de Alimentos.
A FEA dispõe de infraestrutura compatível com suas áreas de atuação, observando rigorosamente as normas de biossegurança, as autorizações institucionais e os planos de trabalho aprovados. Todavia, não estão no escopo da FEA e no plano de trabalho de quaisquer membros do corpo docente da Faculdade, desenvolver atividades de pesquisa laboratorial nas instalações da Faculdade envolvendo vírus respiratórios ou de importância veterinária ou agentes de maior nível de contenção, não sendo também automaticamente autorizadas pelo vínculo institucional do docente.
Conforme já divulgado, a Universidade instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, incluindo a verificação da aderência das atividades realizadas aos planos aprovados e o cumprimento das normas institucionais e de biossegurança. A FEA e a UNICAMP colaboram integralmente com as autoridades competentes, incluindo a Polícia Federal, autoridades sanitárias e órgãos regulatórios.
A Faculdade de Engenharia de Alimentos reafirma seu compromisso com a segurança biológica, a integridade científica, o cumprimento rigoroso das normas legais e institucionais e a transparência perante a sociedade. Ressalta-se, ainda, que a FEA é resultado do trabalho árduo e contínuo de gerações de docentes, pesquisadores, estudantes e servidores, que ao longo de décadas contribuíram para a construção de uma instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente e posicionada entre as melhores do mundo na área de Engenharia de Alimentos.
Adicionalmente, a Direção enfatiza que opiniões individuais, ainda que emitidas por docentes especialistas, devem ser tratadas com a devida cautela e não podem ser apresentadas como posicionamento institucional, sobretudo em contextos sensíveis e sob investigação. A utilização ou interpretação dessas manifestações fora de seu devido contexto pode gerar confusão na imprensa e na opinião pública, além de potencialmente interferir ou prejudicar o adequado curso das apurações em andamento.
Por fim, destaca-se a importância de que informações técnicas sejam tratadas com precisão, evitando generalizações que possam gerar interpretações equivocadas sobre o escopo da Engenharia de Alimentos, os riscos efetivos envolvidos e as responsabilidades institucionais. Novas informações serão divulgadas exclusivamente pelos canais oficiais da Universidade.”
*Estagiária sob supervisão.


