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Campinas e Região

Campinas confirma 2 mortes por febre maculosa

Em 2025, foram seis novos casos, todos terminaram em morte

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

19/03/2026 • 16:01 • Atualizado em 19/03/2026 • 16:01

Febre maculosa é transmitida pelo carrapato

Febre maculosa é transmitida pelo carrapato

PMC

A Secretaria de Saúde de Campinas (SP) confirmou duas mortes por febre maculosa, que ocorreram em 2025, mas estavam sob investigação. Com os novos registros, a cidade totaliza seis casos de febre maculosa no ano passada, todos eles resultaram em morte.

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Novas vítimas confirmadas:

  • Mulher, 63 anos, residente na área de abrangência do Centro de Saúde (CS) Santa Bárbara. Início de sintomas em 3 de outubro de 2025 e morte em 11 de outubro de 2025. Atendimento em hospital público de Campinas. O local provável de infecção foi o ambiente domiciliar, cujo entorno já era previamente classificado como área de transmissão de febre maculosa.
  • Homem, 46 anos, residente na área de abrangência do CS Nova América. Início de sintomas em 29 de outubro de 2025 e morte em 3 de novembro de 2025. Atendimento em hospital público de Campinas. Não foi possível determinar o local provável de infecção.

Os outros quatro mortes ocorreram em junho e julho, sendo dois homens de 63 e 68 anos e duas mulheres de 47 e 48 anos. Em dois dos casos, os locais prováveis de infecção ficam em outros municípios, e nos outros dois ficam em Campinas.

A Pasta disse que está reforçando as ações de prevenção e alerta à população sobre a necessidade de buscar atendimento aos primeiros sintomas.

Busca rápida por atendimento é essencial

A morte é mais frequente quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. A febre maculosa tem cura, mas o tratamento precisa ser iniciado logo nos primeiros dias de sintomas para evitar agravamento e possível óbito.

Com isso, a Saúde ressalta a importância de não banalizar sintomas, uma vez que o tratamento oportuno é imprescindível para salvar vidas.

"Quem esteve em locais sujeitos à presença do carrapato-estrela, como áreas com vegetação, especialmente quando próximas a cursos d’água e onde há presença de capivaras, cavalos ou outros animais, deve monitorar a ocorrência de febre, que pode ser acompanhada de outros sintomas comuns a outras doenças, como dor de cabeça e dor no corpo", explica a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas.

Na febre maculosa brasileira, o período de incubação, desde a picada do carrapato até a manifestação dos sintomas, é de 2 a 14 dias.

"Caso ocorram estes sintomas, deve-se procurar o serviço de saúde mais próximo imediatamente e relatar ao médico que esteve em área sujeita à presença do carrapato-estrela, mesmo que não tenha encontrado carrapato no corpo. É importante evitar contato direto com a vegetação, mas se for necessário frequentar esses locais, utilizar roupas e calçados que cubram o corpo, de preferência de cores claras, para melhor visualizar o carrapato, e, se observar carrapatos, retirá-los rapidamente", acrescentou a bióloga.

Ações contínuas

Campinas realiza ações educativas sobre o tema de forma contínua para sensibilização das equipes de saúde e da população, como palestras, oficinas, visitas a imóveis para orientações aos moradores, capacitações de profissionais e exposições. Além disso, a Administração também indica e monitora locais estratégicos para instalação de placas de alerta de risco de transmissão para febre maculosa brasileira.

A Prefeitura iniciou, em setembro de 2024, um trabalho de manejo para controle reprodutivo das capivaras que vivem livremente nos parques públicos de Campinas.

A iniciativa já esterilizou quase 200 animais que vivem na Lagoa do Taquaral e no Lago do Café. Serão contemplados ainda os seguintes locais: Parque das Águas, Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, Parque Hermógenes de Freitas Leitão, Parque Linear Capivari e Parque Linear Ribeirão das Pedras. A gestão do projeto é coordenada pela Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Durante o período de sazonalidade, a secretaria utiliza estratégias para sensibilizar profissionais de saúde das redes pública e particular de Campinas, orientando quanto à suspeita precoce e ao tratamento oportuno da doença.

A Prefeitura mantém uma página na internet que reúne uma série de informações sobre a febre maculosa brasileira, incluindo explicações sobre a doença, perguntas e respostas, além de um manual para prevenção em locais com presença de carrapatos. Acesso pelo link.

Além disso, a Lei Municipal 16.418/2023 obriga os estabelecimentos, produtores, promotores e organizadores de eventos realizados em locais sujeitos à presença do carrapato-estrela a informar sobre o risco de febre maculosa brasileira.

O que é a doença e período de sazonalidade

A febre maculosa é uma doença grave, com alta letalidade, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. A infecção se dá pela picada do carrapato-estrela infectado com esta bactéria.

Na fase jovem, quando o carrapato é conhecido como “micuim” (larvas) e “vermelhinho” (ninfas), ele pode parasitar qualquer animal, inclusive o ser humano que frequente áreas com vegetação, especialmente onde há cavalos, capivaras e outros animais silvestres.

O período de sazonalidade costuma ter início em junho e se estende até novembro em razão do registro de dias seguidos de baixa umidade relativa do ar, condição climática em que há maior predomínio das fases jovens do carrapato-estrela no ambiente, o que aumenta o risco de transmissão e ocorrência da doença.

Medidas de prevenção

O carrapato-estrela é encontrado naturalmente em gramados e matas, em especial nas áreas próximas a rios, lagos e lagoas. Se estiver contaminado, pode transmitir a bactéria que causa a febre maculosa.

Quem visita, trabalha ou mora em área de risco - próximo a matas, rios e parques com áreas verdes - pode seguir as seguintes medidas de prevenção:

  • Evitar caminhar, sentar e deitar na grama e nos locais com acúmulo de folhas secas caídas. Os carrapatos se concentram em áreas de sombra;
  • Evitar se aproximar de rios, lagos, lagoas e dos animais presentes no local;
  • Fazer piquenique, comemoração, ensaio fotográfico e atividade física nas áreas pavimentadas;
  • Utilizar roupas e calçados que cubram o corpo;
  • Usar roupas claras e observar o corpo e as roupas. Se algum carrapato chegar até você será mais fácil enxergar;
  • Encontrou um carrapato aderido na pele? Retire com cuidado, sem esmagar, de preferência usando uma pinça e lave o local com água e sabão;
  • Em casa, tome banho quente e use bucha vegetal fazendo movimento circular. Se tiver algum carrapato na pele, a bucha ajuda a retirar;
  • Ao visitar áreas verdes e parques da nossa cidade, respeite as orientações das placas de informação e, se apresentar sinais e sintomas (febre, dor no corpo, dor de cabeça) em até 14 dias, procure por um serviço de saúde e relate a situação e exposição ambiental;
  • O carrapato de cachorro não é da mesma espécie do carrapato-estrela. Porém, se o seu pet frequenta área de risco, ele pode ser infestado pelo carrapato-estrela e levá-lo para casa.

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