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Campinas e Região

Campinas registra primeira morte por febre maculosa em 2026

Doença é causada pela picada do carrapato-estrela infectado; confira os sintomas e como evitar a infecção

Maria Eduarda Lopes
MARIA EDUARDA LOPES

19/05/2026 • 09:39 • Atualizado em 19/05/2026 • 12:35

Carrapato-estrela

Carrapato-estrela

Carlos Bassan/PMC

Um homem, de 74 anos, morreu por febre maculosa em Campinas (SP). O registro é o primeiro caso da doença em 2026 na cidade. A infecção se dá pela picada do carrapato-estrela infectado.

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O início dos sintomas do paciente foi no dia 15 de abril, quando ele foi atendido em um hospital público. O óbito ocorreu no dia 21 de abril. O local provável de infecção foi na casa onde o homem morava e realizava serviços de jardinagem próximo a áreas verdes e cursos d’água.

Em 2025, Campinas registrou seis casos de febre maculosa e todos evoluíram para óbito.

A Secretaria de Saúde de Campinas reforça os alertas sobre prevenção e atenção aos sintomas que podem indicar infecção.

Sintomas

  • Dor de cabeça
  • Dor intensa no corpo
  • Mal-estar generalizado
  • Náuseas
  • Vômitos

Na febre maculosa brasileira, o período de incubação, desde a picada do carrapato até a manifestação dos sintomas, é de 2 a 14 dias. Ao buscar atendimento, se possível, o paciente deve levar o carrapato que o picou para auxiliar na atuação da equipe de saúde.

Medidas de prevenção

O carrapato-estrela é a espécie mais comum de carrapato na região de Campinas. Ele é encontrado naturalmente em gramados e matas, em especial nas áreas próximas a rios, lagos e lagoas. Se estiver contaminado, pode transmitir a bactéria que causa a febre maculosa, a Rickettsia rickettsii.

Quem visita, trabalha ou mora em área de risco (próximo a matas, rios e parques com áreas verdes) pode seguir as seguintes medidas de prevenção:

  • Evitar caminhar, sentar e deitar na grama e nos locais com acúmulo de folhas secas caídas. Os carrapatos se concentram em áreas de sombra;
  • Evitar se aproximar de rios, lagos, lagoas e dos animais presentes no local;
  • Fazer piquenique, comemoração, ensaio fotográfico e atividade física nas áreas pavimentadas;
  • Utilizar roupas e calçados que cubram o corpo;
  • Usar roupas claras e observar o corpo e as roupas. Se algum carrapato chegar até você, será mais fácil enxergá-lo;
  • Encontrou um carrapato aderido na pele? Retire-o com cuidado, sem esmagá-lo, de preferência usando uma pinça, e lave o local com água e sabão;
  • Em casa, tome banho quente e use bucha vegetal, fazendo movimento circular. Se tiver algum carrapato na pele, a bucha ajuda a retirá-lo;
  • Ao visitar áreas verdes e parques da cidade, respeite as orientações das placas de informação e, se apresentar sinais e sintomas (febre, dor no corpo e dor de cabeça) em até 14 dias, procure um serviço de saúde e relate a situação e a exposição ambiental;
  • Se o seu pet frequenta área de risco, ele pode ser infestado pelo carrapato-estrela e levá-lo para casa. Por isso, é importante evitar essas áreas e, se ele as frequentar, também vistoriar o corpo do animal. Além disso, há carrapaticidas para cachorros;
  • Não existe um repelente específico contra carrapatos para humanos. Os repelentes contra insetos são apenas medidas complementares às principais medidas elencadas acima.

Mitos

A bióloga também comenta mitos existentes sobre o carrapato-estrela. Um deles, que não é verdadeiro, é que ele deve ser removido com um fósforo aceso ou agulha quente.

Outro mito é o de que todo carrapato transmite a febre maculosa. Não é toda espécie e nem todo carrapato-estrela que transmite.

Ações

O Município realiza ações educativas sobre o tema de forma contínua para sensibilização das equipes de saúde e da população, como palestras, oficinas, visitas a imóveis para orientação aos moradores, capacitações de profissionais e exposições.

Além disso, a Administração também indica e monitora locais estratégicos para instalação de placas de alerta de risco de transmissão da febre maculosa brasileira.

A Prefeitura iniciou, em setembro de 2024, um trabalho de manejo para controle reprodutivo das capivaras que vivem livremente nos parques públicos de Campinas. A iniciativa já esterilizou quase 200 animais que vivem na Lagoa do Taquaral e no Lago do Café. Serão contemplados ainda os seguintes locais:

  • Parque das Águas
  • Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim
  • Parque Hermógenes de Freitas Leitão
  • Parque Linear Capivari
  • Parque Linear Ribeirão das Pedras

A Prefeitura mantém uma página na internet que reúne uma série de informações sobre a febre maculosa brasileira. Acesse pelo link.

Além disso, a Lei Municipal 16.418/2023 obriga estabelecimentos, produtores, promotores e organizadores de eventos realizados em locais sujeitos à presença do carrapato-estrela a informar sobre o risco de febre maculosa brasileira.

*Estagiária sob supervisão.