Resumo
Deficiência de antídotos no Brasil para tratar intoxicação por metanol foi destacada pelo CIATox da Unicamp, com 20 casos confirmados e cinco mortes. A importação de antídotos é necessária devido à falta no país.
Tratamento atual de intoxicação envolve o uso de álcool absoluto, mas o fomepizol, mais eficaz e fácil de usar, não está disponível no Brasil. O CIATox reforça a necessidade da importação deste medicamento.
Emergência aumentou com casos em várias cidades paulistas, apresentando sintomas graves como alteração da consciência e risco de cegueira. Em situações críticas, álcool absoluto e até bebida destilada têm sido usados nos tratamentos.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp informou, em coletiva realizada nesta terça-feira (30), que o Brasil não possui estoque suficiente de antídotos para tratar casos de intoxicação por metanol. De acordo com o governo estadual, já foram confirmadas 20 pessoas intoxicadas, com cinco mortes.
O coordenador do CIATox, Fábio Bucaretchi, destacou que não é comum encontrar bebidas adulteradas com metanol no Brasil. “Diferente de outros países, a gente não tinha, mas já alertamos em 2023 sobre intoxicação por combustível adulterado”, disse. Desde então, o Centro reforça a necessidade da importação de antídotos.
Atualmente, o medicamento utilizado no país para tratar pacientes intoxicados é o álcool absoluto, aplicado na veia para retardar a transformação do metanol em ácido fórmico, substância altamente prejudicial ao organismo. O tratamento mais indicado, no entanto, é o fomepizol, que não está disponível no Brasil e precisa ser importado. A principal diferença está na maior eficiência e facilidade de uso do fomepizol em relação ao álcool absoluto.
A preocupação aumentou após os casos registrados em diversas cidades paulistas. Os sintomas mais comuns incluem alteração da consciência, tontura, vômito, cólicas e visão turva. Eles podem aparecer até 12 horas após a ingestão. No organismo, o metanol pode atingir a medula e o cérebro, causar cegueira e até levar à falência múltipla de órgãos.
Segundo o CIATox, o álcool absoluto tem sido enviado para hospitais de outras regiões do estado. Em situações emergenciais, houve até uso de bebida destilada aplicada por sonda em pacientes.
O Centro também analisou nove amostras de sangue e urina. Todas confirmaram a presença de metanol em bebidas falsificadas consumidas pelas vítimas. Dois dos casos evoluíram para morte.


