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Contratação de estagiários negros atinge recorde e cresce mais de 15 vezes desde 2018

Estudo revela mudança no perfil das empresas, que estão ampliando a inclusão, flexibilizando critérios e com isso impulsionando o acesso de jovens negros no mercado de trabalho

*MARIA EDUARDA LOPES

14/11/2025 • 12:24 • Atualizado em 14/11/2025 • 12:24

Índice de estagiários negros aumenta em sete anos

Índice de estagiários negros aumenta em sete anos

Reprodução/ Freepik

A contratação de jovens negros nas vagas de estágio aumentou 15,6 vezes desde 2018, de acordo com levantamentos da Companhia de Estágios. O número consiste num recorde histórico e reflete na melhoria das políticas de diversidade nos últimos sete anos. O esperado é que a empresa encerre 2025 com 7.946 estudantes negros contratados em programas de estágio e vagas pontuais em todo o país, com um crescimento de 12,5% em relação a 2024.

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Os dados são da 6ª edição do Mapeamento dos Estagiários Negros no Brasil 2025. “O estudo se baseou nos dados de mais de mil empresas clientes que contratam jovens através da Companhia de Estágios em todo país. Ao longo dos anos, ao analisar os dados, fica clara a mudança nos requisitos, forma de selecionar e nas metas de diversidade das empresas”, diz Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.

O cenário acompanha o movimento identificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2000 e 2022, a proporção de pessoas pretas com ensino superior completo cresceu 5,8 vezes, e dos pardos aumentou 5,2 vezes. Ainda assim, a desigualdade continua: 25% dos brancos têm ensino superior completo, contra 12% dos negros. Para Mavichian, esses dados mostram que “a inclusão no ensino superior é um passo importante, mas a inserção no mercado e a ascensão profissional ainda são desafios”.

A nova forma de ingresso nas empresas é redução de critérios de contratação em prol de competências comportamentais. Há uma mudança no perfil contratado. Em 2018, 77% dos estagiários negros tinham experiência anterior. Em 2025, essa proporção caiu para 45%, mostrando uma abertura maior das empresas para candidatos sem vivência profissional prévia.

Os critérios de seleção estão menos restritivos. Das vagas oferecidas pela Companhia de Estágios em 2025, 38% não exigiam conhecimento em Excel e 42% não pediam inglês. Isso mostra que as empresas estão priorizando competências em relação a comportamento e potencial de desenvolvimento, em vez de requisitos técnicos muitas vezes não acessíveis para que jovens pertencentes a grupos minoritários.

O executivo também menciona que, se por um lado é responsabilidade das empresas oferecerem oportunidades, por outro, cabe aos estagiários entenderem que a carreira pertence a eles, ou seja, o jovem deve ter compromisso com o seu desenvolvimento, fazendo cursos, pedindo feedback e atuando em projetos. “A função do estágio é justamente formar, e não exigir experiência. Essa mudança é um avanço em termos de equidade de oportunidades e mostra que as empresas estão mais conscientes sobre o papel do estágio”, complementa Mavichian.

*Estagiária Sob Supervisão