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Campinas e Região

Os riscos de retirar material biológico de laboratório após caso na Unicamp

Ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e médico sanitarista, Gonzalo Vecina Neto explica por que vírus exigem controle rígido e o que pode acontecer fora do ambiente seguro

Kevin Velloso
KEVIN VELLOSO

24/03/2026 • 19:05 • Atualizado em 24/03/2026 • 19:05

Laboratórios de pesquisa da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados

Laboratórios de pesquisa da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados

Foto: Grasiele Gerondi

A retirada de material biológico de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas acendeu um alerta e levantou uma dúvida central: o que pode acontecer quando um vírus sai de um ambiente controlado?

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Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, a resposta depende de dois fatores: o tipo de agente e as condições em que ele é mantido fora do laboratório.

“Se estava em um laboratório nível 3, o risco já existiu. A questão agora é para onde esse material foi levado e em quais condições está sendo mantido”, afirmou.

O que é um laboratório nível 3

Laboratórios são classificados de acordo com o risco dos microrganismos manipulados. No nível 3 (NB-3), estão agentes com maior potencial de transmissão e gravidade.

Vecina explica que esses ambientes exigem protocolos rigorosos de segurança, com controle de acesso, uso de equipamentos de proteção e regras específicas de armazenamento.

“Existem diferentes níveis de segurança. Em locais como esse, normalmente são níveis 2 ou 3”, disse.

O que pode acontecer fora do ambiente seguro

O principal ponto, segundo o especialista, é saber se o material continua viável.

“Se o vírus continuar sendo mantido em temperatura adequada, ele pode permanecer viável. Se houver degradação, o risco diminui.”

Na prática, isso significa que o risco depende diretamente de como esse material foi transportado e armazenado.

Há risco de contaminação?

Vecina destaca que, em casos envolvendo vírus aviários, existe uma preocupação adicional: a adaptação para humanos.

“O grande problema é quando o vírus consegue passar de animal para humano e depois entre humanos. Aí você pode ter um cenário de pandemia.”

O que precisa ser esclarecido

Para medir o risco real, a investigação deve responder:

  • para onde o material foi levado
  • se foi mantido em condições adequadas
  • se ainda está viável

“O principal é saber o que foi feito com esse material. Se ele mantém as condições de existência, o risco continua”, afirmou.

A apuração do caso é conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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