
Laboratórios de pesquisa da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados
Foto: Grasiele Gerondi
A retirada de material biológico de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas acendeu um alerta e levantou uma dúvida central: o que pode acontecer quando um vírus sai de um ambiente controlado?
Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, a resposta depende de dois fatores: o tipo de agente e as condições em que ele é mantido fora do laboratório.
“Se estava em um laboratório nível 3, o risco já existiu. A questão agora é para onde esse material foi levado e em quais condições está sendo mantido”, afirmou.
O que é um laboratório nível 3
Laboratórios são classificados de acordo com o risco dos microrganismos manipulados. No nível 3 (NB-3), estão agentes com maior potencial de transmissão e gravidade.
Vecina explica que esses ambientes exigem protocolos rigorosos de segurança, com controle de acesso, uso de equipamentos de proteção e regras específicas de armazenamento.
“Existem diferentes níveis de segurança. Em locais como esse, normalmente são níveis 2 ou 3”, disse.
O que pode acontecer fora do ambiente seguro
O principal ponto, segundo o especialista, é saber se o material continua viável.
“Se o vírus continuar sendo mantido em temperatura adequada, ele pode permanecer viável. Se houver degradação, o risco diminui.”
Na prática, isso significa que o risco depende diretamente de como esse material foi transportado e armazenado.
Há risco de contaminação?
Vecina destaca que, em casos envolvendo vírus aviários, existe uma preocupação adicional: a adaptação para humanos.
“O grande problema é quando o vírus consegue passar de animal para humano e depois entre humanos. Aí você pode ter um cenário de pandemia.”
O que precisa ser esclarecido
Para medir o risco real, a investigação deve responder:
- para onde o material foi levado
- se foi mantido em condições adequadas
- se ainda está viável
“O principal é saber o que foi feito com esse material. Se ele mantém as condições de existência, o risco continua”, afirmou.
A apuração do caso é conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
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