O wakeboard ainda é um esporte desconhecido por grande parte dos brasileiros. Para muitos, a modalidade parece distante, restrita a atletas experientes ou a quem tem alto poder aquisitivo. Mas, na prática, essa realidade vem mudando, principalmente com o crescimento dos cable parks, espaços que tornaram a modalidade mais acessível e vêm formando novos praticantes em diversas regiões do país.
Entre eles está Nilton Vilela Júnior, mais conhecido como Niltinho, de 39 anos, morador de Campinas (SP) e campeão brasileiro da categoria Master. Há 12 anos, ele encontrou no wakeboard muito mais do que um hobby. O esporte se transformou em um estilo de vida, trouxe amizades, disciplina, conquistas e momentos que ele define como inesquecíveis.
O campeão brasileiro, Nilton relembra que tudo começou de forma simples, graças ao incentivo de um amigo.

Uma paixão que nasceu à beira do lago
Foi em 2013 que o wakeboard entrou definitivamente na vida de Nilton. O responsável por essa mudança foi João Neves, amigo que insistia para que ele acompanhasse as sessões de treino.
Ele sempre me levava para assistir às sessões e, de vez em quando, pagava uma horinha para eu andar, porque naquela época eu não tinha condições financeiras para praticar o esporte, conta.
Antes disso, Niltinho já era apaixonado por esportes. Desde criança jogava futebol, mas nunca tinha tido contato com o wakeboard. Bastou a primeira experiência para despertar uma nova paixão.
Eu via meus amigos andando e pensava: ‘Será que um dia vou conseguir chegar nesse nível?’. Aquilo me motivava cada vez mais.
O que mais chamou atenção do esportista foi o lifestyle. As amizades, o contato com a natureza, a energia positiva e o ambiente que envolve o esporte fizeram ele se apaixonar pela modalidade.
O que é o cable park wakeboard?
Diferentemente do wakeboard tradicional, em que o atleta é puxado por uma lancha, no cable park o praticante é impulsionado por um sistema de cabos instalado ao redor de um lago, semelhante ao funcionamento de um teleférico.
Durante o percurso, os atletas podem apenas deslizar sobre a água ou realizar manobras utilizando obstáculos como rampas, caixas e corrimãos.
Segundo Niltinho, o ambiente atende desde quem nunca subiu em uma prancha até atletas de alto rendimento.
“Cada pessoa respeita seu próprio ritmo. O mais legal é que o cable park vai muito além do esporte. Ele cria amizades, aproxima as pessoas e proporciona um estilo de vida voltado ao contato com a natureza e à superação.”
O maior obstáculo não estava dentro da água. Aprender novas manobras nunca foi o principal desafio para Niltinho. Segundo ele, a maior dificuldade era conseguir praticar.
“O wakeboard não é um esporte barato e, naquela época, eu não tinha condições financeiras para andar com frequência.”
Para continuar evoluindo, foi preciso abrir mão de outras prioridades e reorganizar a rotina para encaixar os treinos.
Apesar das dificuldades, desistir nunca foi uma opção.
O momento mais delicado da carreira de Nilton foi quando ele sofreu uma segunda lesão no ombro e precisou passar por outra cirurgia.
“Foi uma recuperação difícil. Fiquei com medo de não conseguir voltar a andar da mesma forma.”
Foi nesse período que encontrou forças dentro de casa. Para ele, o apoio da esposa fez toda diferença.

De hobby ao título de campeão brasileiro
Embora sempre tenha encarado o wakeboard como uma forma de escapar da rotina, a dedicação trouxe resultados muito maiores do que imaginava. A maior conquista veio com o título de campeão brasileiro da categoria Master.
Mais do que vencer uma competição, o que tornou o momento especial foi o lugar onde tudo aconteceu.
“O campeonato foi no Naga Cable Park, em Jaguariúna, que considero minha casa. Estavam lá meus amigos, minha esposa e minha filha. Foi uma emoção que vou levar para o resto da vida.”
Entre todas as manobras aprendidas ao longo dos anos, uma ocupa um lugar especial em sua memória. O Tantrum to Blind — um mortal para trás seguido de uma rotação de 180 graus — representa uma realização pessoal.
“Não é considerada a manobra mais difícil do wakeboard, mas sempre foi um sonho acertá-la. Nunca vou esquecer da sensação daquele momento.”
Para Nilton, o cenário do wakeboard mudou bastante desde que começou a praticar. Na avaliação dele, os cable parks evoluíram em estrutura, equipamentos e segurança, além de oferecerem instrutores preparados para atender iniciantes e atletas experientes.
O local onde mais costuma treinar é o Naga Cable Park, em Jaguariúna, considerado por ele o melhor do país. Além dele, o estado de São Paulo conta com outros centros importantes para a modalidade, como o Fun Wake Park, em São Bernardo do Campo, o Alpha Wake Park, em Santana de Parnaíba, e o Talula Park, na região de Ribeirão Preto.
Na opinião do atleta campineiro, a expansão desses espaços tem contribuído para o crescimento do esporte.
Muito além das manobras
Ao longo dos anos, o wakeboard mudou diversos aspectos da vida de Niltinho. Além das amizades construídas dentro da modalidade, ele afirma que passou a cuidar mais da saúde e da preparação física.
“Hoje não consumo bebidas alcoólicas porque gosto de estar bem para aproveitar meus finais de semana na água.” afirmou.
Segundo ele, o esporte também trouxe mais disciplina, organização, responsabilidade, dedicação, evolução e a importância de buscar sempre melhorar, tanto dentro quanto fora da água.

Um convite para conhecer o esporte
Apesar do crescimento da modalidade, Nilton acredita que muitas pessoas ainda enxergam o wakeboard como um esporte distante. Para ele, essa imagem precisa mudar.
Para quem tem curiosidade, mas ainda sente receio, o conselho é simples:
“Não tenha medo de tentar. Você não precisa chegar sabendo fazer manobras. O importante é viver a experiência, conhecer as pessoas e se divertir. Tenho certeza de que, depois da primeira vez, você vai entender por que tanta gente se apaixona pelo wakeboard.” disse Nilton.
Ao olhar para trás, Niltinho reconhece que aquela primeira oportunidade, oferecida por um amigo há 12 anos, mudou completamente sua trajetória.
Hoje, além dos títulos e das manobras, ele valoriza principalmente tudo o que o esporte lhe proporcionou fora da água: amizades, família, qualidade de vida e a certeza de que uma paixão pode transformar uma história.
O campeão brasileiro da categoria Master, Nilton Vilela Júnior, realizou uma mensagem de agradecimento aos familiares e amigos que apoiaram ele durante toda trajetória.
Veja a nota na íntegra
"Primeiramente, gostaria de agradecer pela oportunidade de poder falar um pouco sobre esse esporte que eu amo tanto e que faz parte da minha vida há tantos anos.
Também gostaria de deixar uma mensagem importante: o wakeboard é um esporte como qualquer outro. Assim como o futebol de final de semana com os amigos, a corrida, o tênis ou qualquer outra atividade esportiva, ele é feito para ser vivido por pessoas de todos os níveis. Não é apenas para atletas profissionais; é um esporte que proporciona diversão, amizade, saúde e momentos inesquecíveis.
Não poderia deixar de agradecer à minha esposa, que sempre me apoia, entende a importância do wake na minha vida e sempre encontra um espaço na nossa rotina para que eu consiga estar na água nos finais de semana. Esse apoio faz toda a diferença.
Também sou muito grato ao meu trabalho, porque é através dele que consigo realizar esse sonho e ter condições de praticar esse esporte que, apesar de ser um pouco "maluco" (risos), me traz tanta felicidade.
Obrigado a todos que fazem parte dessa caminhada e que, de alguma forma, contribuem para que eu continue vivendo essa paixão".

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