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Campinas e Região

Expedição na Amazônia, em parceria com a Unicamp, investiga proliferação de vírus em comunidade

Pesquisadores contextualizam e visam auxiliar regiões da Amazônia que estão sendo afetadas pelo desmatamento e lidando com as consequências disso para comunidade local

*MARIA EDUARDA LOPES

27/11/2025 • 09:00 • Atualizado em 27/11/2025 • 09:00

Resultado da expedição que indicam a presença de enfermidades

Resultado da expedição que indicam a presença de enfermidades

Unicamp

Uma expedição na Amazônia, com pesquisadores do projeto Rede Pampa, em parceria com a Unicamp, investiga a proliferação de vírus em regiões afetadas pela degradação ambiental. Além disso, realiza ações de promoção de saúde para aumentar a resistência da população local e prevenir surtos ou surgimento de doenças. A expedição teve início nesta terça-feira (25).

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O resultado desta iniciativa indicou a presença de doenças como febre oropouche, febre mayaro, leptospirose, leishmaniose, malária, hantavirose, dengue e chikungunya na região amazonense.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia Pritesh Lalwani, obras de infraestrutura presentes no local são acompanhadas de um aumento de doenças infecciosas nas suas proximidades.

O projeto realizado com financiamento da iniciativa Amazônia+10, realiza viagens à região desde 2023, com o intuito de monitorar os vírus e as doenças em circulação e coletar amostras de sangue de humanos e animais domésticos, além de amostras de insetos. Agora, pela primeira vez, serão coletados, também, animais selvagens de pequeno porte.

Segundo o coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) da Unicamp, José Luiz Modena, mudanças em ambientes com alta biodiversidade, como a Floresta Amazônica, aumentam o contato com microrganismos, conhecidos ou desconhecidos, que podem provocar novas doenças para região.

Além da obra na BR-319, o local também sofre com as consequências do aumento populacional, da expansão da agropecuária e do desmatamento que, por sua vez, enfraquecem a biodiversidade e facilitam a adaptação e a circulação vírus, bactérias e outros microrganismos capazes de causar doenças em seres vivos.

Pesquisadores comentam que para minimizar a situação é necessário promover qualidade de vida, diagnósticos imediatos e vigilância em tempo real das populações que estão sendo afetadas.

A pesquisa realizada possui a ideia de criar estratégias de saúde para lidar com as alterações ambientais, que também podem ser provenientes das mudanças climáticas. O estudo pode, ainda, servir de modelo para implementação de políticas públicas em outras áreas com características parecidas.

Além disso, a equipe de pesquisa também atua na educação em saúde, divulgando cartazes e jogos infantis com explicações sobre as doenças infecciosas e sua prevenção. Os pesquisadores estão procurando, estabelecer parcerias com as prefeituras da região para levar alternativas de acesso à saúde, como a telemedicina.

Entretanto, a região também apresenta graves problemas de saneamento básico, poucas casas com esgotamento sanitário e um risco de contaminação do rio Igapó-Açu, que fornece água para consumo, podendo causar risco de vida e contaminação para população que utiliza. O armazenamento dos resíduos sólidos para coleta e disposição final também é um desafio, pois atrai roedores que possuem e proliferam doenças.

Diante ao exposto, a equipe de pesquisa retorna, nessa nova expedição, com uma proposta diferente de trabalho, distribuir 200 filtros de água doados, fornecer capacitação para utilizá-los e realizar oficinas sobre esgotamento sanitário. O proposito com a ação é de compreender quais soluções tecnológicas a sociedade prefere e se adapta melhor, com o intuito de instalar esse sistema nas casas da região e evoluir para diminuição da contaminação da comunidade.

*Estagiária sob supervisão.