A doença ceratocone – conhecida como "córnea cone” – é a maior causa de transplante de córnea no Brasil. No ano passado foram realizados mais de 17 mil transplantes de córnea em uma fila de 28,9 mil inscritos. Até o final do mês de março de 2024, o número de inscritos saltou para 31,8 mil, um acréscimo de 10%, segundo o relatório do Sistema Nacional de Transplantes.
Cerca de 200 mil pessoas sofrem de ceratocone no país. A condição, como o nome sugere, afina a porção central da córnea, que toma o formato de cone. Segundo especialistas, o olho funciona como uma máquina fotográfica, ou seja, precisa de duas lentes trabalhando em sincronia para enxergarmos bem. As duas captam a luz e enviam para a retina, se uma falhar a visão fica comprometida.
O transplante de córnea é uma das opções para quem sofre de ceratocone, mas, com o avanço da tecnologia, existem outras alternativas para melhorar a qualidade de vida de pacientes diagnosticados precocemente com essa condição: como óculos, lentes de contato, crosslinking e anéis intracorneanos.
Luzia Pereira descobriu ter ceratocone aos 12 anos. Com um grau alto de miopia, ela tinha muita dificuldade de realizar tarefas simples do dia a dia sem os óculos, como se maquiar e tomar banho. Foi durante uma consulta que ela descobriu a doença e passou por alguns tratamentos até chegar no crosslinking, uma cirurgia com implante de lente entre a íris e o cristalino. O procedimento que interrompe a progressão da doença em 80% dos casos.
A cirurgia crosslinking é indicada para pacientes com intolerância à lente de contato, miopia de 6 a 8 graus, astigmatismo estabilizado de até 4 graus e ter idade entre 21 e 45 anos. Mesmo com vários tratamentos, 41 % dos pacientes têm intolerância às lentes de contato, o que faz crescer o número de inscritos para transplantes.
O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto explica que a córnea pode ser retirada e preparada até seis horas após o coração parar. “Ela é colocada em um meio de conservação e nós [médicos] temos até 10 ... 15 dias para realizarmos o transplante”, detalha. O Estado de São Paulo, conforme informações do especialista, é a região que mais tem centrais de distribuição de córnea.
Luzia garante que o tratamento foi melhor coisa que aconteceu:
A visão é tudo. Você pode se arrumar, praticar um esporte e ir pra academia sem se preocupar com óculos é maravilhoso.
*Com informações de Cassiene Alves, repórter da Band
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