
Impedimento semiautomático
Divulgação / Fifa
Não sou contra a lei do impedimento. Ela existe para preservar a essência do futebol: um jogo de movimentação, estratégia e construção coletiva, evitando que as partidas se resumam a lançamentos para atacantes posicionados próximos ao gol adversário. A regra garante o equilíbrio entre ataque e defesa e impede que um atacante fique apenas esperando um passe para marcar.
O problema não é a lei. O problema é a forma como ela vem sendo aplicada pelo impedimento semiautomático nesta Copa do Mundo de 2026.
Anular um gol porque a ponta da chuteira, um dedão do pé ou um fio de cabelo estavam à frente da linha é um exagero. Não há vantagem esportiva real nisso. Se a intenção da regra é impedir uma vantagem injusta, é difícil sustentar que alguns centímetros façam essa diferença.
O computador apenas executa aquilo para o qual foi programado: identificar qualquer parte do corpo à frente do penúltimo defensor. Mas isso não significa que esse seja o melhor critério.
Seria perfeitamente possível estabelecer uma margem objetiva de tolerância. Poderia ser um percentual do corpo projetado à frente da linha ou uma distância fixa, como 50 centímetros. A tecnologia já existente é plenamente capaz de fazer esse cálculo em tempo real.
Uma evolução ainda mais interessante seria definir essa margem com base em estudos sobre a velocidade média de atacantes e zagueiros dos principais campeonatos do mundo. Assim, seria possível determinar qual vantagem ainda seria aceitável sem comprometer o equilíbrio da disputa. Além de tornar a regra mais justa, isso estimularia a formação de defensores mais rápidos, inteligentes e com melhor leitura de jogo.
Tenho ainda outra sugestão que pretendo enviar à FIFA. Poderia ser criada uma linha intermediária entre a linha do meio-campo e a linha da grande área. Até esse ponto, os atacantes poderiam se movimentar livremente, sem risco de impedimento. Somente a partir dessa linha a regra passaria a valer. O jogo ficaria mais dinâmico, haveria mais oportunidades de gol e desapareceriam muitas das polêmicas provocadas pelos impedimentos decididos por poucos centímetros.
Antes que digam que esqueci do jogo entre Brasil e Noruega, deixo meu palpite: o Brasil é favorito e vencerá por 2 a 1. Carlo Ancelotti deve manter o jovem Endrick entre os titulares, no lugar de Lucas Paquetá.
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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.
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