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Campinas e Região

Influenciador do MBL vai à Unicamp e entra em confronto com alunos

Em nota, a universidade disse que repudia a “invasão” e que “episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis e representam uma afronta à democracia, à autonomia universitária, à segurança de estudantes, funcionários e docentes, e ao livre exercício do debate acadêmico”

Maria Eduarda Lopes*
MARIA EDUARDA LOPES*

25/02/2026 • 11:47 • Atualizado em 25/02/2026 • 11:47

O influenciador do Movimento Brasil Livre (MBL) Matheus Pereira, que produz conteúdo para as redes sociais e se descreve como “Ativista lutando por um Brasil mais livre”, disse ter ido até a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nesta última segunda-feira (23), para fazer a restauração de paredes pichadas no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e relatou que foi agredido pelos alunos com socos, chutes e empurrões, além de que as tintas utilizadas foram arremessadas contra a equipe do influencer.

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Um nota divulgada pela Unicamp, a universidade disse que repudia a “invasão e aos atos de intimidação e agressão protagonizados no campus de Barão Geraldo, por um grupo de nove pessoas [o influenciador e a equipe dele] durante o primeiro dia de aula". [Confira a nota na íntegra abaixo]

O influencer Matheus Pereira também se pronunciou por meio de nota:

"Eu, Gabriel Piauhy e outros militantes realizávamos a restauração de paredes pichadas no IFCH — amparados pelo Artigo 65 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais).

Ao perceberem nossa presença, grupos de alunos se organizaram para nos agredir e expulsar da universidade. Fomos alvo de socos, chutes e empurrões. Além disso, as tintas que utilizávamos foram arremessadas contra mim (fato registrado em vídeo no meu perfil do Instagram). Durante o tumulto, a câmera de um dos nossos colaboradores foi subtraída e jogada em uma área de mata, não sendo recuperada até o momento.

Temos vários casos de alunos ou convidados de direita que, ao tentarem se expressar ou emitir opinião na Unicamp foram silenciados, agredidos ou roubados. A Universidade fala em Democracia apenas na retórica, na prática protege um lado apenas e defende indiretamente a violência contra o outro lado”.

O que diz a reitoria da Unicamp

"Episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis, representando uma grave afronta à democracia, à autonomia universitária, à segurança de estudantes, funcionários e docentes, e ao livre exercício do debate acadêmico.

A universidade é um espaço de pluralidade, pautado pelo diálogo, não se submetendo a ações que busquem impor interesses por meio da violência ou da coerção.

A Unicamp reafirma seu compromisso com a democracia e com a defesa incondicional da universidade pública, gratuita, inclusiva e diversa.

Não permitiremos que a intolerância e a violência prevaleçam sobre o respeito às normas institucionais e o livre pensamento.

A Universidade está adotando as medidas administrativas e jurídicas necessárias para identificar os envolvidos e garantir a sua respectiva responsabilização pelos atos antidemocráticos.

A Reitoria se solidariza com todos os estudantes e membros da comunidade acadêmica que foram expostos a essa situação de insegurança".

O IFCH também se posicionou:

"A Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp manifesta seu profundo repúdio à invasão e às agressões físicas ocorridas nesta segunda-feira (23/02), durante a recepção aos novos estudantes. Um grupo de nove pessoas sem qualquer vínculo com a Unicamp utilizou o campus como palco para vandalismo e ataques deliberados à integridade dos alunos do IFCH e do IEL. O episódio marca uma escalada inaceitável das invasões com ações racistas e transfóbicas que vêm ocorrendo desde março de 2025 e que agora transformou-se em violência física direta e premeditada, conforme comprovam vídeos de “preparação” publicados pelos próprios agressores em redes sociais para fins de propaganda política.Ressaltamos que a comunidade do IFCH tem feito o possível para aplicar o protocolo de autodefesa construído coletivamente desde o ano passado com estudantes, funcionários e docentes. O método consiste em cercar pacificamente os invasores e exigir o recuo por meio de palavras de ordem, sem o uso de agressividade, enquanto a Secretaria de Vivência nos Campi (SVC) imediatamente é acionada. Infelizmente, nesta semana, o conflito não pôde ser contido a tempo. Ante a destruição aberta e desavergonhada de grafites que expressam e simbolizam a diversidade racial e de gênero na comunidade, membros da comunidade interna tentaram impedir, antes da chegada da SVC, que outros grafites fossem “limpados” com a tinta branca trazida pelos agressores. Ao tentarem tomar a tinta, mesmo sem qualquer contato direto com os agressores, foram covardemente atacados, um deles já ao chão, com socos e pontapés.A Direção reafirma sua total solidariedade aos agredidos e informa que já formalizou o registro de Boletim de Ocorrência, além de estar oferecendo todo o suporte necessário aos envolvidos.A universidade é, por definição, um espaço de pluralidade, diálogo e livre pensamento, e não se submeterá a tentativas de coerção ou intimidação movidas pelo ódio e pelo radicalismo de extrema-direita. Reafirmamos nosso compromisso com a democracia e com a segurança de nossos estudantes, funcionários e docentes, mantendo-nos em diálogo constante com a Reitoria e a SVC para o aprimoramento da vigilância no campus.O IFCH seguirá firme na defesa de uma universidade pública, inclusiva e diversa, garantindo que a intolerância não prevaleça sobre a autonomia acadêmica e a convivência democrática".

O que é o MBL

Movimento Brasil Livre (MBL) é um movimento político liberal-conservador brasileiro vinculado à direita, ativo desde 2014. O manifesto, cita cinco objetivos: "imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos para ditaduras". Obtiveram maior destaque nacional como oposição ao governo Dilma em 2016, com grande atuação e liderança nos protestos da época. Apesar disso, posteriormente, o movimento defendeu e protocolou à época o impeachment de Jair Bolsonaro e advogou pelo voto nulo no segundo turno das eleições presidenciáveis de 2022. Declaram-se como uma alternativa de "terceira via" na política brasileira com candidatos próprios e independentes para suas campanhas eleitorais. Fundaram, em novembro de 2025, o Missão, o partido político do movimento.

*Estagiária sob supervisão.

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