
Inverno
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O inverno começa oficialmente neste domingo (21) sob a influência direta do fenômeno climático El Niño, que promete registrar uma estação atípica em diversas regiões do Brasil. A chegada do novo período eleva o potencial para ocorrências de frio rigoroso, geada e precipitações em áreas específicas do território nacional nas próximas semanas. Conforme os dados das agências meteorológicas oficiais, a transição climática provoca impactos na rotina das cidades e também na produção agrícola.
Os primeiros dias da nova estação trazem as características tradicionais do período para os estados da Região Sul, com o avanço de frentes frias acumuladas. A partir desta segunda-feira (22), uma massa de ar polar atua de forma direta sobre a região, derrubando os índices de temperatura.
A concentração do frio mais rigoroso deve ocorrer principalmente ao longo de julho, período em que os meteorologistas preveem a atuação de massas de ar polar de maior intensidade. O declínio acentuado nos termômetros afeta o cotidiano das populações locais, impulsionando a necessidade de agasalhos e cuidados com animais de estimação.
Efeitos do El Niño mudam o clima a partir de agosto
A estabilidade do frio tradicional sofre alterações gradativas com o avanço do calendário. O repórter Eduardo Carvalho ressalta que, a partir de agosto, as temperaturas devem ficar mais amenas e os dias tendem a registrar maior índice de umidade.
A alteração decorre dos desdobramentos provocados pelo El Niño, que altera o regime de ventos e massas de ar no continente. O fenômeno climático traz um volume expressivo de chuvas para os estados do Sul, enquanto estabelece um tempo seco e quente em áreas do Norte e Nordeste do país.
Essa transição vai começar a ser sentida pelos brasileiros principalmente a partir da segunda metade da estação. O período deve registrar dias com índices de chuva elevados e marcas de temperatura superiores à média histórica para a época do ano.
Campinas apresenta ações para lidar com extremos climáticos
A Prefeitura de Campinas apresentou ações estratégicas e integradas para reduzir os impactos do fenômeno El Niño. As medidas buscam proteger a população, a infraestrutura urbana e os serviços públicos diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.
Monitoramento, alertas e medidas adotadas
- Integração das equipes da Defesa Civil, Saúde, Clima, Serviços Públicos e Assistência Social para resposta a eventos extremos.
- 21 estações meteorológicas nos 18 setores de risco da cidade.
- Emissão de alertas à população por meio de celulares e painéis digitais.
- Criação de uma rede de refúgios climáticos para a população. Os espaços contarão com sombra, áreas climatizadas, bebedouros e estrutura de acolhimento. Praças, bibliotecas e outros equipamentos públicos poderão integrar a rede.
- Instalação de 40 bebedouros públicos para hidratação e bem-estar da população em pontos diversos.
O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destacou a importância do trabalho integrado em vários setores para o enfrentamento aos extremos climáticos e lembrou da microexplosão, ocorrida há 10 anos em Campinas.
A reação operacional, o envolvimento das equipes foi fundamental para lidar com a situação. Foi uma lição definitiva que nós tivemos. Agora estamos mais preparados e é um trabalho contínuo de aprimoramento das medidas e das ações. A natureza sempre pode surpreender, explicou.
Preocupação e riscos no agronegócio nacional
A variação nas condições climáticas e o excesso de umidade acendem o sinal de alerta para os produtores rurais. O setor do agronegócio monitora as previsões de tempo e projeta o risco de perdas financeiras consideráveis e prejuízos no momento de colher as chamadas culturas de inverno, como o trigo e a cevada.
A combinação de calor fora de época com pancadas de chuva constantes prejudica o desenvolvimento das lavouras em fases cruciais da safra. De acordo com uma entrevista da Band São Paulo com o meteorologista Flávio Varone, a projeção para o encerramento do inverno e início do ciclo da primavera gera preocupação em termos sanitários para o campo.
"Essa projeção para o final do inverno e início da primavera é preocupante. Porque você vai ter mais umidade, temperaturas mais altas. Você pode trazer doenças para essas lavouras, fungos, mudança de temperatura", explica Flávio Varone.
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