A Polícia Federal (PF) concluiu o laudo pericial sobre o acidente do voo PTB2283 da VoePass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e irá realizar uma coletiva de imprensa para divulgar o doc. O relatório afirma que a queda foi provocada pelo acúmulo severo de gelo nas asas, aliado a falhas no sistema de degelo e à falta de reação adequada da tripulação. O desastre resultou na morte de todas as 62 pessoas a bordo.
Os registros da caixa-preta mostram que os pilotos Danilo Santos Romano e Humberto de Campos Alencar e Silva estavam cientes de que o sistema de proteção contra gelo não funcionava corretamente durante o voo.
No entanto, é importante destacar, que os problemas que levaram a queda começaram antes da decolagem. O avião decolou com os limpadores de para-brisa inoperantes, o que, pelas normas de segurança, deveria ter impedido o voo, já que havia previsão de chuva para o destino.
A perícia também identificou uma "quebra de responsabilidade" de comandantes de voos anteriores, que enfrentaram problemas no sistema de degelo no mesmo dia, mas não registraram as falhas nos diários de manutenção.
Diferente do relatório final da Força Aérea Brasileira (FAB/CENIPA), divulgado em julho, que possui caráter estritamente preventivo e não aponta culpados, este laudo da Polícia Federal faz parte de um inquérito criminal. O objetivo da perícia da PF é descrever as circunstâncias da tragédia para subsidiar a Justiça na apuração de responsabilidades e possíveis crimes

VoePass era empresa responsável pelo voo
Montagem/Reprodução
Transcrição dos diálogos (Áudios da Cabine)
Os áudios revelam desde o alívio da tripulação em voos anteriores até o momento em que percebem a gravidade da situação antes da queda:
Voo anterior (Guarulhos-Cascavel):
- 14h13m55s — Piloto: "Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente... foi o gelo que voou".
14h17m41s — Piloto: "Chegamos vivos".
- 14h21m27s — Piloto: "O meu [limpador] tá uma m***a, hein... agora foi. Tem que dar uma mexidinha".
Voo do acidente (Cascavel-Guarulhos):
15h15m39s — Piloto: "É o Airframe [sistema de degelo] que deu fault (falha)... pelo menos a gente já sabe que tá... [fu****]".
- 15h17m20s — Piloto: "Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo.".
- 16h20m00s — Copiloto: "Bastante gelo [ali]".
16h20m05s — Piloto: "Essa b***** não tá funcionando, né?".
- 16h21m07s — Som de alarme: Cricket Stall (aviso de perda de sustentação).
- 16h22m28s — Sistema de voz: "Pull-up... Pull-up" (aviso para subir a aeronave imediatamente).
Janela de 20 segundos
Segundo os peritos, a tripulação manteve o foco em tarefas rotineiras e não reagiu aos alertas de perda de velocidade. Isso fez com que perdessem uma janela de apenas 20 segundos que poderia ter evitado que o avião entrasse em "parafuso chato", um movimento de queda em que a aeronave gira sem controle até atingir o solo. O laudo da PF servirá como base para o inquérito policial que apura responsabilidades criminais pela tragédia.
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