Foi preso, em Hortolândia (SP), um dos maiores traficantes do Estado da Paraíba, responsável por fornecedor de toneladas de drogas para o Nordeste. A prisão foi feita na manhã desta quinta-feira (26), em um condomínio de alto padrão. A operação Argos foi desencadeada pela Polícia Civil do Estado da Paraíba, através da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, pela DEIC Piracicaba (SP), com o objetivo de desarticular uma sofisticada Organização Criminosa armada dedicada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro em escala industrial.
De acordo com a Polícia Civil, a ação cumpre 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão, distribuídos em 13 cidades de quatro estados. O foco central da intervenção é a neutralização financeira da estrutura criminosa, resultando no bloqueio judicial de mais de R$ 104 milhões.
- Bloqueios Financeiros: R$ 104.881.124,34 (divididos entre os Núcleos Paraíba e Gerencial).
- Patrimônio Imobiliário: sequestro de 13 imóveis de alto padrão.
- Frotas de Luxo: sequestro de 40 veículos cujos valores de mercado ultrapassam R$ 8 milhões, incluindo automóveis importados e logística de transporte
Prisão do líder da organização criminosa
O líder da organização, Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, é natural de Cajazeiras (PB), mas mora em São Paulo desde a juventude e possui um extenso histórico criminal no sudeste do país. Ele foi preso na manhã desta quinta-feira (26), na cidade de Hortolândia (SP), por equipes da DRACO e DEIC Piracicaba (SP).
Durante sua passagem pelo sistema prisional no Estado de São Paulo, ele estabeleceu vínculos estreitos com facções criminosas de âmbito nacional. Depois, se consolidou como o maior fornecedor de drogas — a maior parte, cocaína — para o estado da Paraíba e regiões limítrofes dos estados de Pernambuco e Ceará.
A ascensão financeira dele foi meteórica, caracterizada pela ostentação de uma vida de altíssimo luxo, viagens internacionais e a aquisição de um vasto patrimônio em nome de terceiros.
A investigação
A investigação, iniciada em 2023, após sucessivas apreensões de carregamentos de drogas pertencentes ao grupo, revelou uma estrutura hierárquica profissional dividida em núcleos específicos:
1. Núcleo Gerencial: responsável pelas diretrizes logísticas e decisões financeiras a partir de São Paulo.
2. Núcleo Operacional Paraíba: células regionais (JP, CG, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras) responsáveis pela capilaridade da distribuição.
3. Sistema de Lavagem de Dinheiro: a organização utilizava um esquema profissional de ocultação de bens, envolvendo o núcleo familiar de "Chocô", a utilização sistemática de "laranjas" e a criação de empresas de fachada e contas fantasma para integrar o capital ilícito à economia formal.
Locais onde foram cumpridos mandados
- Paraíba: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras.
- São Paulo: São Paulo (Capital), São Bernardo do Campo e Hortolândia.
- Bahia: Cândido Sales.
- Mato Grosso: Nova Santa Helena.
A Operação Argos — nome que remete ao gigante da mitologia grega cujos cem olhos tudo vigiavam — simboliza o compromisso da Polícia Civil na vigilância constante contra o crime organizado, atacando não apenas a liberdade dos envolvidos, mas o alicerce econômico que sustenta a criminalidade no país.
A ação mobilizou mais de 400 Policiais Civis e conta com o suporte técnico e operacional do GAECO/MPPB, da Unidade de Inteligência (UNINTELPOL), do GOE, da Coordeam, das Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE-JP e DRE-CG) e Delegacias estratégicas da 1ª, 2ª e 3ª Superintendências.
No estado de São Paulo, a operação contou com o apoio fundamental da Polícia Civil paulista, por intermédio do DENARC/PCSP, do DEIC de São Bernardo do Campo/PCSP e do DEIC de Piracicaba/PCSP, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e Mato Grosso.
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