
A funcionária percebeu e chamou as autoridades discretamente
GM
Um homem foi preso por violência doméstica após a companheira desenhar um “X” com batom na mão em um estabelecimento, em Americana (SP), neste domingo (3).
De acordo com a Guarda Municipal (GM), a equipe foi acionada após uma funcionária de um comércio identificar um sinal de ajuda. A vítima desenhou um “X” com batom na palma da mão e mostrou à prestadora de serviços, que reconheceu o gesto como um possível pedido de socorro relacionado à violência doméstica.
No local, os guardas abordaram o suspeito, que não portava itens ilícitos. Em conversa reservada, a mulher confirmou que era esposa do homem e relatou que vinha sofrendo agressões físicas e psicológicas. Segundo a vítima, naquele mesmo dia, ele teria quebrado o celular dela, puxado seu cabelo e impedido que ela saísse de casa.
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima declarou que já possuiu medida protetiva de urgência em favor do companheiro, porém ela e a filha foram ameaçadas de morte para que a medida fosse retirada.
A mulher também relatou que as agressões eram recorrentes. O autor chegava a puxar ela pelos cabelos e agredi-la utilizando uma gaveta, além de ter quebrado diversos objetos da casa.
O agressor costuma praticar atos de sabotagem no carro do casal, danificando os freios e esvaziando a água do radiador, inclusive retirando a tampa do reservatório para ocasionar o superaquecimento do veículo.
A vítima foi encaminhada para atendimento médico.
O homem foi preso e permenece à disposição da Justiça.
Sinal de socorro
Por que surgiu?
Surgiu na pandemia, pois o isolamento social aumentou a vulnerabilidade da mulher e, assim, o número de episódios de violência doméstica, em todas as suas formas, fenômeno que não se revelou somente no Brasil, mas mundialmente.
Como funciona? Como fazer a denúncia?
O sinal “X” feito com batom vermelho (ou qualquer outro material) na palma da mão ou em um pedaço de papel, o que for mais fácil, permite que a pessoa treinada reconheça que aquela mulher foi vítima de violência doméstica e, assim, acione a Polícia Militar.
Atendentes recebem cartilha e tutorial em formato visual, em que são explicados os fluxos que deverão seguir, com as orientações necessárias ao atendimento da vítima e ao acionamento da Polícia Militar, de acordo com protocolo preestabelecido.
Quando a pessoa mostrar o “X”, quem atende, de forma reservada, usando os meios à sua disposição, registra o nome, o telefone e o endereço da suposta vítima, e liga para o 190 para acionar a Polícia Militar. Em seguida, se possível, conduz a vítima a um espaço reservado, para aguardar a chegada da polícia. Se a vítima disser que não quer a polícia naquele momento, o atendente deve respeitá-la. Após a saída dela, transmite as informações pelo telefone 190. Para a segurança de todos e o sucesso da operação, sigilo e discrição são muito importantes. A pessoa que recepcionou a vítima não será chamada à delegacia para servir de testemunha.
Se houver flagrante, a Polícia Militar encaminha a vítima e o agressor para a delegacia de polícia. Caso contrário, o fato será informado à delegacia de polícia por meio de sistema próprio para dar os encaminhamentos necessários - boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva.
*Estagiária sob supervisão.


