
Operação contra o crime organizado e lavagem de dinheiro
Divulgação
A Polícia Civil de Rio Claro (SP) deflagrou, nesta quarta-feira (11), a “Operação Linea Rubra” contra o crime organizado e lavagem de dinheiro. A ação tem como objetivo frear o avanço da organização criminosa Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo e desarticular estruturas logística, financeira e operacional do crime.
A operação começou por volta das 5h30, e ocorre em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Piracicaba (SP), com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e da da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A investigação começou há mais de oito meses.
Medidas cautelares decretadas
Ao todo foram cumpridos, 26 mandados de busca e apreensão, 19 mandados de prisões preventivas, além de, medidas de sequestro de bens - abrangendo 12 imóveis já identificados e outros ainda em fase de bloqueio, R$ 33,6 milhões em valores mantidos em contas bancárias e 39 veículos.
Contexto e origem
A criminalidade violenta em Rio Claro (SP) intensificou-se em razão de disputa territorial entre o grupo liderado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como “Magrelo”, e integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em maio de 2023, a “Operação Oposição”, desarticulou a estrutura criminosa liderada por Magrelo. Contudo, o vácuo de poder deixado por essa operação foi ocupado por Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Bode”.
Vínculo com o Comando Vermelho
Diferentemente da estrutura anterior, as investigações indicam que Bode passou a integrar o Comando Vermelho (CV), figurando como uma de suas lideranças no interior do Estado de São Paulo.
Ele e o principal colaborador encontram-se, atualmente, foragidos, havendo indícios de que estejam escondidos em comunidades do Rio de Janeiro, sob domínio da facção criminosa.
A organização utiliza uma estrutura profissionalizada, com clara divisão de tarefas.
Entre os mecanismos empregados para o crime, destacam-se:
- Utilização de “carros-cofre”, veículos adaptados com compartimentos ocultos destinados ao transporte de drogas e valores;
- Emprego de empresas de fachada;
- Utilização de “laranjas” para ocultação e dissimulação patrimonial.
A movimentação financeira é expressiva, havendo registros de circulação superior a R$ 1,19 milhão em menos de um mês, valores provenientes do tráfico de drogas e da comercialização ilegal de armas de fogo.
A organização criminosa possui hierarquia definida, tendo sido identificados oito alvos principais, entre eles o líder Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto (“Bode”).
- Bode coordena a produção, aquisição e distribuição de drogas em larga escala, controla a logística de transporte e administra as finanças milionárias da organização, além de autorizar execuções de rivais com o objetivo de expandir o domínio territorial. O investigado é procurado por associação para o tráfico e homicídio.
- Seu braço direito, Luan Barbosa de Almeida Félix, atua como gestor operacional e financeiro, fiscalizando a contabilidade clandestina e intermediando transações de elevado valor. O investigado é procurado por tráfico internacional de drogas.
Atualmente, Bode e Luan encontram-se foragidos, havendo indícios de que estejam homiziados na comunidade Fallet-Fogueteiro, na cidade do Rio de Janeiro, área dominada pela facção Comando Vermelho.
Estrutura financeira e lavagem de dinheiro
O dinheiro da organização é gerado majoritariamente pelo tráfico de drogas.
A investigação identificou mecanismos de ocultação e integração de valores ilícitos, mediante utilização de contas interpostas, incluindo:
- Pessoas jurídicas, tais como construtoras e empresas de consultoria;
- Pessoas físicas, incluindo familiares e associados.
Tais expedientes permitiram a dissimulação da titularidade de bens móveis e imóveis, registrados formalmente em nome de terceiros (“laranjas”).
A inserção dos recursos ilícitos no sistema financeiro ocorre predominantemente por meio de transferências via PIX, TED e depósitos em espécie, direcionados a uma rede de contas bancárias interpostas.
Essas contas funcionam como “contas de passagem”, abertas em nome de terceiros com a finalidade exclusiva de inserir os recursos no sistema financeiro e dificultar a rastreabilidade dos valores.
O núcleo responsável pela lavagem de capitais apresenta estrutura ampla e organizada, envolvendo familiares próximos, terceiros de confiança e empresários atuantes no mercado formal.
Conclusão
As investigações permitiram identificar e individualizar os integrantes da organização criminosa, bem como delimitar suas respectivas funções, além de mapear a estrutura patrimonial e financeira derivada das atividades ilícitas.
*Estagiária sob supervisão.
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