Uma pesquisa desenvolvida na Unicamp, em Campinas (SP), criou um desodorante inovador à base de nanofibras com óleo essencial de capim-limão. O principal diferencial do produto dos antitranspirantes tradicionais do mercado é a ausência de sais de alumínio – que podem causar irritação na pele – e o uso de um mecanismo de combate.
“O mecanismo de ação é diferente: a gente não está eliminando a secreção do suor, a gente está absorvendo esse suor na nanofibra e junto com a nanofibra a gente está colocando um ativo desodorante, que são os óleos essenciais”, explica Gislaine Leonardi, professora de Cosmetologia da Unicamp e Coordenadora do Grupo de Pesquisa CeCD.
A pesquisa desenvolveu uma matriz de nanofibras de polímeros – uma membrana ultrafina, com alta área de superfície – capaz de absorver o suor e, ao mesmo tempo, liberar substâncias antibacterianas. Essa solução exigiu testar diferentes combinações e encontrar a concentração correta dos componentes, em um processo descrito como difícil devido ao "mundo gigantesco de polímeros" existente.
Além disso, a nanofibra atua como veículo para um ativo desodorante, que são os óleos essenciais. A escolha do óleo essencial de capim limão foi estratégica. Ele foi selecionado justamente por sua capacidade de diminuir a concentração de bactérias que formam o mau odor, sendo eficaz mesmo em concentrações menores, o que significa que não é necessário utilizar muito óleo para alcançar a eficácia desejada.
As nanofibras são como um tecido delicado, que pode ser aplicado diretamente na pele. Embora essa técnica já seja utilizada na indústria farmacêutica, esta é a primeira vez que ela foi aplicada na indústria de cosméticos.
Mercado
A pesquisa do desodorante inovador teve início há cerca de 3 anos e já resultou em um produto com potencial de utilização comercial.
A tecnologia já teve o pedido de patente feito no Brasil e no exterior e a patente já está pronta para ser licenciada. Apesar disso, os pesquisadores continuam a fazer testes para aprimorar o produto. Os próximos passos incluem testar novas formas de apresentação, como a perspectiva de usar a nanofibra diretamente na pele ou utilizá-la para desenvolver novas formas cosméticas.
*Com informações da repórter Lucimeire Ramalho.
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