A maternidade é frequentemente associada a cuidados práticos, como alimentação e sono, mas existe um fator silencioso que influencia diretamente o desenvolvimento infantil: o estado emocional da mãe. Segundo a Dra. Michele Ferreira, fisioterapeuta e especialista em dor e mente, é comum que, após o parto, todos os olhares se voltem ao recém-nascido, deixando a mulher em "segundo plano" ou no "final da fila", o que pode gerar prejuízos graves à saúde física e mental.
A especialista explica que a oscilação emocional nos primeiros 15 dias após o nascimento é conhecida como "baby blues", um estado decorrente de grandes alterações hormonais. No entanto, é preciso atenção redobrada: "Se esse estado se mantém, aí sim a gente pode ter um diagnóstico de depressão", alerta a Doutora.
Além disso, a exaustão extrema e a privação de sono estão diretamente ligadas ao burnout materno. A Dra. Michele ressalta que "nasce uma mãe, nasce uma culpa", pois a mulher se sente pressionada a dar conta de tudo e acaba negligenciando o próprio cuidado por falta de tempo ou apoio.
Rede de apoio não é luxo, é base
Um dos pontos centrais da entrevista é a desmistificação da rede de apoio. Para a Dra. Michele, ter com quem contar é o que define se a mulher terá condições, por exemplo, de retomar uma atividade física. Ela alerta que cobrar exercícios de uma mãe sem estrutura pode ser uma "violação", pois adiciona mais uma sobrecarga a quem já está no limite.
Para as mães que buscam formas de se reconectar consigo mesmas na rotina intensa, a especialista sugere:
- Respiração consciente: Aproveitar o momento da amamentação para respirar com atenção, saindo do modo automático.
- Pequenas pausas: Criar intervalos de dois minutos, como um banho consciente, para reduzir a agitação mental.
- Olhar para o futuro: Manter uma identidade além da maternidade ajuda a prevenir o sofrimento da "síndrome do ninho vazio" quando os filhos crescem.
"Nós não criamos filhos para a gente, criamos para o mundo. Quanto mais a gente se preparar e encontrar o nosso lugar, mais fácil será aceitar as mudanças da vida", finaliza a doutora.
A conexão fisiológica entre mãe e filho
A ciência comprova que a conexão entre os dois não é apenas comportamental, mas fisiológica. "Se a mãe está estressada ou irritada [...], isso afeta o bebê e o seu desenvolvimento", afirma a doutora. Quando a mãe está em estado de alerta constante, a criança pode dormir mal e ficar mais estressada, criando um ciclo difícil de romper.
A recomendação para evitar essa sobrecarga é priorizar a presença real em vez de tarefas excessivas: "Às vezes, tirar as cobranças e estar mais só presente com a criança já é o suficiente. É menos tarefas e mais presença".
*Com informações da entrevista realizada pelas apresentadoras do Band Mulher, Natalia Luchesi e Larissa Lopes.


