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Campinas e Região

Unicamp cria dispositivo 3D que recria medula óssea em laboratório

Tecnologia produzida com polímero pode permitir manter células-tronco vivas por mais tempo para testes e novos tratamentos médicos

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

30/03/2026 • 17:12 • Atualizado em 30/03/2026 • 17:12

Pesquisadores do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (Cemib) da Unicamp, em Campinas (SP), desenvolveram um dispositivo tridimensional que recria, com fidelidade inédita, o microambiente da medula óssea.

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A inovação, produzida com ácido polilático (PLA) através de impressão 3D, funciona como uma estrutura oca que abriga o tecido celular, permitindo a comunicação entre as células de forma semelhante ao que ocorre no corpo humano.

O grande diferencial da tecnologia é a capacidade de manter as células-tronco hematopoiéticas – responsáveis pela formação de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas – funcionais por um período prolongado.

Enquanto as técnicas convencionais preservam as características originais dessas células por cerca de 12 dias, o novo dispositivo permite o cultivo por 20 a 30 dias sem perder a capacidade de multiplicação. Segundo o pesquisador Marcus Corat, essa estabilidade transforma o sistema em uma espécie de “fábrica de sangue” controlada.

A nova tecnologia abre portas para diversos avanços na medicina regenerativa e na pesquisa biomédica. O dispositivo pode ser utilizado para:

  • Testes de medicamentos: avaliar a eficácia de drogas diretamente em células humanas doentes, como as de pacientes com leucemia, sem a necessidade inicial de testes em animais.
  • Implantes terapêuticos: atuar como uma "minifábrica" dentro do organismo para auxiliar no tratamento de doenças como a anemia falciforme.
  • Estudos clínicos: facilitar a investigação de doenças hematológicas em um ambiente controlado e transportável para diferentes condições experimentais.

A patente da invenção já foi depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) com o suporte da Agência de Inovação Inova Unicamp. Atualmente, a tecnologia está disponível para licenciamento por empresas ou centros de pesquisa que desejem investir nas próximas etapas de desenvolvimento, que incluem estudos pré-clínicos para uso em transplantes.

*Com informações do repórter Guilherme Celegato.

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