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Unicamp desenvolve técnica que pode ampliar acesso ao transplante capilar

Método deve reduzir tempo de operação e beneficiar pacientes que não são aptos ao tratamento convencional

Henrique Alves
HENRIQUE ALVES

16/07/2026 • 16:37 • Atualizado em 16/07/2026 • 16:37

Tecnologia pode representar uma segunda chance de acesso ao tratamento

Tecnologia pode representar uma segunda chance de acesso ao tratamento

Divulgação/Jornal da Unicamp

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um método inovador capaz de replicar folículos capilares em laboratório, a partir de uma pequena amostra do próprio paciente. A tecnologia, ainda em fase pré-clínica, deve beneficiar pacientes sem área doadora suficiente. O público-alvo inclui vítimas de queimaduras e pessoas que perderam fios em decorrência de quimioterapia.

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O método foi criado por uma equipe do Instituto de Biologia (IB) e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, reunindo expertise em nanotecnologia, cultura celular e medicina regenerativa.

O processo coleta entre 50 e 120 folículos, que são "desmontados" para a multiplicação de células-tronco e queratinócitos em ambiente controlado. Essas células são cultivadas em frascos com meio de cultura adequado até se multiplicarem

Essa multiplicação celular permite que pessoas antes consideradas inelegíveis para o transplante convencional tenham uma nova oportunidade de tratamento.

“Tiramos a matéria-prima da própria pessoa, diminuindo, assim, a possibilidade da rejeição. Se pegarmos parte dos folículos daquela pessoa e expandirmos no laboratório, teremos muito mais folículos para conseguir fazer o transplante. Dessa forma, as pessoas que não são elegíveis porque não têm área doadora acabam tendo uma oportunidade”, explica o doutorando do IB André Lopes Ferreira, que participou do desenvolvimento da nova técnica.

André Lopes Ferreira doutorando do IB participa do desenvolvimento da nova técnica

André Lopes Ferreira doutorando do IB participa do desenvolvimento da nova técnica

Foto: Divulgação/Jornal da Unicamp

A pesquisa segue um protocolo de desenvolvimento em etapas e encontra-se em fase de caracterização e estudos in vitro, com previsão de 18 meses para encerrar a fase pré-clínica completa, que inclui também experimentos em animais.

Somente após essa etapa o método será submetido à avaliação em seres humanos, seguindo os protocolos regulatórios estabelecidos internacionalmente para soluções terapêuticas.

Impactos na cirurgia e na oncologia

De acordo com os pesquisadores, a nova metodologia pode reduzir o tempo de cirurgia de dez para cerca de duas horas. Isso ocorre porque o cirurgião recebe os folículos já expandidos e selecionados, diminuindo o estresse físico tanto do médico quanto do paciente.

Além da agilidade, a tecnologia aumenta a precisão do procedimento, já que a fadiga do cirurgião é um fator que reduz as taxas de sucesso em operações longas.

Para pacientes oncológicos, a proposta permite a coleta e criopreservação de folículos antes do início da quimioterapia. Os fios seriam armazenados em nitrogênio líquido ou em freezers a -80°C para serem multiplicados e implantados após o término do tratamento.

Esta possibilidade é especialmente relevante para as mulheres, que frequentemente não recuperam a densidade capilar original após o câncer.

Wagner Fávaro, professor do IB e responsável pelo desenvolvimento do know-how

Wagner Fávaro, professor do IB e responsável pelo desenvolvimento do know-how

Foto: Divulgação/Jornal da Unicamp

Pesquisa clínica e viabilização comercial

Atualmente em fase pré-clínica, os estudos in vitro e em animais devem ser concluídos em 18 meses. Somente após esta etapa o protocolo será submetido a testes em humanos, seguindo rigorosas normas regulatórias internacionais.

O principal desafio científico atual é garantir que os folículos produzidos mantenham as características originais de textura, cor e curvatura. A equipe acredita que o uso de células do próprio paciente é a chave para preservar essas propriedades.

A viabilização comercial da tecnologia ocorre por meio da spin-off acadêmica Aeter Bianco, focada em fornecer a solução para o setor médico. O projeto contou com o apoio estratégico da Agência de Inovação Inova Unicamp na proteção da propriedade intelectual.

A visão dos fundadores é que o Brasil se torne um exportador dessa tecnologia para o mercado global de transplantes. O setor movimenta bilhões de dólares e carece de alternativas para casos de alta complexidade.