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Furto na Unicamp: entenda riscos do vírus e o que se sabe da investigação

Especialista classifica como "muito grave" desvio de material de segurança máxima; suspeita é sócia de produtora de vírus

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

26/03/2026 • 17:23 • Atualizado em 26/03/2026 • 17:23

A investigação sobre o furto de material biológico na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a principal suspeita, a pesquisadora Soledad Palameta Miller, é sócia de uma empresa que atua na produção de vírus transgênicos. A companhia, denominada Agrotrix Biotech Solutions, foi aberta em maio de 2025 e possui sede na própria Agência de Inovação da universidade.

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O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto classificou o episódio como "muito grave". Segundo o especialista, o desvio de amostras de um laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) representa um risco sanitário crítico, pois envolve a manipulação de material genético cujas consequências para a população e para quem o manuseia são desconhecidas.

Vecina enfatizou que o rompimento das normas de segurança em ambientes de pesquisa é inadmissível e comparou o perigo de vírus modificados geneticamente que são desviados a cenários de incerteza global em biossegurança. As amostras subtraídas possuem alto potencial de transmissão e gravidade, incluindo vírus aviários que podem infectar seres humanos em casos raros.

O que se sabe do caso até agora

  • A prisão: Soledad Miller foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) na última segunda-feira (23) e liberada no dia seguinte após audiência de custódia.
  • Quem é a professora: a argentina Soledad Palameta Miller é professora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da institução e é sócia de uma empresa que atua na produção de vírus transgênicos.
  • Marido da professora: o marido dela, o médico veterinário Michael Edward Miller, também é investigado. Ele é sócio da esposa na Agrotrix, empresa que produz vírus transgênicos.
  • O material: Os itens furtados englobam vírus, anticorpos e reagentes. Eles foram retirados do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada e levados para a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) sem o cumprimento dos protocolos exigidos.
  • A apreensão: A PF localizou o material durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Os itens foram encaminhados ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com apoio técnico da Anvisa, para análise.
  • Crimes investigados: Os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
  • Posicionamentos: A Reitoria da Unicamp instaurou uma sindicância e classificou o ocorrido como um "ataque grave ao patrimônio científico".

Outro lado

A defesa da pesquisadora informou que não se manifestará devido ao sigilo judicial decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas.

Com informações de Matheus Christov, do Band.com.br

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