A investigação sobre o furto de material biológico na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a principal suspeita, a pesquisadora Soledad Palameta Miller, é sócia de uma empresa que atua na produção de vírus transgênicos. A companhia, denominada Agrotrix Biotech Solutions, foi aberta em maio de 2025 e possui sede na própria Agência de Inovação da universidade.
O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto classificou o episódio como "muito grave". Segundo o especialista, o desvio de amostras de um laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) representa um risco sanitário crítico, pois envolve a manipulação de material genético cujas consequências para a população e para quem o manuseia são desconhecidas.
Vecina enfatizou que o rompimento das normas de segurança em ambientes de pesquisa é inadmissível e comparou o perigo de vírus modificados geneticamente que são desviados a cenários de incerteza global em biossegurança. As amostras subtraídas possuem alto potencial de transmissão e gravidade, incluindo vírus aviários que podem infectar seres humanos em casos raros.
O que se sabe do caso até agora
- A prisão: Soledad Miller foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) na última segunda-feira (23) e liberada no dia seguinte após audiência de custódia.
- Quem é a professora: a argentina Soledad Palameta Miller é professora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da institução e é sócia de uma empresa que atua na produção de vírus transgênicos.
- Marido da professora: o marido dela, o médico veterinário Michael Edward Miller, também é investigado. Ele é sócio da esposa na Agrotrix, empresa que produz vírus transgênicos.
- O material: Os itens furtados englobam vírus, anticorpos e reagentes. Eles foram retirados do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada e levados para a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) sem o cumprimento dos protocolos exigidos.
- A apreensão: A PF localizou o material durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Os itens foram encaminhados ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com apoio técnico da Anvisa, para análise.
- Crimes investigados: Os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
- Posicionamentos: A Reitoria da Unicamp instaurou uma sindicância e classificou o ocorrido como um "ataque grave ao patrimônio científico".
Outro lado
A defesa da pesquisadora informou que não se manifestará devido ao sigilo judicial decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas.
Com informações de Matheus Christov, do Band.com.br


