
Epidendrum fulgens, uma espécie nativa da região costeira entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro
Reprodução
Pesquisadores da Unicamp alcançaram um marco inédito para a botânica ao realizar, pela primeira vez, o sequenciamento genético em escala cromossômica de uma orquídea do gênero Epidendrum na América do Sul. O estudo, detalhado pelo Jornal da Unicamp, foca na Epidendrum fulgens, uma espécie nativa da região costeira entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro.
Diferente das orquídeas mais populares que evitam o sol direto, a E. fulgens é conhecida por sua alta resistência à luminosidade intensa e a solos pobres, como os de dunas e restingas. O sequenciamento permitiu identificar 30.830 genes organizados em 12 cromossomos, revelando os mecanismos que permitem à planta sobreviver nessas condições adversas.

O estudo foca na Epidendrum fulgens
Crédito: Divulgação/Unicamp
A pesquisa, liderada pela bióloga Jacqueline Mattos, identificou grupos de genes responsáveis pela osmorregulação (controle de água e sais) e pela resposta ao estresse oxidativo, frequentemente desencadeado por calor, seca e salinidade. Segundo Mattos, a descoberta ajuda a compreender como as plantas se adaptam aos ambientes neotropicais sob uma perspectiva evolutiva.
Além das funções genéticas, o estudo permitiu reconstruir a história da espécie nos últimos 10 milhões de anos, identificando picos de expansão e contração populacional. Atualmente, estima-se que existam cerca de 20 mil indivíduos da planta na natureza.
O trabalho foi publicado no periódico Genome Biology and Evolution e contou com a colaboração de especialistas da USP e de instituições internacionais.
Com informações de Liana Coll, do Jornal da Unicamp.
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