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Unicamp: vírus furtados não oferecem risco à saúde, confirma Anvisa

Reitoria divulgou nota nesta quarta-feira (1º) sobre o caso; professora e marido são investigados pela Polícia Federal

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

02/04/2026 • 08:02 • Atualizado em 02/04/2026 • 08:02

A Reitoria da Unicamp emitiu um novo comunicado nesta quarta-feira (1º) para esclarecer que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou oficialmente que o material biológico subtraído de um de seus laboratórios não oferece risco à saúde pública ou à população em geral. A universidade reforçou que continua colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal (PF) e conduzindo uma sindicância interna com rigor técnico.

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No texto, a instituição reiterou seu compromisso com a transparência responsável, mas informou que manterá sigilo sobre detalhes técnicos e a identidade dos envolvidos para preservar a integridade das pessoas e a eficácia das apurações. A Unicamp também declarou que repudia qualquer tentativa de exploração sensacionalista do caso e reafirmou a segurança de seus protocolos de biossegurança.

Relembre o caso

A investigação criminal teve início após a universidade comunicar o desaparecimento de materiais biológicos do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB). O local é classificado com Nível de Biossegurança 3 (NB-3), o que significa que é destinado ao manejo de microrganismos com alto potencial de transmissão e gravidade.

A principal investigada é a professora argentina Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Ela chegou a ser presa em flagrante pela PF no dia 23 de março, mas obteve liberdade provisória no dia seguinte, estando atualmente proibida de deixar o país. Segundo a PF, imagens enviadas pela própria Unicamp mostram que o marido da docente, Michael Edwards Miller, que era aluno de doutorado, foi o responsável por retirar as amostras e entregá-las à esposa.

Confira os pontos centrais da investigação:

  • Motivação comercial: A PF apura se o furto de pelo menos 24 tipos de microrganismos teve fins comerciais. O casal é sócio de uma startup de biotecnologia chamada Agrotrix Biotech Solutions, que produz vírus transgênicos para vacinas e terapias genéticas.
  • Localização do material: As amostras foram localizadas pela polícia em um prédio da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Há indícios de que a professora tentou descartar o material biológico logo após o cumprimento dos primeiros mandados de busca.
  • Crimes investigados: Os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
  • Posicionamento da FEA: Em nota anterior, a diretoria da FEA esclareceu que a unidade não realiza pesquisas com vírus respiratórios (como Influenza) e que as atividades laboratoriais da docente suspeita não incluíam esse tipo de agente em seu plano de trabalho aprovado.

A Unicamp já havia classificado o episódio anteriormente como um "caso isolado" e um "ataque grave ao patrimônio científico". As investigações prosseguem para identificar se houve a participação de outras pessoas no esquema.

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