Algoritmo? Hoje, não! Meta e Google são condenadas por vício em redes

Juri considerou as empresas responsáveis por contribuir para uma crise de saúde mental entre adolescentes

Por Redação
REDAÇÃO

27/03/2026 • 11:27 • Atualizado em 27/03/2026 • 11:27

Amanda Costa
Algoritmo? Hoje, não!

Algoritmo? Hoje, não!

Reprodução de Marcel Gautherot

Tem sempre uma chata querendo ser otimista.

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De uns tempos pra cá a gente lê as manchetes do dia, ri de nervoso e pensa: “daqui pra frente é só pra trás”. Pessoalmente, eu rio por uns dois segundos, e depois me pergunto onde passa o trem pra voltar.

Não sou a única. 2026 começou com uma trend mundial de relembrar 2016. As pessoas estão com saudade de quando a distopia ainda parecia exagerada. Todo mundo quer voltar, me parece. Ou pelo menos fazer de conta que pode.

Esta semana, um alívio. Em uma decisão histórica, um júri de Los Angeles condenou o Instagram, da Meta, e o YouTube, do Google, por danos à saúde mental de jovens. O tribunal decidiu que o design das plataformas foi construído para gerar vício.

Fico feliz com a notícia, sinal de que nem todos nós somos personagens de Black Mirror, achando normal viver num mundo bizarro.

Peço licença para ser chata: estamos sobrecarregados. Sobrecarregados de tela, de notícia, de opinião, de playlist gerada por algoritmo que sabe o que você quer ouvir antes de você saber que quer. A gente já está empanturrado, e mesmo assim, o polegar está lá, subindo o feed infinito, consumindo o nada em doses industriais. Garçom, eu não fiz esse pedido.

Com um futuro difícil de imaginar, o espírito da época é parar de olhar pra frente e se anestesiar com tudo que tivermos na prateleira: remédio, like, série, trend, câmera analógica comprada na tentativa de desacelerar. O game é infinito e impossível de zerar, mas pelo menos tem mais um episódio no menu do streaming.

Faria aqui uma lista cuidadosa das camadas do nosso mundo distópico. Mas isso seria péssimo pra sua gastrite. Então deixo uma citação. Uma citação que veio de trem, lá do mundo analógico:"Festa, meu Mocinho, é o contrário da saudade... Para se aguentar a vida no atual, a gente carece das duas... Mas agora estamos precisando mesmo é de festa.” Guimarães Rosa em Corpo de Baile, 1956.

Tem sempre uma otimista.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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