A camisa da discórdia

Por Redação
REDAÇÃO

26/03/2026 • 15:29 • Atualizado em 26/03/2026 • 15:29

Carlos Batista
A Nike conseguiu o que parecia improvável: irritar o torcedor brasileiro antes mesmo de a bola rolar

A Nike conseguiu o que parecia improvável: irritar o torcedor brasileiro antes mesmo de a bola rolar

Divulgação/Nike

A Nike conseguiu o que parecia improvável: irritar o torcedor brasileiro antes mesmo de a bola rolar. O novo uniforme azul para a Copa de 2026 foi recebido como uma afronta, especialmente pelos mais tradicionais. A explicação oficial cita inspiração no sapo-dardo da Amazônia, mas houve quem enxergasse no design algo bem diferente: uma figura estranha, associada por muitos a uma silhueta com chifres.

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O azul não é novidade; é o segundo uniforme do Brasil desde 1954. Foi com ele, inclusive, que a Seleção conquistou seu primeiro título, em 1958. Na final contra a Suécia, os anfitriões tinham a preferência pelo amarelo. Para evitar o branco — estigmatizado pelo “Maracanazo” de 1950 —, o Brasil adotou o azul sob forte apreensão. Foi então que Paulo Machado de Carvalho acalmou o grupo com uma frase histórica: “É a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida”. Funcionou. E virou lenda.

A Nike tentou emplacar um conceito “revolucionário”, mas pecou pela falta de sensibilidade.

A camisa amarela, lançada na sequência, conseguiu agravar o cenário. O problema não é o desenho, mas um detalhe artificial: a frase “Vai, Brasa”. Segundo a designer da empresa, a inspiração veio do “grito das ruas” “das arquibancadas”. Quem frequenta estádios sabe: essa expressão simplesmente não existe no vocabulário da torcida brasileira. Soa deslocada, como se quem a criou nunca tivesse pisado em um jogo da Seleção Canarinho.

A Seleção Brasileira é o ativo mais caro da Nike, que paga cerca de 100 milhões de dólares anuais pelo contrato de patrocínio. Para recuperar o investimento, a meta é ambiciosa: faturar R$ 400 milhões com os novos modelos. No entanto, a julgar pela recepção inicial, o prejuízo pode ser considerável.

As ações da empresa já enfrentam desvalorização acentuada, acumulando queda superior a 60% em cinco anos e recuo de 4,4% apenas na última semana.

Pode ser coincidência, mas o valor de mercado da marca vem derretendo à medida que ela se envolve em polêmicas e adere a pautas que dividem opiniões, gerando boicotes e desgaste de imagem.

No fim das contas, o erro é básico: faltou entender que a camisa da Seleção não é apenas um produto. É símbolo, história e identidade.

E com isso não se inventa — muito menos se brinca.

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* O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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