
Carlo Ancelotti, técnico do Brasil
Rafael Ribeiro/CBF
A Copa do Mundo é um torneio curto. São apenas oito jogos para chegar à final. Vence quem melhor se adapta às circunstâncias da competição. O treinador precisa sentir o momento de cada jogador e fazer mudanças rapidamente. Não há tempo para recuperação. Quem demora a agir corre o risco de voltar para casa mais cedo.
Para o duelo contra o Haiti, eu promoveria algumas alterações: Fabinho no lugar de Casemiro, Danilo na vaga de Ibañez, Endrick substituindo Igor Thiago e Danilo Santos no lugar de Paquetá. Nas demais posições, manteria a base da equipe que empatou com Marrocos.
O técnico Carlos Alberto Parreira mexeu na escalação do Brasil após o primeiro jogo da Copa do Mundo de 1994. A principal mudança ocorreu no meio-campo. Raí, então capitão da equipe, perdeu a vaga de titular para Mazinho, uma alteração que deu mais consistência defensiva e mobilidade ao time.
Com a entrada de Mazinho no time-base, formado por Mauro Silva, Dunga e Zinho, o setor de marcação ganhou força. Essa trinca de meio-campistas deu total liberdade para Romário e Bebeto desequilibrarem os jogos no caminho rumo ao tetracampeonato. Parreira foi cirúrgico.
Outro exemplo veio na Copa do Mundo de 1958. O técnico Vicente Feola mudou a equipe após os primeiros jogos para corrigir a falta de criatividade ofensiva, contornar problemas físicos e dar mais consistência ao time, que havia empatado sem gols com a Inglaterra e precisava vencer a União Soviética.
As principais alterações foram decisivas. Pelé, então com apenas 17 anos, assumiu a condição de titular após se recuperar de uma lesão no joelho que o havia afastado das primeiras partidas. Garrincha, com sua imprevisibilidade e extraordinária capacidade de drible, substituiu Joel e deu mais velocidade ao ataque. Já Zito entrou no lugar de Dino Sani para fortalecer a marcação no meio-campo.
Essas mudanças transformaram a dinâmica tática da Seleção Brasileira e foram fundamentais para a conquista do primeiro título mundial do país.
Acorda, Ancelotti. A história mostra que as grandes campanhas exigem coragem para mudar. Quem insiste nos erros corre o risco de morrer na praia.
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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.
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