Guarani - 115 anos de raça e tradição

Por Redação
REDAÇÃO

02/04/2026 • 14:10 • Atualizado em 02/04/2026 • 14:10

Carlos Batista
Guarani - 115 anos de raça e tradição

Guarani - 115 anos de raça e tradição

Divulgação

O dia 2 de abril não é apenas uma data — é um sopro de memória que atravessa gerações e finca suas raízes no coração de Campinas. Nesse dia, celebra-se o nascimento do Guarani FC, um clube que não se mede apenas por títulos, mas pela herança afetiva que carrega em cada canto de arquibancada. São 115 anos de uma história que pulsa, que resiste, que se reinventa — a história do Bugre campineiro, o único campeão brasileiro da Série A do interior do Brasil.

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Em 1981, veio também a consagração na Série B — à época chamada de Taça de Prata — como quem reafirma que sua grandeza não se limita a um único capítulo, mas se espalha em páginas de luta, orgulho e permanência.

Mas há histórias que não se contam apenas com bolas na rede. Algumas nascem da necessidade de dar voz ao invisível — àquilo que vibra no peito antes mesmo de ecoar nos estádios.

Foi assim que, em 1976, o então presidente Leonel Martins de Oliveira intuiu que o Guarani precisava de mais do que feitos: precisava de um canto. Um hino que traduzisse em palavras o que a razão não explica — apenas sente.

A tarefa foi confiada ao jornalista e compositor campineiro Oswaldo Guilherme, que recebeu não apenas uma encomenda, mas uma missão quase espiritual: transformar identidade em melodia, pertencimento em verso.

Sob orientação dos dirigentes Antonio Carlos Milanês e Hermógenes de Freitas Leitão Filho, o hino deveria ultrapassar fronteiras — não mencionar Campinas, não se fechar em geografia, mas abrir-se ao país inteiro. Ainda assim, exigia-se que ali estivessem símbolos íntimos, quase sagrados: a “Família Bugrina”, o “Brinco de Ouro”, o amor que não se explica — apenas se declara.

E Oswaldo compreendeu. Mais do que isso: sentiu.

Fez do trabalho um gesto de devoção. Não cobrou por ele, como quem sabe que certas obras não pertencem ao mercado, mas à eternidade. Organizou a gravação, cuidou de cada detalhe, como um artesão que molda não apenas uma canção, mas um legado.

No dia 8 de agosto de 1976, antes de a bola rolar para um empate por 2 a 2 contra o Palmeiras, o hino foi entregue à torcida. E ali, naquele instante suspenso entre o jogo e a emoção, nasceu algo maior que o próprio futebol: nasceu um elo.

A resposta foi imediata, quase visceral. O canto encontrou morada nos corações, como se sempre tivesse estado ali, à espera de forma. No ano seguinte, o reconhecimento veio de fora — um concurso no Mato Grosso o consagrou como o hino de futebol mais belo do país. Mas, para o bugrino, esse título já era antigo: estava gravado na alma desde o primeiro acorde.

E assim, entre vitórias e derrotas, entre o tempo que passa e a história que permanece, o Guarani segue — não como um clube que envelhece, mas como um sentimento que se renova.

Hoje e sempre. Guarani. Parabéns pelo aniversário.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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