
Homem-Aranha: Um Novo Dia estreou nos cinemas brasileiros em 30 de julho de 2026
Divulgação/ Sony Pictures
Vou começar fazendo uma confissão: escrever uma crítica da Marvel sempre me deixa desconfortável.
Eu cresci junto com o Universo Cinematográfico da Marvel. Assisti ao primeiro Homem de Ferro quando tinha sete anos, acompanhei toda a Saga do Infinito, chorei, vibrei e passei anos esperando cada novo lançamento. E, para completar, o Homem-Aranha sempre foi e continua sendo meu super-herói favorito.
Talvez por isso minha expectativa para Homem-Aranha: Um Novo Dia estivesse tão alta.
E talvez por isso a decepção tenha sido proporcional.

Nesses momentos, o longa lembra por que o Cabeça de Teia continua sendo um dos heróis mais divertidos da Marvel
Crédito: reprodução
Calma. Antes que alguém ache que odiei o filme, muito pelo contrário: eu gostei. As cenas de ação são excelentes, especialmente a luta contra os ninjas, que é facilmente uma das melhores sequências do longa. Visualmente, o filme também é bonito, e a parceria entre Peter Parker e o Justiceiro funcionou muito melhor do que eu imaginava. Inclusive, vi muita gente reclamando da personalidade mais bem-humorada do personagem, mas, sinceramente, achei que combinou com a forma como a Marvel costuma adaptar seus heróis.
Meu problema nunca foi esse.
O meu problema foi o tamanho do hype.
Tenho visto muita gente dizendo que esse é o melhor filme do Homem-Aranha do MCU, um dos melhores da Marvel e até um dos melhores filmes de super-herói já feitos.
Para mim, não chega nem perto.
Grande parte da emoção do filme gira em torno do fato de Peter Parker ter sido esquecido por todos. A ideia é boa, mas a execução não me convenceu tanto quanto convenceu boa parte da internet.
A impressão que tive foi que o roteiro tenta vender Tom Holland como o Peter Parker que perdeu tudo.
Mas... perdeu mesmo?
Quando penso na essência do Homem-Aranha dos quadrinhos e até mesmo na versão de Tobey Maguire lembro de um garoto extremamente inseguro, sem dinheiro, sem tecnologia, completamente sozinho, trabalhando vendendo fotos de si mesmo para conseguir pagar as contas.
Era um personagem que realmente parecia não ter nada.
Já o Peter de Tom Holland continua vivendo em um apartamento, cercado de tecnologia de ponta, com computador equipado, internet, comida na mesa... e o filme sequer se preocupa em explicar de onde vem esse dinheiro.
Ele está pobre?
Talvez.
Mas a pobreza nunca parece real.

Em uma das cenas, Peter usa computador altamente tecnológico
Crédito: Reprodução
E tem outro detalhe que reforça essa sensação. Em determinado momento, o filme faz questão de mostrar Peter em uma cena na banheira ao lado da Viúva, vivida por Florence Pugh. A sequência viralizou nas redes sociais justamente pelo porte físico de Tom Holland. Não é uma crítica ao ator, que continua sendo um excelente Homem-Aranha, mas à escolha da direção. A cena pouco acrescenta à narrativa e me lembrou imediatamente Jacob, de Crepúsculo, que parecia passar metade dos filmes sem camisa apenas para destacar o físico. Quando o roteiro tenta convencer o público de que esse Peter é alguém completamente destruído pela vida, escolhas como essa acabam enfraquecendo a imagem de um personagem fragilizado.

Em muitos momentos, o sofrimento dele parece resumido ao fato de MJ não se lembrar mais dele.
Claro que isso dói. É compreensível.
Mas senti falta de ver o peso das outras perdas.
Peter visita o túmulo da Tia May mais de uma vez ao longo do filme, mas, ainda assim, essas cenas nunca carregam a mesma intensidade emocional das que envolvem MJ. A impressão que tive foi de que a dor pela tia que foi a perda mais marcante desse Peter até agora acaba ficando em segundo plano. O mesmo acontece com Tony Stark, que praticamente desaparece da narrativa. Parece que o universo inteiro que Peter perdeu importa menos do que o fato de MJ não se lembrar dele. Depois de tantos filmes explorando esse mesmo conflito romântico, confesso que comecei a sentir certo desgaste.

Justamente por representar a chegada dos X-Men ao MCU, esperava algo mais marcante e original
Crédito: Reprodução
Outro ponto que me incomodou foi a introdução de Jean Grey.
Em várias cenas, especialmente naquela em que ela corre desesperada pela praça atrás da irmã, a sensação que tive era de estar assistindo à Max, de Stranger Things. A construção visual, a atuação e até o clima lembram tanto a personagem que, em alguns momentos, parecia uma homenagem involuntária ou uma cópia pouco disfarçada.
Para uma personagem tão importante, justamente por representar a chegada dos X-Men ao MCU, esperava algo mais marcante e original.
Por outro lado, quando o filme decide simplesmente ser um filme de ação, ele acerta em cheio.
As lutas são muito bem coreografadas, a movimentação do Homem-Aranha está excelente e existe um cuidado visual que realmente impressiona. Nesses momentos, o longa lembra por que o Cabeça de Teia continua sendo um dos heróis mais divertidos da Marvel.
Talvez seja justamente por amar tanto esse personagem que eu esperava sair do cinema sentindo aquele frio na barriga que tive em outros momentos da franquia.
E não senti.
Mas ainda consigo me emocionar profundamente quando assisto a algo que realmente me conquista. Então acho que não é só isso.
No fim das contas, Homem-Aranha: Um Novo Dia é um bom filme.
Só não é, para mim, essa obra-prima que muita gente está vendendo.
Minha nota é um 7.
É divertido, tecnicamente competente, tem ótimas cenas de ação e merece ser assistido.
Mas, quando as luzes do cinema acenderam, fiquei com a sensação de que esperava muito mais do meu herói favorito.
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