
O BTS abriu mão do Grammy
Revista Rolling Stone
O Grammy pode até acreditar que ainda dita as regras da indústria musical. O BTS, definitivamente, não.
A decisão do grupo de não inscrever o álbum ARIRANG na edição de 2027 da premiação talvez seja um dos posicionamentos mais simbólicos de sua carreira. E, para mim, deixa um recado bastante claro: existem artistas que já ultrapassaram a necessidade de validação de qualquer academia.
O anúncio veio logo após o Grammy criar uma categoria exclusiva para música pop asiática. Oficialmente, a medida pode ser apresentada como uma forma de ampliar a representatividade. Mas é impossível não enxergar uma contradição. Em vez de incluir esses artistas nas disputas principais, a Academia escolheu separá-los em uma categoria específica.

Print de um story do SUGA em que ele diz que o BTS não irá submeter o novo álbum deles ao Grammy de 2027
Créditos: Redes Sociais
Na prática, a mensagem que fica é desconfortável: vocês podem participar, mas em uma prateleira diferente.
E talvez seja exatamente isso que o BTS tenha se recusado a aceitar.
Ao afirmar que espera que sua música seja ouvida "sem ser limitada por região ou idioma", o grupo transforma uma simples desistência em uma declaração de princípios. Eles não querem vencer como "o melhor artista asiático". Querem competir como artistas. Ponto.
E convenhamos: o BTS já não precisa provar absolutamente mais nada.
Estamos falando de um grupo que esgota estádios em minutos, movimenta bilhões para a economia sul-coreana, quebra recordes de vendas, domina plataformas de streaming e reúne uma das comunidades de fãs mais engajadas do planeta. Quantos vencedores do Grammy conseguem fazer isso?
Durante anos, o Grammy foi tratado como o ápice da carreira de qualquer músico. Mas talvez essa lógica já não faça tanto sentido em um mercado globalizado, onde o sucesso é medido diariamente por milhões de pessoas que escolhem espontaneamente o que querem ouvir.
No fim das contas, nenhum troféu tem mais peso do que uma arena lotada em qualquer continente do mundo.
É justamente por isso que considero a decisão do BTS tão poderosa. Eles demonstram compreender o tamanho que conquistaram. Não precisam de um prêmio para legitimar sua relevância porque essa legitimidade já foi concedida por quem realmente sustenta qualquer carreira artística: o público.
Pessoalmente, espero que o grupo mantenha essa posição até o fim. Que não volte atrás e nem compareça à cerimônia. Não por desprezo à música ou aos demais artistas, mas porque, neste momento, a ausência pode dizer muito mais do que uma eventual vitória.
Se a maior premiação da indústria ainda precisa criar categorias para separar artistas por origem, talvez o problema não esteja nos artistas. Talvez esteja na própria premiação.
O BTS já mostrou ao mundo que a música não tem idioma. Agora, talvez seja a vez de o Grammy aprender essa lição.
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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.
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