Por que tanta gente odiou O Morro dos Ventos Uivantes?

Por Redação
REDAÇÃO

09/03/2026 • 16:04 • Atualizado em 09/03/2026 • 16:04

Juh Pedron
 O Morro dos Ventos Uivantes (2026) foi estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi

O Morro dos Ventos Uivantes (2026) foi estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi

Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Adaptar um clássico nunca é fácil e isso fica bem evidente na nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, baseada no romance Wuthering Heights, de Emily Brontë. O livro é conhecido justamente por seus personagens intensos, relações destrutivas e um clima emocional quase sufocante. Talvez por isso a adaptação tenha gerado tanta rejeição: quando a expectativa é alta, qualquer deslize fica ainda mais evidente.

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O filme, para ser justa, não é terrível. Ele está mais para aquele tipo de produção “assistível”, razoável o suficiente para prender a atenção, mas que dificilmente vai deixar uma marca duradoura. Falta algo e essa sensação acompanha o espectador praticamente o tempo todo.

Mesmo sem ter lido o livro, é fácil perceber que a adaptação tomou várias liberdades. Pesquisando um pouco sobre o romance, fica claro que o filme adapta apenas a primeira parte da história, e ainda assim de forma não tanto fiel. Isso acaba deixando a narrativa um pouco superficial, como se estivéssemos vendo apenas um recorte de algo muito maior.

As atuações também contribuem para essa sensação estranha. Em muitos momentos, os personagens parecem exagerados demais, quase caricatos, como se o filme estivesse constantemente tentando enfatizar o drama em vez de deixá-lo acontecer de forma natural. Jacob Elordi, por exemplo, entrega um Heathcliff intenso, mas que muitas vezes soa forçado. Já Margot Robbie tem presença em cena, mas em alguns momentos parece escapar do personagem, quebrando um pouco a imersão.

Isso pode ter relação com a própria direção criativa do filme, que opta por um estilo mais exagerado e teatral. Em vez de explorar a complexidade emocional dos personagens, a narrativa muitas vezes aposta em gestos grandes e emoções amplificadas.

Por outro lado, o filme acerta em alguns aspectos técnicos. A fotografia é muito bonita e cria imagens visualmente fortes, explorando bem as paisagens e o clima melancólico que sempre acompanhou essa história. O figurino também chama atenção, ajudando a construir o universo de época e dando ao filme um acabamento visual bastante elegante.

Outro elemento que pode ter incomodado parte do público é a quantidade de cenas de sexo. Em teoria, elas poderiam reforçar a intensidade da relação entre os protagonistas. Mas, na prática, algumas parecem simplesmente jogadas na narrativa, sem uma construção dramática que justifique sua presença. A cena no celeiro, por exemplo, surge mais como um recurso para intensificar artificialmente o drama do que como um momento realmente importante para os personagens.

Talvez seja justamente essa soma de escolhas que explique por que tanta gente saiu decepcionada do filme. O morro dos ventos uivantes é uma história marcada por sentimentos extremos, mas também por complexidade psicológica. Ao simplificar demais esses elementos, acabaram entregando uma versão mais superficial do que se esperava.

No fim, não é um desastre completo mas também está longe de capturar toda a força do romance de Emily Brontë. O resultado é um filme visualmente bonito, ocasionalmente interessante, mas que deixa a sensação de que algo essencial da história ficou pelo caminho.

*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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