
Coluna - Valter Sena
Inteligência Artificial
Nos anos 90, a Rádio Tracajá cobria de tudo, mas trânsito sempre foi um clássico. Naquele dia, a pauta seria uma coletiva com o delegado Sebastião Pinto, diretor da Circunscrição Regional da Trânsito, a Ciretran.
O delegado era admirado por toda a mídia de Tracajá City por sua disponibilidade em receber a imprensa e dar entrevistas.
O que ele nunca soube é que, entre risadas internas, a equipe o chamava de “Amado Pinto”. Um apelido inventado para ressaltar a solicitude do policial e, ao mesmo tempo, aliviar a tensão diária da redação.
Para a cobertura, a repórter Lara Alencar foi escolhida. Jovem, espevitada, de olhos atentos, pronta para qualquer imprevisto. A pauta era séria: motoristas com carteiras suspensas por excesso de multas.
Eu desempenhava a função de editor de texto na ocasião aguardava o retorno de Lara com o material bruto contido no microcassete do gravador Sony TCM 81, que representava a moderna tecnologia portátil de captação de voz na época.
Bem, chegou a hora da coletiva. Jornalistas posicionados, fotógrafos disputando espaço, aquele silêncio de segundos antes do primeiro questionamento. Coube a Lara começar.
Ela ergueu o gravador, mirou o delegado e disparou:
— Atenção editor, gravando com Amado Pinto… no que o policial interveio:
Amado não, Sebastião Pinto.
Ops, desculpe… gravando com Sebastião Pinto, diretor da…
A frase morreu ali. Gargalhadas se espalharam e os olhos do delegado arregalaram. Lara tentou se explicar, mas a confusão já estava feita. A coletiva continuou normalmente, o delegado respondeu a todas as perguntas, mas saiu sem entender o motivo de tanta risada logo na primeira pergunta.
Naquele dia, aprendi uma regra simples do jornalismo: apelido de redação não deve atravessar o microfone. Quando atravessa, não tem “ops” que resolva.
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