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Sorocaba e Região

Dermatologista alerta para o aumento de infecções na pele

Estudos apontam que quase metade dos episódios de micose ocorreram durante os meses com temperaturas altas

Da Redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 09:00 • Atualizado em 16/03/2026 • 09:00

Automedicação é um dos fatores que mais transformam quadros simples em infecções mais graves

Automedicação é um dos fatores que mais transformam quadros simples em infecções mais graves

Largo Editt

Estamos na última semana do Verão e, nesta segunda-feira (16/03), segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, a partir da tarde, as temperaturas sobem rapidamente e faz calor em todo o Estado. A combinação de calor elevado, alta umidade, suor excessivo, uso prolongado de roupas apertadas ou de tecidos sintéticos e a permanência com roupas de banho molhadas, favorece a proliferação acelerada de micro-organismos, tornando as dobras do corpo, os pés e as áreas abafadas as regiões mais vulneráveis para aparição de micoses e infecções bacterianas.

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Um estudo recente publicado no Jornal de Ciência Médica da Coreia do Sul (2024) analisou mais de 38 mil casos de infecções dermatológicas ao longo de dez anos (2014-2024) e comprovou que cerca de 42,7% dos episódios de micose ocorreram durante os meses mais quentes do ano. O dado reforça um alerta importante para esta época, marcada pelo uso frequente de piscinas, praias, academias e vestiários compartilhados.

Segundo o médico dermatologista Gustavo Novaes, os fungos, como os dermatófitos (ex.: Trichophyton rubrum), e leveduras, como Candida albicans, prosperam em ambientes quentes e úmidos. Já bactérias, como Staphylococcus aureus, encontram-se na pele suada que, eventualmente lesionada, criam uma oportunidade para colonização e infecção.

Micoses: as "campeãs de audiência" nas altas temperaturas:

As micoses superficiais são as infecções mais frequentes nesta época. Entre as principais, destacam-se:

  • Pé de atleta (Tínea pedis): comum em quem utiliza calçados fechados ou frequenta piscinas e academias, causando coceira, descamação e fissuras nos pés.
  • Pano Branco (Pitiríase versicolor): manifesta-se como manchas claras ou acastanhadas no tronco e pescoço que não bronzeiam, proliferando-se com a oleosidade e o suor.
  • Micose da virilha (Tínea cruris): caracterizada por placas avermelhadas e coceira intensa, sendo agravada pelo uso de roupas apertadas e atividade física.
  • Candidíase de dobra (Intertrigo candidiásico): muito comum em idosos e diabéticos, afeta áreas como axilas e regiões inframamárias, apresentando vermelhidão intensa e lesões satélites.

Infecções bacterianas na pele

Além dos fungos, as bactérias também encontram facilidade para se multiplicar no calor. As infecções bacterianas mais comuns incluem a foliculite, que causa erupções parecidas com "espinhas" em áreas de atrito como coxas e glúteos, e o eritrasma, que causa manchas nas dobras do corpo. Outro ponto de atenção é o intertrigo bacteriano, que pode ser confundido com micose, mas apresenta odor desagradável e secreção.

O perigo da automedicação

Ao notar qualquer alteração, como manchas, coceira ou pus, é fundamental procurar um dermatologista. Nem toda lesão que coça é micose, e o uso de pomadas inadequadas pode agravar o quadro. Infecções mal tratadas podem servir de porta de entrada para complicações mais graves, como a celulite infecciosa. Além disso, a automedicação com antifúngicos é ineficaz quando o problema é de origem bacteriana e pode até piorar o quadro infeccioso, o que reforça a necessidade de um diagnóstico médico preciso.

Para Gustavo Novaes, o principal risco da automedicação é o erro diagnóstico e, no Verão, é um dos fatores que mais transformam quadros simples em infecções mais extensas. “Muitas infecções bacterianas são confundidas com micoses — e vice-versa. Quando um paciente usa antifúngico em uma infecção bacteriana: a doença não melhora, o quadro pode evoluir, pode haver mascaramento temporário da inflamação e o atraso terapêutico aumenta o risco de complicações”, alerta o médico dermatologista.

Outro ponto importante é o uso de cremes combinados (antifúngico + corticoide), que podem modificar o aspecto da lesão e dificultar o diagnóstico posterior. Em micoses, o corticoide pode levar à chamada “tínea incognito”, alterando morfologia e favorecendo disseminação. Além disso, o uso inadequado de antibióticos tópicos também contribui para resistência bacteriana, especialmente em infecções por Staphylococcus aureus.

Portanto, o médico dermatologista reforça que, infecção de pele não é apenas um problema estético. É uma questão de saúde!

A pele é nossa principal barreira imunológica. Quando essa barreira é rompida, o caminho fica aberto para bactérias penetrarem mais profundamente no organismo. “Em pacientes com diabetes, imunossupressão ou doenças crônicas, o risco é ainda maior. Em casos raros, infecções cutâneas podem evoluir para quadros sistêmicos graves, como bacteremia ou fasceíte necrosante — situações potencialmente fatais”, explica o dermatologista.

Prevenção e cuidados fundamentais

Para aproveitar sem complicações, são recomendadas medidas simples de higiene:

  1. Manter a pele seca: secar bem as dobras do corpo e entre os dedos após o banho. Sempre tomar banho após suor excessivo;
  2. Trocar roupas úmidas: evitar permanecer por muito tempo com biquínis, sungas ou roupas suadas;
  3. Usar tecidos leves: dar preferência ao algodão ou tecidos tecnológicos, que permitem a transpiração da pele;
  4. Cuidado em locais públicos: usar chinelos em vestiários e chuveiros de praia e nunca compartilhar objetos pessoais como toalhas, lâminas, roupas íntimas e maquiagem;
  5. Atenção às lesões pequenas: arranhões, escoriações e picadas devem ser higienizadas. Hidratação ajuda a preservar a barreira cutânea.

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