A marcha do Dia Internacional da Mulher, que reuniu milhares de pessoas no centro da capital paranaense para protestar contra a violência de gênero.
Dados oficiais de segurança pública do Paraná referentes a janeiro de 2026 mostram que o estado registrou 8 feminicídios, 430 estupros e 6.687 ocorrências de violência doméstica contra a mulher, números que movimentos feministas usam como retrato da gravidade da violência de gênero no estado.
No mesmo período, o Paraná somou 97 homicídios em geral, além de 1.140 roubos e 11.681 furtos, segundo as estatísticas de criminalidade. Os dados indicam que os crimes contra mulheres representam parcela relevante da violência letal e doméstica registrada em apenas um mês.
Organizadoras de ações de enfrentamento à violência de gênero no estado citam esses números como evidência de que as políticas atuais ainda não conseguem conter a escalada de casos, sobretudo dentro de casa, onde se concentra a maior parte das agressões.
Casos de janeiro em números
Os 8 feminicídios em janeiro se referem a assassinatos de mulheres por razões de gênero, tipificados em lei quando há contexto de violência doméstica, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina.
Além disso, as 6.687 ocorrências de violência doméstica contra a mulher revelam um cenário de agressões físicas, psicológicas e patrimoniais que, em muitos casos, se repetem ao longo do tempo e podem culminar em mortes.
Os 430 estupros registrados em um único mês também acendem o alerta entre entidades que acompanham o tema, pela gravidade das violações e pelo impacto na saúde física e mental das vítimas.
Ações do programa Mulher Segura
Ao mesmo tempo em que divulga os números da criminalidade, o governo estadual informa que quase 224 mil pessoas foram alcançadas por ações do programa Mulher Segura no Paraná.
Segundo o governo do estado, o programa reúne iniciativas de orientação, prevenção e atendimento para mulheres em situação de violência, com atividades em diferentes regiões paranaenses.
Nesse esforço, a Patrulha Maria da Penha recebeu 54 novas viaturas para reforçar o atendimento a mulheres com medidas protetivas judiciais, em uma tentativa de ampliar o monitoramento dos agressores e garantir maior segurança às vítimas.
Movimentos cobram prevenção e autonomia
Para movimentos feministas, porém, o volume de ocorrências em janeiro de 2026 mostra que as ações existentes ainda são insuficientes diante da demanda e precisam vir acompanhadas de mais investimentos estruturais.
"Esses números reforçam a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, acolhimento e atendimento especializado, além de políticas que garantam autonomia econômica às vítimas", afirmam movimentos feministas do estado.
Na avaliação desses grupos, o enfrentamento à violência de gênero exige rede de atendimento fortalecida, com delegacias especializadas, abrigos, suporte psicológico e jurídico, além de oportunidades de trabalho e renda que permitam às mulheres romper ciclos de agressão.
Eles defendem ainda que a divulgação periódica dos dados de criminalidade sirva para orientar políticas públicas de longo prazo e para cobrar a atuação integrada de governo, sistema de Justiça e sociedade civil na proteção das mulheres no Paraná.
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