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Acidentes de trânsito custam quase R$ 40 milhões a Curitiba

Gastos do SUS com vítimas em 2025 sobrecarregam hospitais e atrasam cirurgias eletivas

Pedro Talin
PEDRO TALIN

27/05/2026 • 14:01 • Atualizado em 27/05/2026 • 14:49

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba informou que, em 2025, os gastos com atendimento a vítimas de acidentes de trânsito chegaram a quase R$ 40 milhões na rede pública, o que pressiona o orçamento e a oferta de outros serviços de saúde.

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Segundo levantamento da pasta, apenas as despesas hospitalares somaram mais de R$ 37 milhões no Sistema Único de Saúde (SUS) da capital. Os valores incluem internações, cirurgias de emergência e uso de leitos de terapia intensiva.

Batidas de carro, quedas de moto e atropelamentos compõem a maior parte dos atendimentos motivados por imprudência nas ruas de Curitiba. Além de representar risco constante à vida, esses casos ocupam equipes e estruturas que poderiam atender outras demandas.

Cresce número de mortes no trânsito

Os dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde mostram também o aumento da letalidade no trânsito curitibano. Em 2025, 209 pessoas morreram em acidentes, alta de 30% em relação a 2024, quando foram registrados 161 óbitos na capital paranaense.

Para a gestão municipal, o cenário reforça a necessidade de ações integradas entre saúde, trânsito e segurança para reduzir tanto o número de vítimas quanto o impacto sobre o sistema público.

Impacto nas cirurgias e na rede de saúde

A secretária municipal de Saúde, Tatiane Filipak, destaca que o custo financeiro é apenas uma parte do problema. Segundo ela, a grande ocupação de hospitais por vítimas de acidentes prejudica outras áreas e afeta pacientes que aguardam cirurgias eletivas.

Quando um leito fica reservado por longos períodos para tratar traumas graves, cirurgias programadas precisam ser remarcadas e filas de espera aumentam. Na avaliação da secretaria, o atendimento a acidentados também amplia a demanda por fisioterapia, reabilitação e acompanhamento psicológico.

Custo vai além dos hospitais

O impacto econômico dos acidentes de trânsito não se limita à conta hospitalar. Ao considerar reabilitação, outros procedimentos médicos, perda de produtividade e afastamentos do trabalho, o custo social cresce de forma significativa.

Conforme estudo citado pela Secretaria Municipal da Saúde, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o investimento público relacionado a acidentes de trânsito pode chegar a R$ 806 milhões quando esses fatores indiretos entram no cálculo.

Os números, apresentados em reportagem de Pedro Talin, em Curitiba, evidenciam que a redução da violência no trânsito tem potencial para salvar vidas e aliviar a pressão sobre os cofres públicos e sobre o Sistema Único de Saúde.