A Polícia Civil apreendeu dois adolescentes de 14 e 15 anos, em Ibiporã (PR) e Capivari (SP), suspeitos de usar a plataforma de jogos online Free Fire para cometer crimes de estupro, incentivar o suicídio e armazenar imagens de abuso sexual, em operação batizada de Battle Royale.
Imagens da investigação mostram policiais civis chegando à casa de um dos suspeitos, em Ibiporã. Os agentes retiram a corrente do portão, abordam o jovem por uma janela e, em seguida, entram no imóvel para cumprir as ordens judiciais.
Segundo a polícia, o adolescente de Ibiporã instigava uma menina de 13 anos, moradora de Capivari, a enviar fotos e vídeos de conteúdo pornográfico, além de estimular que ela tirasse a própria vida. As conversas ocorriam por meio de recursos de chat do jogo.
A apuração aponta que um segundo jovem, também de Capivari, participava do esquema monitorando a vítima e acompanhando a rotina dela, em troca de receber o mesmo tipo de material sexual produzido pela garota.
Investigação e enquadramento legal
De acordo com a delegada Maria Luísa Dalla Bernardina, a operação é resultado de mais de seis meses de investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo, com apoio das forças de segurança do Paraná. Nesse período, os investigadores reuniram elementos que embasaram mandados de busca e apreensão nos dois estados.
Ela relatou que, nos celulares apreendidos, especialmente no aparelho do adolescente de Ibiporã, os agentes localizaram outras imagens de abuso infantil. Por esse motivo, ele também vai responder pelo artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da posse e do armazenamento de pornografia infantil.
Esse dispositivo legal criminaliza a aquisição, a posse ou o armazenamento de imagens de exploração sexual de crianças e adolescentes, independentemente do meio utilizado. Trata-se de delito classificado como grave, com foco na proteção integral de menores de idade.
Risco de automutilação e busca por outras vítimas
A delegada informou ainda que os suspeitos também estimulavam a adolescente a se mutilar, pedindo que ela se cortasse e enviasse registros dos ferimentos. Conforme a autoridade policial, os dois jovens seguem apreendidos enquanto a investigação continua.
Os investigadores não descartam a existência de outras vítimas abordadas por meio da mesma plataforma de jogos. A polícia analisa conversas, arquivos de mídia e históricos de acesso para tentar identificar novos casos e ampliar o alcance da operação Battle Royale.
Alerta para pais sobre chats em jogos
Para a polícia, o caso acende um alerta sobre os riscos das interações em chats de jogos online, que muitas vezes ocorrem sem qualquer supervisão de adultos e podem ser usados para aproximar agressores de crianças e adolescentes.
As autoridades orientam que pais e responsáveis acompanhem o uso de celulares, computadores e consoles, observem mudanças de comportamento e conversem com filhos e filhas sobre segurança no ambiente virtual, incluindo contatos com desconhecidos em plataformas de jogos.
A reportagem não localizou representantes da empresa responsável pelo Free Fire para comentar o caso.
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