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Aluguel cresce 54% e afasta brasileiro do sonho da casa própria

Um em cada quatro lares vive de locação, aponta IBGE, em meio a juros elevados, imóveis caros e endividamento recorde

Da redação
DA REDAÇÃO

23/04/2026 • 14:38 • Atualizado em 23/04/2026 • 14:38

Pesquisa do IBGE mostra que o número de famílias que moram de aluguel no Brasil aumentou 54,1% entre 2016 e 2025 e que quase um em cada quatro domicílios do país hoje é alugado, em um cenário de juros altos, imóveis valorizados e maior endividamento das famílias.

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De acordo com o levantamento, o crescimento da locação supera com folga o das demais formas de ocupação. No mesmo período, os imóveis próprios que ainda têm parcelas a vencer cresceram 31%, enquanto as unidades já quitadas registraram alta de apenas 7,3%.

Os dados indicam uma mudança no perfil de moradia do país. Atualmente, uma fatia significativa dos lares depende do pagamento mensal do aluguel, o que reforça a dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário, especialmente entre as famílias de renda média e baixa.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam juros elevados, encarecimento do crédito e alto nível de endividamento como alguns dos principais fatores que afastam o primeiro imóvel, sobretudo para quem tenta comprar em grandes centros urbanos.

Juros altos travam acesso ao crédito

A conjuntura econômica atual impõe obstáculos adicionais a quem deseja sair do aluguel. Segundo reportagem de Olívia Freitas, da Band, os juros altos encarecem as prestações e fazem os bancos exigirem que as famílias tenham renda mensal muito superior ao valor da parcela para aprovar o financiamento.

Para Marcelo Menezes, o cenário atual exige que o interessado comprove ganhos equivalentes a pelo menos três vezes o valor da mensalidade do financiamento. Com as taxas em patamar elevado, o valor final da prestação sobe e obriga o comprador a reunir uma quantia maior para a entrada.

Além do custo do crédito, o endividamento da população e a rápida valorização dos imóveis reduzem ainda mais as chances de compra. Enquanto as famílias tentam poupar para o pagamento inicial, o preço de mercado tende a subir em ritmo acelerado, o que neutraliza parte desse esforço.

Mais investidores e renda concentrada

A análise do IBGE sugere que o aumento da locação também pode indicar maior concentração de renda no Brasil. Muitos apartamentos disponíveis para alugar pertencem a investidores que não utilizam o imóvel como moradia, mas como fonte de rentabilidade mensal.

Para o setor da construção civil, esse comportamento consolidou um público-alvo específico: o investidor. Incorporadoras têm focado em empreendimentos voltados a quem busca renda passiva com aluguel, tentando garantir ocupação constante e retorno mensal para os proprietários.

Impacto na rotina de quem vive de aluguel

Consultora de imagem, Célia Regina Sousa exemplifica a realidade de milhões de brasileiros. Ela optou por um apartamento de 20 metros quadrados para morar mais perto do trabalho, mas admite que os juros atuais tornam o financiamento inviável no momento.

Relatos como o de Célia se repetem sobretudo em capitais como São Paulo, onde a pressão da demanda sobre a oferta faz os valores de locação subirem. Com reajustes frequentes, muitos moradores acabam tendo de escolher entre morar perto do trabalho ou buscar bairros mais baratos, o que impacta diretamente a qualidade de vida e mantém o sonho da casa própria mais distante.