A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou reajuste na tabela do frete mínimo em todo o país, em meio à alta de 20% no preço do diesel desde o início do ano, o que tem pressionado empresas de transporte de cargas e caminhoneiros autônomos.
Em uma transportadora ouvida pela reportagem, o cenário é descrito como imprevisível. A empresária Ana Dalavalle conta que já não consegue antecipar quanto vai gastar em cada viagem.
“O caminhão sai com um custo estimado e volta com outro. Fica impossível prever a margem de lucro, porque os gastos têm sido cada vez maiores”, afirma a dona da transportadora.
Reajuste do frete tenta preservar renda dos motoristas
Segundo a ANTT, o reajuste do piso do frete varia de 4,8% a 7%, conforme o tipo de carga e de operação. A atualização é prevista em lei sempre que a alta acumulada do diesel supera 5%.
O objetivo é garantir que os caminhoneiros recebam valores mínimos que cubram o aumento do combustível, que representa entre 40% e 50% do custo da operação para a maior parte das empresas.
Na prática, porém, caminhoneiros autônomos relatam dificuldade para repassar os aumentos às transportadoras e aos embarcadores.
Caminhoneiro pensa em deixar a profissão
Depois de 15 anos na estrada, o caminhoneiro autônomo Hércules Martins da Silva diz que já cogita abandonar a boleia. Ele afirma que o reajuste oficial não se reflete integralmente no que recebe.
“Tenho pensado em parar porque o custo é muito alto e o frete não aumenta. Há mais de dois anos ganho a mesma coisa e a empresa que me contrata não fala em reajuste”, relata o motorista.
Governo promete sistema para barrar frete abaixo da tabela
Para tentar fazer a tabela valer na prática, o governo federal anunciou mudanças na fiscalização. Multas podem chegar a R$ 10 milhões para quem descumprir as normas de pagamento do frete mínimo.
De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, haverá alterações nos sistemas usados para emissão de documentos obrigatórios nas viagens de carga.
“Vai haver uma alteração no sistema para impedir que a empresa que deseje contratar frete abaixo da tabela mínima consiga emitir o documento necessário para o transporte”, afirma o ministro.
Impacto chega ao preço de quase tudo o que o país consome
Especialistas lembram que o custo do frete influencia não apenas o transporte, mas toda a cadeia produtiva. Como a maior parte das mercadorias circula por rodovias, aumentos sucessivos no diesel tendem a se espalhar pela economia.
Na avaliação do economista Eric Gil Dantas, o combustível pesa relativamente menos nos índices oficiais de inflação, mas tem efeito difuso sobre o orçamento das famílias.
“O diesel tem impacto menor no índice geral de inflação, mas afeta praticamente tudo o que consumimos diariamente”, analisa o economista.
Enquanto o mercado se ajusta ao novo piso do frete e às regras de fiscalização, empresas e caminhoneiros seguem tentando equilibrar contratos, prazos e custos em um cenário considerado incerto.
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